Talvez tenha sido muito cruel com o Piauí, no último post. Na verdade, vou guardar uma ótima lembrança de lá: o melhor capote que já comi! O quê? Não sabe o que é capote? Guiné, tô-fraco, galinha d’angola. O mais saboroso bicho de pena da face da terra! Melhor que pato, marreco, faisão, galinha, codorna, perdiz, peru e outros bípedes emplumados. Gentileza da Mercês, do Sebrae, que encomendou o prato, por telefone, e nos levou ao Caseiro, um lugar que tínhamos evitado na véspera por causa dos urubus andando no meio fio, feito galinhas. Graças à experiência com as abelhas, consegui abstrair a presença das moscas, uma praga onipresente no Piauí em qualquer época do ano.
Aliás, visitar o Piauí na época das chuvas pode dar uma falsa impressão. Reparando bem, em cada paisagem bucólica e verdejante, está lá, firme, a presença da morte.
E por falar na Indesejada, lá pelas tantas paramos em frente ao cemitério de Picos. Uma espiada e um espanto: nunca vi tanto gato junto! Em cada túmulo um gato te fita, com olhos de guardião egípcio. Lugar estranho…
Uma boa surpresa foi o estado das estradas. Melhorou muito de 2006 pra cá. Na partida, caimos na real. Pegamos a BR-020 rumo ao Ceará, com asfalto bom até a divisa. Um palmo pra dentro do território cearense e voilá!, uma das piores estradas do país (tá no ranking das 10 mais esburacadas). Levamos três horas pra rodar 60 km, e realmente a estrada parecia um tapete. Aquele do muquifo onde nos hospedamos, em S. José do Egito.
Foi assim, um minuto depois de atravessar a divisa, que comecei a sentir saudades do Piauí…

























