Arquivo para a categoria 'Resto de Tudo'

As garotas do spam

Digna Evita, Coralie Bruna, Conception Norman, Evita Rosalva, Chelsea Julieta, Florentina Janita, Latrina Christal, Joette Youlanda, Kendal Charlene, Asdasda Drozdrowski, Alysia Hannelore, Argo Inlow, Ciera Lashawnda, Zandra Sulema, Arvilla Leonida, Tal Khoo, Phuong Midllemiss, Kauri Rajavy, Cuong Jeong, Marieke Schifke, Thanh Beulah, Latoyia Marnie, Charitie Jamie, Lorene Wironen, Karla Karla, Eufemia Brett, Adelina Clora, Latricia Aracely, Lolita Shelia, Drema Felisha, Shawnda Jovita, Carmel Moon, Kera Kiera, Eulah Shemeka, Ceola Terrie, Gerda LaRonge, Anglea Verda, Carmella Usha, Apolonia Vivien, Julieta Sonya, Bathke Carlita, Dung Constance, Stephanie Mathilda, Jerrica Jin, Atteberry Armandina, Sumerix Emmy, Angila Jeanice, Jamika Usha, April Ethel, Inez Charleen, Rosina Georgetta, Suzie Leonia, Sasha Orloff, Marylynn Librada, Chara Missy, Jana Lorna, Dollie Zulema, Kourtney Trang, Lynnette Luiza, Leslee Geralyn, Sarita Santi, Pennie Tarra, Harriette Pok, Hanh Claribel, Mikki Eugene, Elyse Nydia, Jacquiline Rasulo, Tamala Amie, Pryde Manzo, Catina Dotty, Myrtle Estrella, Shelley Maybelle, Vena Polaco, Yasmine Myrtis, Felica Katina, Gayle Curboy, Marjorie Abigail, Gwenda Nina, Hannelore Hasheeda, Philomena Lucila, Karly Inocencia, Wendi Catrina, Debrah Laila, Consuelo Michal, Ebony Lashaunda, Felecia Olevia, Justine Latanya, Vanita Hyun, Sheena Arnita, Sade Hwa, Alaina Devorah, Serafina Tillie, Sharmaine Mirtha, Hana Freda, Queenie Jenette, Angila Janelle, Terrell Shondra, Stefania Felicidad, Coreen Rachal, Moon Vena, Cathi Shu, Shanta Delena, Carlena Arla, Lavon Lucilla, Charity Paige, Jamee Velva, Tish Trena, Elvia Yukiko, Sade Angelia, Cammie Maricruz, Elvia Emmy, Bronwyn America, Magda Ardella, Lolita Yulanda, Nedra Dara, Margaret Juliette, Matilda Sun, Coral Laurinda, Davina Dominga, Rufina Jeremy, Cornelia Lourdes, Krystyna Georgiana, Lily Jimenez, Dorethea Trinity, Shakita Ellis, Sarita Stephani, Lucila Agripina, Thuy Esperanza, Kimberely Robbie, Davida Argélia, Bethel Cândida, Su Margarette, Sung Michaela, Nereida Pam, Faustina Brigid, Lakenia Jesica, Dorie Latosha, Nam Delfina, Twana Shawnta, Blythe Devorah, Porsche Lesha, Venus Teri, January Goldie, Josefa Paris, Era Cleora, Stephenie Michaela, Princess Milla, Sacha Cherrie, Venetta Cassie, Lois Omega, Sammie Inga, Fern Sabina, Bertha Era, e, claro, Latrina Shakita.

Não sei quem são estas moças, que me enviam semanalmente spams prometendo ofertas incríveis de Viagra, Cialis e Levitra, Penis Enlargerment Pills, réplicas suíças de Rolex, Bretling e bobagens similares.

Até desconfio de que não são moças de poéticos e engraçados nomes, mas um mero programinha embaralhador de nomes e prenomes supostamente femininos.

Mesmo assim, Tish Trena (“Enlarge your penis!”), não quero mais saber de você. Saiba, querida Latrina, que você deve ter mau hálito. Digna Evita, volte para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Felecia, querida, hoje não!

