Buenos Aires está aqui, na banda ocidental. Do outro lado, ficam os orientais, ou melhor, a República Oriental do Uruguai. Alguns barcos e balsas fazem a travessia, que cumpre todos os rituais de fronteira: passaporte, aduana, imigração.
O Atlantic III, da Buquebus, gigantesca lancha que leva carros e mais de 400 pessoas divididas em duas classes, mal sai do porto e abre as portas de sua… duty free! Uma manada de pessoas se atira sobre as quinquilharias de praxe, como se a vida dependesse daquilo. Teve gente que só saiu de dentro 50 minutos depois, quando a loja novamente fecha as portas, antes de atracar em solo uruguaio. Consumismo, a doença infantil do capitalismo…
São 50 km, percorridos a 35 nós. Do outro lado, Colônia Del Sacramento, uma graciosa cidade colonial, fundada por portugueses lá no início do século XVII. O último enclave português abaixo do Rio Grande, que mudou de mãos várias vezes: espanhóis retomaram, e vice, e versa mais duas vezes, em disputas que incluíam até ingleses na jogada. Cidade estratégica para o contrabando da prata que vinha de Potosí pelo rio. Ou para o policiamento do contrabando. De qualquer modo, era invasão portuguesa, pois ficava além do Tratado de Tordesilhas.
Hoje é Patrimônio Cultural da Humanidade. Calçamento em pedra pé-de-moleque, construções seculares, curiosos calhambeques pela rua, como se também os automóveis fossem tombados. Um posto de atendimento ao turista impecável, com mapas, dicas e instruções precisas, além de um vídeo-instalação bacana e uma linha do tempo com painéis de led interativos. Novíssimo, inaugurado em outubro de 2011.
A cidade é dominada por um farol, cujo acesso é permitido ao turista. Lá de cima, o Rio da Prata é cor de jumento-quando-cruza. Águas barrentas, como o Amazonas, o São Francisco, como qualquer grande rio. Mas quanta história carrega em suas águas!








Cara, mandou bem! Sacramento bem cuidada transpira respeito aos bens históricos.
É isso, Gerva. Você sintetizou tudo!
Lindos relatos Brasilis!!! Está aguçando nossa ida em março, por coincidência. De Buenos aires para o Fim do Mundo! abs
Já tô com inveja, Paulow! Ainda vou ao Fim do Mundo, um dia!
que maravilha, Daniel! Vou te escrever por email pedindo dicas, nunca saí do Brasil e penso em começar. Me animei. Abs!
Ah, darei boas dicas, Neuza!
Ô inveja, Daniel! Você foi antes de mim a Colonia del Sacramento, travessia programada ene vezes por mim e jamais concretizada. Você, com este post, reforçou a vontade de lá ir. Grata também pelos outros deliciosos posts de BA, cidade que tanto amo (em especial pelas livrarias, cafés e museus, claro).
abraço da leitora
dalila
E que museus e livrarias, Dalila! Estou maravilhado até agora…