Fim de ano, época de balanço. Não farei aqui um balanço de vida, que seria abusar da paciência dos amigos, mas apenas do Fósforo.
Admito que as postagens foram meio bissextas. Por conta de meu trabalho de cigano, estive muitas vezes distante de da Internet e até de computadores. Muitas vezes, foi falta de tempo mesmo. Outras, falta de inspiração.
Para um blog que se propõe a falar de música, literatura e uma pitada do resto de tudo, a receita desandou. A pitada ficou maior que os ingredientes principais. Prometo acertar as quantidades, em 2009.
E por falar em pitada, pretendo escrever algumas coisinhas sobre comida, o ato de reunir pessoas em volta de uma mesa (ou na cozinha), para falar de tudo e até comer. Chega de miojo!
Literatura é um problema. Pelos motivos citados (vida cigana, patati, patatá), li menos do que deveria em 2008. Um ditado francês diz que “se o lobo ronda nossa casa, comamos o lobo”. A crítica gastronômica M.F.K.Fischer (que o britânico W.H.Auden considerava a maior escritora americana!), cujo centenário de nascimento foi comemorado neste ano, escreveu um livro se referindo a este, digamos, prato (Como Cozinhar um Lobo, Cia.das Letras). Fala da culinária da Europa fustigada pelas guerras, e da capacidade de improvisar com poucos recursos. Bem, se a crise mundial ronda 2009, tracemo-la. Assada, frita ou confitada. Nada melhor que literatura para fazer da crise um banquete.
Como já escrevo sobre música há mais de três anos na Revista Música Brasileira, sobra pouco para o Fósforo. Mas deveria falar da música do planeta, dos clássicos aos contemporâneos. Tenho vários amigos músicos, alguns até espiam o blog e me cobram mais temas musicais. Anotem: Em 2009, mais jazz, Mozart e, claro, Pixinguinha!
E pra terminar o ano, deixo com você um guitarrista genial, o Jymmy Wyble, que conheci através do Taxi, que por sua vez linkou do Chico Pinheiro.
. O velhinho é fera, realmente assombroso. Elegância, imaginação e bom gosto imbatíveis.
Que venha 2009!


Há dois anos, participei de um congresso em Salvador. Quando vi a reserva do hotel, tremi. Iria ficar hospedado no monstro que desfigurou minha paisagem. Suspirei fundo e encarei. “Deixe de ser criança. As coisas mudam!”



