
Tauá, sudoeste do Ceará. Bela região, com muita água, verde e montanhas. A cidade fica aos pés do Serrote do Quinamuiú, maciço de pedra que lembra as costas de um lagarto pré-histórico. Um baita calangão, como eles dizem…

Além de sítios arqueológicos, com inscrições rupestres pré-colombianas, o lugar é conhecido também pela produção do algodão agro-ecológico. É essa atividade, de características familiares e artesanais, que fomos registrar, durante 5 dias.
O prato típico, como não poderia deixar de ser, é o carneiro assado. O mais famoso da cidade é o do Bar do Corintiano, cujo dono é um palmeirense. O cara voltou de São Paulo chamando todo mundo de “corintiano”, e o apelido acabou colando nele. Estivemos lá quando o Palmeiras ganhou campeonato paulista, e o local estava em festa. Porção dobrada de carneiro assado para todos! Na foto, um cidadão levando o almoço pra casa…
Visitamos várias plantações de algodão onde não é permitido o uso de nenhum tipo de defensivo químico ou agrotóxico. Isso significa que esquadrilhas de piuns, carapanãs, maruins, muriçocas, pernilongos, borrachudos e mutucas voam livremente, deixando marcas profundas em toda a equipe durante as gravações. Tomei uma ferroada de mangangá que me deixou com o braço doendo por 3 dias!

Em Tauá se inicia um dos mais ambiciosos projetos sociais de economia solidária do país: a Justa Trama. Uma cadeia produtiva formada por trabalhadores em empresas cooperativas e de auto-gestão, que prioriza a questão ambiental e a geração de emprego e renda.

O algodão produzido é enviado para o interior de São Paulo (Nova Odessa) onde vira fio.
Depois passa por uma tecelagem em Santo André, e vai para duas cooperativas de costura, a Fio Nobre (Itajaí-SC) e a Univens (Porto Alegre-RS).


Além disso, há peças produzidas com sementes e tinturas artesanais produzidas por uma cooperativa de coletores de Rondônia! Um novo tipo de cadeia econômica, dedicada ao comércio justo, voltada para um público diferenciado, atenta às questões sociais e ambientais envolvidas. E as peças produzidas são lindas!

Despedimo-nos de Tauá, rumo a Fortaleza. Em Canindé conhecemos aquele que, por unanimidade, foi escolhido como o boteco mais sórdido do planeta. Pense na coisa mais nojenta que você conhece, e parecerá limpinha perto daquilo! Não tirei fotos porque saímos correndo deixando cerveja em cima da mesa, coisa inédita nesta viagem!


Aumenta a foto, amigo.
E escreve mais, pô. Só pensa em filmar e tomar cerveja?
Vem cá: esse rodar sem fim pelo mundão afora vai virar alguma coisa prá gente ver?
A(s?)cende mais fórfi que nóis é cego.
abs
Vou me esforçar, prometo. Depois de 70 dias ralando o casco no sertão, voltei a São Paulo com 120 fitas gravadas. Pense no que significa decupar, transcrever entrevistas, montar o quebra-cabeças e finalizar vários vídeos, com prazo de entrega pra final de julho. Dia e noite virando na ilha de edição!
Estes vídeos vão formar um painel sobre economia solidária no Brasil, e estão sendo feitos por mais duas equipes, que também estão rodando o país. Patrocinados pela Fundação Banco do Brasil, Sebrae e MT/Senaes, terão utilizações distintas por cada uma dessas entidades: Formação, capacitação, difusão de projetos, captação de recursos, etc.
No entanto, estão sendo feitos em formato broadcast, com equipamentos profissionais, e editados em formato televisivo (24 minutos cada). Estarão prontos para veiculação no segundo semestre, basta fechar com um canal exibidor. Avisarei!