(Vocês, mulheres, não sabem o que um homem conectado sofre!)

Conferência de comunicação

Participei, no último sábado, da Conferência Municipal de Comunicação. Mais de 300 pessoas, representando diversas entidades, na Câmara Municipal de SP, prepararam a pauta para as conferências estaduais e nacional.

Qual a importância disto? Toda. Nunca se fez no país uma discussão organizada, com participação aberta a todos os segmentos, do sistema de comunicação brasileiro. As concessões (e uso político) de rádio e TV, as outorgas, os monopólios, os mecanismos regulatórios, as novas mídias.

Por que a grande imprensa não tem noticiado algo tão importante? Medo, lógico. Querem abafar, diminuir o impacto, tornar inócuo. As bases sobre as quais foram construídos impérios midiáticos correm risco. Os métodos obscuros de criação e ampliação de jornais e redes de TV serão discutidos à luz do dia. Não é à toa que empresários do setor tentam esvaziar ou instrumentalizar os grupos de discussão.

Na abertura da Conferência, na sexta à noite, uma pessoa se destacou: Luiza Erundina. Narrou sua batalha quase solitária na Comissão de Comunicações da Câmara Federal. Falou do enfrentamento com os monopólios e com Hélio Costa, ex-funcionário da rede Globo (alguns dizem que ainda está na folha de pagamento…), colocado vergonhosamente à frente do Ministério das Comunicações pelo atual governo.

Aos 74 anos, a guerreira parece incansável. Enérgica, corajosa, destemida. Foi aplaudida várias vezes, de forma emocionante. Ainda mais depois da condenação ridícula que sofreu, esta semana, tendo seu único bem, o apartamento onde vive há anos, penhorado. Na terra de Maluf e Pitta, Luiza Erundina é condenada por ter apoiado uma greve geral contra o descalabro do governo Collor. Como o Judiciário quer ser levado a sério, agindo desta forma? Pune-se a honestidade e premia-se o ladrão, se for influente e poderoso.

Uma frase de Luiza Erundina causou impacto:

“Vinda do sertão, onde nasci e enfrentei minhas primeiras lutas, talvez vocês se surpreendam com o que vou dizer agora. Para mim, a reforma do sistema de comunicação é hoje mais importante que a reforma agrária.”

É pra pensar…

A Guerreira

Afinal, pra que perguntar pro Caetano?

Li a entrevista que Caetano deu ao Estadão, na última semana. Como de hábito, discute o capitalismo, o governo Lula, a indústria cultural, o desmatamento na Amazônia, o fim da história e a morte da bezerra.

Me divirto com o Caetano. Admiro sua inteligência musical, até mesmo a verve literária. Sei que a inspiração anda lhe faltando nos últimos tempos, como acontece com todos de sua geração. Também Chico, Milton ou Gil não têm criado grandes canções na última década. É normal o esgotamento, depois de brilharem por tanto tempo.

Mas, dentre os citados, Caetano é sempre o mais provocador, o que causa urticária na direita e na esquerda. Irrita os petistas por não ser petista. É visto com desconfiança pelos direitistas por nunca ter sido um deles. É acusado de ter feito pactos com ACM, mas a acusação parte de quem faz pactos com  Sarney.

O que me espanta é que ninguém perceba o papel da imprensa nesse mito construído, nesse Caetano supra-real, cujos contornos se confundem com o do poeta-compositor. O que se passa na cabeça dos editores e jornalistas quando vão entrevistar o cara? Mitificação ou malandragem? Sim, porque sabem que o velho leão não deixa pergunta sem resposta, por educação ou temperamento.

Querem levantar uma polêmica? Perguntem pro Caetano o que ele acha do xxxxxx (preencha como quiser: O papa, Lula, Getúlio Vargas, camisinha, Madonna, Cristina Kirchner, o ex-muro de Berlim, Obama, Levi Strauss…)

Não ocorre a ninguém fazer uma pergunta política ou comportamental a Jorge Benjor, Luiz Melodia, Francis Hime ou Guinga. Estes compositores – tão bons quanto Caetano – só devem falar de música, estão condenados a falar apenas disso. Talvez emitissem opiniões mais polêmicas que o baiano, mas quem se importa? A imprensa se acomoda e cutuca sempre o mesmo leão, porque o rugido é garantido.

