Uma semana na terra de Gardel, Evita, Piazzolla e Maradona. Verano porteño, com céu absolutamente limpo de nuvens e um calor de 30 graus à sombra. Os bares com mesinhas na calçada, cheios até altas horas da madrugada. Bermudas, shorts e blusinhas sem manga para todo lado. Centenas de turistas – principalmente brasileiros – cambiando dólares, enchendo os restaurantes, procurando shows de tango, colorindo os parques.
Aliás, como tem parque em Buenos Aires! Pobre São Paulo, sufocada pelo concreto e pelos automóveis, prima rica, e muito mais pobre… E como tem museus! Comecei pelos históricos, pretendo chegar aos modernos. O de Arte Hispano-Americana, no Palácio Noel, é lindo, com peças maravilhosas de prata e madeira, além de pinturas e esculturas barrocas. Aliás, o rio da Prata tem esse nome por ter sido o grande escoadouro da prata peruana para a Europa, a primeira grande “veia aberta da América Latina”. Buenos Aires surgiu ali, no meio do caminho.
A terra de Borges, Berni, Yupanqui e Che Guevara surpreende os turistas. Alguns, pelo menos. Uma perua, no elevador do hotel, pergunta:
- Brasileiros?
- Sim.
- Todos fazendo compras por aqui, né? Tem ofertas incríveis! (O sotaque revelou a origem paulista).
- Bem… Não compramos nada até agora, mas visitamos dois belos museus.
- (cara de incrédula) Museus?… Vale a pena?
Não, senhora. Pra gente como você, nunca valerá a pena, infelizmente. Assim como acharia um desperdício se soubesse que, no dia seguinte, iríamos alugar duas bicicletas e passear na Costanera, durante toda a tarde. Coisas simples, e quase mágicas, que a terra de Cortázar, Sábato, Quinquela Martín e Charly Garcia nos oferece com um encanto todo especial.


Ah que delícia! E eu acabo de voltar da Bahia, outra terra fértil de arte e cultura… divirtam-se!
Belíssimo post!
Obrigado, Lucas!