Arquivo para dezembro \12\-02:00 2007



Copa de Literatura

A Copa de Literatura, terminada há poucos dias, deu uma sacudida nos meios internáuticos e gerou polêmica. A idéia de colocar obras editadas em 2006/2007 em confronto direto, como se fosse uma eliminatória esportiva, não deixa de ser interessante.

O inusitado foi a vitória de um escritor da “velha guarda”, o gaúcho Assis Brasil, com o romance Música Perdida. Na final, enfrentou o surpreendente Um Defeito de Cor, o calhamaço (940 páginas) de estréia  da mineira Ana Maria Gonçalves.

Por que me surpreendi? Porque a totalidade dos jurados eram escritores-blogueiros ou pelo menos íntimos da mídia, e a maior parte dos romances julgados eram da mesma  safra moderninha, com poucos títulos no currículo. Gente como Daniel Galera, Cintia Moscovith, André Sant’anna, Sérgio Rodrigues e alguns que nunca li.

Uma vitória da tradição sobre a modernidade? Certamente, embora uma batalha não represente a totalidade da guerra. O interessante foi o diálogo aberto entre os críticos-juízes, os escritores e o público, que discutiu posturas estéticas e até éticas, do tipo “é possível avaliar um livro confessando não ter lido inteiro?”

Enfim, gostei da iniciativa do Lucas Murtinho e recomendo uma visita ao site Copa de Literatura. Um quadro bem atual de como andam as escrituras e leituras em nosso país. 

Police in Rio

Curioso ler os jornais, no dia seguinte ao show do Police no Maracanã. Segundo o Estadão (Jotabê Medeiros), “um show perfeito, inesquecível”. Segundo a Folha (Ivan Finotti), “show frio, sem emoção”.

Tá, sei que “pãos ou pães, é questão de opiniães”, mas informações objetivas como “o maior show do ano no Brasil. (…) O som possante enchia cada recanto do Estádio do Maracanã lotado  ” (OESP) batem de frente com “show sem vibração” (…) A guitarra permanecia baixa” , “Andy Summers só se soltava nos solos” (FSP).

 Será que estes caras assistiram o mesmo show? Ou um deles está meio surdo?

Pra completar, o Finotti arremata: “Levar um filho de 17 anos para o Maracanã e dizer que esses caras eram os melhores há 30 anos, seria humilhante.” Hummm, mesmo se tivessem tocado mal, o que haveria de humilhante nisso? É humilhante dizer para um moleque de 7 anos que Ronaldo Fenômeno era o melhor há 7 anos?

Não é preciso pensar muito pra adivinhar a idade de cada jornalista. Finotti não vivenciou os anos 80, e aparenta ter uma certa dor de cotovelo por isso. “Nenhuma época pode ser melhor que a minha!” poderia ter dito. Ou “Nenhuma música pode ser melhor do que a que ouço no meu tempo”. Coisa de adolescente mal resolvido.


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