O mais curioso é que vejo muito neguinho pontificar em boteco sobre qualquer assunto, mas não admitir que Caetano faça o mesmo. Eu, você e o taxista podemos falar de qualquer assunto, mas Caetano? Ah, não, isso é um absurdo! Ouvi literalmente de um amigo (argentino, por sinal): “Ele não pode falar sobre tudo!”

Ué, porque não? Eu posso, mesmo sabendo que falarei besteira sobre quase tudo. Você pode, ele pode, nós podemos. É proibido proibir, lembram? Não, não foi Caetano que disse isso. É uma célebre pixação dos muros de Paris, nas barricadas de 68.

Se as falas de Caetano são provocativas, ótimo. Se estão lá apenas pra vender jornal, péssimo. Sinal de que a capacidade dos jornalistas de distinguir quem realmente pode dar respostas relevantes anda abaixo da crítica. Estes energúmenos diplomados em generalidades parecem incapazes de fazer uma pergunta pertinente ao universo da criação lírica-musical do filho de dona Canô. Por exemplo:

- Você não acha uma regressão estética fazer roquinho de garagem como um adolescente retardado tardio, depois de ter criado tantas obras-primas de madura sensibilidade?

Aí veríamos o verdadeiro Caetano, falando com propriedade sobre o assunto que mais domina. Mas cadê jornalista pra isso, na imprensa brasileira?

El Quijote se despede

Foi emocionante. Não há palavra mais precisa para definir, por mais gasta que esteja (para alguns). O ensaio geral de quinta (01/10), a apresentação na sexta no Sesc Pompéia e a apresentação final no Ventre de Lona, espaço do Pombas Urbanas em Cidade Tiradentes, foram de cortar os cabelos e arrepiar os corações.

Don Quijote, versão chilena

Don Quijote, versão chilena

Os dias de convivência com essa trupe inusitada, com mais de 80 atores, foram de encantamento e loucura (no sentido quixotesco da palavra). Não se tem notícia de uma montagem como esta, que envolva tanta gente de tantos países (veja o post anterior sobre El Quijote).

A diablada boliviana

A diablada boliviana

A última quixotada nossa foi decidida de supetão: “Vamos transmitir pela Internet!”. É possível? Não é? De Cidade Tiradentes para o mundo, ontem (03/10). Duas câmeras, uma mesinha de corte, três microfones pendurados nas gambiarras. E começaram a chegar mensagens: “Estamos assistindo, tá lindo!” De Portugal, da Argentina, de El Salvador…

O leão mexicano enfrenta o nobre cavaleiro

O leão mexicano enfrenta o nobre cavaleiro

Nós, Sanchos do vídeo, no papel de contar as aventuras e desventuras de tantos Quijotes, comemoramos junto com músicos, técnicos, atores e diretores. Beijos, abraços e lágrimas multiétnicas, multiculturais e bilíngues. Saímos com a impressão de que aquilo que nos une é muito maior que o que nos separa.

E a festa continua hoje, domingo, 04/10. Despedida de todos, com promessa de breve reencontro, em algum lugar da América Latina.

Parte do elenco, com o diretor César Badillo em primeiro plano.

Parte do elenco, com o diretor César Badillo em primeiro plano.

(As fotos de palco são do Gil Grossi, e a última do Diego Amoroso, companheiros nesta quixotada.)

Hay que Hondurecer…

É curioso (e lamentável) ver como os três maiores jornais brasileiros  tratam a crise em Honduras. O Globo só se refere a Micheletti e seus capangas como “governo interino”. O Estadão adotou a fórmula “governo de facto”, tornando risível a reforma ortográfica. A seção de cartas, editorializada e filtrada como sempre, só publica a opinião de gente alinhada com a posição troglodita.

Nenhum dos dois jornalões usa a palavra golpe, e aproveitam a confusão para descer a lenha no governo Lula.

