Em uma semana na Argentina vi duas manifestações bem distintas. Uma, de veteranos da Guerra das Malvinas, que estão acampados em frente à Casa Rosada, sede nacional do governo.
Outra, de um grupo de camelôs, a maioria peruanos, que protestavam contra a proibição de venderem suas quinquilharias no calçadão da rua Florida, no centro. Por dois dias eles ocuparam a avenida Corrientes, uma das principais de Buenos Aires, com bumbos e megafones. Esticaram os panos no asfalto, interrompendo o trânsito. O que faria o bondoso cristão Alckmin, numa situação dessas?
Porrada, certamente, como tem feito na Cracolândia e em Pinheirinho. Dando lição de civilidade, as autoridades portenhas desviaram o trânsito e não chamaram a polícia, mas mandaram um negociador conversar com as lideranças do grupo. Ao final do segundo dia os camelôs desimpediram a avenida, sem violência, balas de borracha ou gás pimenta. E na Casa Rosada, cartão postal da cidade, os acampados continuam, sendo castigados unicamente pelo sol e pelos pombos. É um braço de ferro com o governo de Cristina Kirchner, mas onde não cabe nenhum tipo de agressão por qualquer das partes.
O Brasil tem muito a aprender com a Argentina, um país onde a Comissão da Verdade funcionou, militares apoiadores da ditadura estão na cadeia, torturadores foram condenados. Não há a sensação de impunidade que campeia por aqui.



Argentinos têm uma tradição de luta muito maior que a nossa. Deveríamos nos espelhar neles e parar de nos achar os melhores da Am. Latina (bobagem, bobagem…)
Maiores, talvez. Mas pra sermos melhores falta muito!