
Meu sogro Luiz Patrício, do alto de seus 81 anos viajados e bem vividos, foi quem me chamou a atenção. Em casa, folheando um livro de fotos da década de 30, observou:
- Reparou que nas fotos antigas de São Paulo nunca aparece um gordo?
Confesso que nunca tinha atentado para fato. Folheei o livro inteiro, conferi outro do Rio antigo, conferi na Internet. Como o povo era esbelto! E não era só uma questão de não ter o que comer. Mesmo em retratos da alta burguesia, como recepções e bailes no Municipal, são raríssimos os exemplos de obesidade.
A mudança de hábitos alimentares, depois da Segunda Guerra, com a crescente oferta de alimentos industrializados, foi determinante. Antes, pro sujeito fazer uma sopa, tinha de ir ao mercado (ou à horta), comprar os ingredientes e preparar. Já queimava várias calorias nesse processo. Hoje, abre um pacotinho e joga na água fervente…
Comer à noite implicava em trabalho. Hoje, sem sair do sofá, o folgado pede uma pizza e um refrigerante. Na escola, só havia aquele pãozinho com mortadela básico. Umas balinhas eram comuns, claro. Refris, um pouco menos. Hoje, a enorme oferta de isoporzitos saturados de gordura e sódio vicia o infeliz desde pequeno.
Olho para as fotos e fico com certa inveja. Parece que o povo era bem mais saudável, mesmo com menos remédios e antibióticos…