Resta a Folha de SP, que desta vez adotou uma linha coerente com a opinião democrática mundial. Chama de “golpistas” em manchete e coloca algumas opiniões jurídicas independentes embasando o adjetivo. Uma no cravo, outra na ferradura. Ou será na ferrabranda?

El Quijote em São Paulo

Quijote

Imagine uma montagem teatral bilíngüe, realizada por pessoas que nunca atuaram juntas. Imagine um único texto dividido em várias partes e ensaiado por doze grupos teatrais, de dez países. Agora não gaste mais a sua imaginação com essa idéia maluca, porque ela é realidade.

Don Quijote 004

Saiba que estes grupos estão reunidos, ensaiando num galpão da periferia (Cidade Tiradentes) de São Paulo , e vão se apresentar no início de outubro, dentro do II Congresso de Cultura Iberoamericana, no Sesc Pompéia e no próprio galpão.

A peça é El Quijote, na versão do colombiano Santiago Garcia. Uma livre adaptação da saga do Cavaleiro da Triste Figura. Os grupos fazem parte da Red Latinoamericana de Teatro en Comunidad, e vieram de Cuba, Argentina, Bolívia, Chile, Guatemala, El Salvador, México, Peru, Colômbia e, claro, o Brasil.

Presenciei dois dias de ensaio, gravando e entrevistando Quijotes e Sanchos de várias nacionalidades. Continuarei atrapalhando os ensaios, até a apresentação. Cada grupo faz uma cena, de aproximadamente 10 minutos. Aí entram novos atores no palco e o bastão (ou a lança quixotesca) é passada para o grupo seguinte que dá continuidade à ação. Há até Quijotas e Sanchas!

Don Quijote 007

Cada país faz uma leitura particular de sua cena. Assim, a Guatemala põe Don Quixote enfrentando um imperador maia. O grupo carioca Entrei Por Uma Porta faz o nobre cair no samba. Na maioria das cenas, prevalece a imagem do cavaleiro meio sonhador, meio doido, apaixonado por uma improvável Dulcinéia. O escudeiro Sancho é a razão descalça, o humilde escudeiro, mas também se mete em encrencas por conta própria.

Don Quijote 022

Uma cena me tocou profundamente. A atriz cubana que faz o Quijote, depois de uma discussão com Sancho, pega um xale caído no chão e lembra de Dulcinéia. Dança com o xale pelo palco, até uma zona de penumbra. Ali tira rapidamente a armadura, o bigode e o cavanhaque falsos, enrola o xale na cintura e vira… Dulcinéia! Volta dançando com a armadura do cavaleiro, rodopia pelo palco, e retorna à sombra, onde novamente se traveste, e retorna dançando com o xale.

Sem uma palavra, só com música (ao vivo, também com músicos de diferentes nacionalidades), o pequeno milagre que é encantar o público com a fantasia se materializa. Nos ensaios, assistidos apenas pelos integrantes dos outros grupos (mais de 80 pessoas), todos se emocionam.

Don Quijote 017

Seria quixotesco tentar registrar em vídeo a beleza do espetáculo. Como sou mais Sancho Pança que Quijote, conversarei com os atores, os diretores e os anfitriões do grupo Pombas Urbanas, onde tudo está sendo ensaiado, pra poder contar a história de como isso foi realizado.

Don Quijote 018

E quem quiser saber mais, entre aqui. Mas, cuidado: Você vai ter uma vontade irresistível de assistir ou participar deste sonho!

Escola (não muito) Livre de Teatro

alerta

Dentre as várias cidades em que trabalhei, tenho um carinho especial por Santo André. Ali tenho vários amigos, e vivi a experiência maravilhosa de participar de um governo democrático (gestão Celso Daniel, 1989/1993), criativo, com coragem de experimentar. Fui coordenar o Núcleo de Vídeo a convite de Celso Frateschi, então secretário da Cultura.

Acompanhei de perto as atividades da Escola Livre de Teatro, um projeto que aprendi a admirar. Gravei espetáculos, eventos, mostras, festivais. Gravei até Kazuo Ono, em 1992! E fiquei chocado com a notícia que li semana passada, do ataque à ELT realizado pelo atual governo.

