Melhores do ano

A APCA, Associação Paulista dos Críticos de Arte, votou na sua lista de melhores do ano. Na categoria Música Popular, o resultado é este:

Disco: Onde Brilhem os Olhos Seus/Fernanda Takai
Cantora: Roberta Sá
Cantor: Paulinho da Viola
Grupo: Orquestra Imperial
Revelação Feminina: Marina de La Riva
Revelação Masculina: Edu Krieger
Grupo Revelação: Fino Coletivo

Ainda não ouvi a estreante Marina. Os outros rodam ou rodaram bastante nos meus ouvidos, em 2007.

Curioso o desequilíbrio entre cantores e cantoras nesse país. Enquanto Paulinho reina soberano, graças ao último Acústico MTV, sem nenhuma jovem sombra a lhe fazer concorrência, a deliciosa Roberta Sá enfrentou fortes concorrentes, com vozes igualmente poderosas: Virgínia Rosa, Fabiana Cozza, Célia, Ione Papas, Rosa Passos, Tereza Cristina, Mônica Salmaso, Céu e até a surpreendente Fernanda Takai, que descobriu um jeitinho Nara Leão de cantar, miúdo e gostoso de ouvir. A minha revelação seria a crooner da Orquestra Imperial, Thalma de Freitas.

Edu Krieger, filho do compositor erudito Edino Krieger, optou pela música popular e mandou bem. Aliás, tem composições gravadas no disco da Roberta Sá e no da Maria Rita, que está um pontinho abaixo na lista das cantoras.

E o Fino Coletivo? Diferente, variado, ainda desigual, mas apresenta inovações sutis e criativas.

Voltarei a eles, em breve, aqui ou na Revista Música Brasileira.

6 Respostas para “Melhores do ano”


  1. 1 Paulo Weidebach Dezembro 16, 2007 às 7:49 pm

    Alvíçaras !!!
    Boa iniciativa do caro amigo essa de dividir conosco suas opiniões do
    dia-a-dia. Por fim o disco da Fernanda é ótimo, a Roberta Sá sensacional, faltou na sua lista a Vanessa da Matta.
    É isso aí, espero que tenha energia para manter este blog atualizado,
    este e o ponto chave!!

  2. 2 Daniel Brazil Dezembro 17, 2007 às 12:56 am

    É, Paulo, ainda não ouvi o CD da Vanessa. Mas acabo de baixar (confesso) o da Marina de La Riva. Música cubana-brasileira como ela, com um toque classudo, mais para Buena Vista Social Club que para Orishas. Curiosamente, ela grava um dolente Tahí – Eu Fiz Tudo Pra Você Gostar de Mim (aquele da Carmen Miranda), a mesma idéia que encerra o CD da Fernanda Takai.
    Sintonias?

  3. 3 José Marcos Dezembro 17, 2007 às 1:15 pm

    Dá-lhe Brazil!
    É, muito, bom ter mais um espaço para conversarmos e palpitarmos sobre as arte e ,também, sobre artimanhas, articulações, artigos e que tais que borbulham na testa
    deste nosso Brasil que desperta homeopaticamente (acredito eu).
    Salve! Salve!
    Meu caro, tenho reservas neste negócio de “melhores do ano”. É que por atuar no mercado fonográfico , acabo escutndo e/ou recebendo informações sobre diferentes artistas e discos que não chegam ao conhecimento (não tem acesso ?) dos críticos e , principalmente, do público.
    Afinal de contas os “independentres” lançam no mercado uma imensa quantidade de títulos que, trazem novos talentos, novas sonoridades, novas experiências musicais e até mesmo
    “velhos mestres” que ficam a margem dos gostos e desejos da grande mídia com seu enorme aparato de justificativas e maneiras de impor padrões estéticos .
    Ops! “São Paulinho da Viola” … não vale.
    Quero que “premeiem” novidades . Sabemos elas existem. Precisamos ajuda-las a florescer. Mudarmos as listas anuais dos “melhores”.
    Dica – Revista Música Brasileira – KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Um araço e SUCESSO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  4. 4 Daniel Brazil Dezembro 17, 2007 às 7:45 pm

    Grande Zé Marcos!

    Até que a safra de independentes conseguiu se colocar bem na fita, não tem figurões (tirando o Paulinho, claro).
    O pior vem agora:
    Fui espiar na página da APCA, pra ver como se deu a votação, e descobri algo decepcionante: a escolha foi feita por 3 pessoas. Três! Inês Correia, Pedro Alexandre Sanches e José Norberto Flesch.
    Sem entrar em méritos pessoais (só conheço o PAS), eles representam os críticos de São Paulo? Ou a APCA anda com falta de quórum?

  5. 5 Vidotto Dezembro 23, 2007 às 9:50 pm

    Ave, Daniel!
    Comprei ontem o cd da Fernanda Takai, por acaso, antes de ler seu comentãrio no blog e saber que ele/ela foi eleito por aquele numeroso juri. Comprei por razões outras que não a condição de ouvinte bem informado, e que voce sabe não é meu caso.
    Entre outros motivos, como o cd tem direção de Nelson Mota e é inspirado em Nara, e tem todo o tratamento moderno, resolvi sentir como nossa memória musical e sua carga afetiva passam por esse filtro da tecno sensibilidade atual. Depois de duas ou trës audições acho que saiu muito bem.
    Confesso que tb fui movido pelo eterno fla-flu das identidades. Estava na verdade comprando um cd do Bajofondo, por curiosidade sobre a matriz do gotan project e pra não ficar por fora do que faz o tal Gustavo Santaolalla, com seus dois óscares (a trilha dos caubõis entendidos, e a de babel). Depois de ouvir algumas vezes, fico pensando se aquilo não é tango para pitecäntropos, mas quem sou eu. Tb sou meio piteco e gostei um pouco; serve pra quando a sensibilidade esta meio embotada e o som é só um complemento da decoração.
    Mas tecno é o nosso tempo, bëibi, e é isso o que eu queria lhe perguntar – se vocë acha que essa versão de bossa nova para as jovens massas vai pegar, e que chance temos nos os brasucas de nos enfiarmos no mercado roliudiano e mundial, como os portenhos. Ou será que no fim da história ganhamos nos gramados e perdemos nos gramofones?
    Toda essa bobagem, no fundo, é prá lhe desejar Feliz Natal etc e tal. E até!

  6. 6 Daniel Dezembro 23, 2007 às 10:17 pm

    Grande Vidotto!
    Na verdade, a tecno-bossa já tem lugar garantido nos lounges mais chiques do planeta, há algum tempo. A musa internacional é Bebel Gilberto, que vende muito mais aí fora (ou melhor, na Europa e no Japão) que no Brasil.
    Não creio que vá rolar nenhum estouro internacional, porque a última flor do Lácio é realmente uma barreira intransponível para estrangeiros. Mas, nesse mundo cada vez mais segmentado, conquistar alguns nichos já é uma vitória.
    Em estatísticas holliwoodianas, a bossa nova tem sido mais tocada em trilhas (de Woody Allen a Scorcese) que o tango. Na França dividem preferências, mas na Itália goleia. Todavia, o ambiente é sempre fino, elegante, cult. Os novos bárbaros vão mesmo de rap e música eletrônica. No mundo, na Argentina e no Brasil…

    Forte abraço!


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