Passo a palavra aos envolvidos. Este espaço estará sempre aberto a eles, por tudo de bom que me proporcionaram.

“A ELT é uma escola, pública, cujo projeto artístico-pedagógico que se firmou como referência para a formação de atores no Brasil e que se aproxima agora dos seus 20 anos de enraizamento na cidade, teve seu coordenador, o ator Edgar Castro, sumariamente demitido.

Internacionalmente conhecida por seu projeto inovador desde sua fundação, em 1990, a ELT foi idealizada pela artista-pedagoga Maria Thaís Lima Santos, (hoje professora doutora da USP e diretora do TUSP), e coerentemente transformada pela experiência e pelos diversos mestres que passaram por ela tais como: Luis Alberto de Abreu, Antonio Araújo, Tiche Vianna, Francisco Medeiros, Cacá Carvalho, Renata Zhaneta, Cibele Forjaz, Cláudia Schapira, Denise Weinberg, Sergio de Carvalho.

Da palavra “Livre” – presente no nome da Escola – emerge um campo pedagógico próprio, que pressupõe o conceito de deliberação coletiva, derivado do contínuo diálogo entre mestres, aprendizes e funcionários (constituintes legítimos da comunidade ELT), num processo de não-hierarquização, radicalmente contrário a imposições.

Desde o final do ano passado, após a eleição do atual prefeito Dr. Aidan Ravin, a comunidade da Escola Livre de Teatro tem se reunido para conhecer o projeto cultural para a cidade de Santo André. Em 28 de novembro, organizou um ato público, o Encontro Cultural da Cidade, quando se esperava como convidado principal Dr. Aidan Ravin. O então futuro prefeito não compareceu, mas fez-se presente através de seus assessores e do vereador recém eleito Gilberto do Primavera, que firmou publicamente seu compromisso com a cultura da cidade e com a manutenção do projeto original da ELT.

No entanto, como primeira medida, designaram para escola uma nova coordenadora não pertencente ao quadro de mestres e desconhecedora do projeto em curso. Em assembléia geral da escola, em 3 de fevereiro de 2009, com a presença de toda comunidade ELT e da coordenadora, o atual Secretário de Cultura, sr. Edson Salvo Melo, não só reiterou a continuidade do projeto artístico-pedagógico como também acenou a reforma física do prédio da ELT, readequando o espaço para as atuais necessidades da escola.

Passados oito meses da nova gestão, de contínuas tentativas de diálogo entre a comunidade, o coordenador Edgar Castro (mestre da escola há 11 anos), foi sumariamente demitido – pelo diretor de cultura Sr. Pedro Botaro – no dia oito de setembro. Todos os aprendizes da ELT estão alarmados. A comunidade teatral tem demonstrado forte apoio à volta do Edgar.”

Diz um velho axioma dos políticos que “cultura não dá voto”. Mas alerta outro ditado, que circula em palcos, botecos, ateliês, escolas e estúdios: Pode não dar voto, mas tira…

Que a ELT volte a se orgulhar do L de seu nome!

O design do Saci

As pessoas mais antenadas sabem que os sacis costumam aparecer em computadores. A informática se revelou um novo e surpreendente território para as traquinagens do pequeno unípede. O que some de arquivo, pasta, coisa que aparece fora de lugar ou que muda de nome, tem toda a pinta de ser arte de saci.

Observador, e eventual criador, de sacis, até já escrevi sobre eles, aqui no Fósforo. E, por honroso convite da Ethel Leon,  fui convidado a dar uns palpites sobre o insigne perneta na excelente revista de design Agitprop.

Mas, afinal, que diabos tem a ver o saci com o design? Vá lá e descubra.  E aproveite para ler ótimos artigos e ensaios sobre arquitetura e design, perto dos quais meu texto parece meio manquitola…

Jávium(saci)

Intervalo para uma cachacinha

Passei o último fim de semana trabalhando em Atibaia,  interior de São Paulo, e uma conversa de fim de noite me fez abrir uma pausa na saga francesa e retornar para o Brasil, aqui no Fósforo. Mais precisamente para Minas Gerais, ali perto do Triângulo, onde a seriema canta no fim da tarde, e o tamanduá-bandeira se espreguiça e vai atrás de um cupinzeiro.

Seriema cópia

Foi em julho, inda agorinha. Depois de passar um dia e uma noite em Passos, onde conheci o famoso Pintado D’Ouro, restaurante especializado em peixes de rio (petisquei uma traíra sem espinho sensacional!), anunciei na mesa que iria para Divinópolis no dia seguinte.

Depois de falar meia hora sobre a terra de Adélia Prado, meus anfitriões contaram a história do Café dos Motoristas. Um boteco que fica no meio da estrada, perto da represa de Furnas, que faz sucesso há mais de 50 anos servindo café e pão com lingüiça para os viajantes. Disseram que era imperdível, e coisa e tal.

Não resisto a um folclore. Dia seguinte, cedinho estava na estrada. Mal toquei no café da manhã do hotel, pensando no recomendado. Cheguei lá por volta das 9 horas, varado de fome. E vi que o tal quiosque tinha se transformado num lugar enorme, lotado e cheio de penduricalhos.

Café Motoristas

Tudo leva a grife Café dos Motoristas. Geléias, compotas, goiabadas e doces-de-leite. Até mesmo uma surpreendente cachaça, que fiz questão de trazer pro Paulo W, colecionador de garrafas e de causos.

Café dos Motoristas

Tive um amigo que tomava pinga com sucrilhos no café da manhã. Morreu de cirrose, claro. Iria adorar uma cachaça chamada Café dos Motoristas…

Caninha Trepadeira

Faz tempo que não conto um causo aqui no Fósforo. E porque hoje é sábado, vou relembrar um da semana passada.

Estava em Atibaia, onde passei quatro dias num velho hotel-fazenda meio decadente, acompanhando um congresso de trabalhadores da saúde. No segundo dia, fui até o centro da cidade para sacar dinheiro. Depois de rodar umas cinco vezes o quarteirão do banco, não achei lugar pra estacionar. Ruas apertadas e cheias, típicas das cidades que não foram feitas para suportar a atual frota circulante. Como na maioria das cidades, aliás…

Tentei novamente no domingo, certo de que o centro estaria vazio. Só não contava com encontrar uma feira no meio da cidade. Parei o carro bem longe, atravessei a feira, saquei meus trocados. Na volta, não resisti e entrei no mercado municipal.

Adoro mercados. É onde tomo contato com a cultura local. Não observo apenas as comidas típicas, artesanatos e badulaques, mas também os costumes, os modos de conversar, de barganhar, de dar risadas. Seja Atibaia, São José do Egito, Manaus ou Montevidéu, visitar o mercado é de lei.

O de Atibaia é pequeno, mas simpático. Safra de morangos no início, pintando as bancas de frutas de vermelho. Muitos japoneses, presença forte na região. Lembrei de comprar uma cachaça local para o Paulo W, colecionador que costuma recepcionar as garrafas recebidas com generosos churrascos.

A única que encontrei não era de Atibaia, mas da vizinha Nazaré Paulista. O japonês-caipira que me vendeu disse que era forte, e que o fabricante era prefeito de Nazaré. Bem, um sujeito que fabrica uma caninha chamada Trepadeira deve ter muito voto, certamente.

Acabo de conferir na página da cidade, e o nome do atual alcaide não é o que está no rótulo. O japonês me enganou ou enganaram o japonês. Mas descobri que o prefeito estava perdendo a reeleição em 2008 e, com a contagem chegando ao fim, a oposição já comemorava no centro da cidade. Na última urna a votação virou, e ele ganhou por 2 votos. Dois! O pau comeu, claro, e a polícia teve de intervir.

Taí: uma cidade onde se faz uma caninha Trepadeira e eleição termina desse jeito merece ser visitada. Preciso conhecer Nazaré Paulista!

Caninha Trepadeira

Atualização, 12 horas depois: O japonês estava certo! O prefeito Nenê Pinheiro é mesmo o dono do alambique. É que ele assina a cachaça com o nome de batismo, por ser coisa séria. O apelido é para a política…

Próxima Página »


Tags