Cap. 1 – Chegada a Catende

O surgimento deste trabalho foi inusitado. Havia me desligado há três semanas do programa de TV, no inicio de março, e mergulhado na reforma da casa. Tudo deveria estar pronto para finalmente juntar os CEPs com a namorada, a quem vinha enrolando por 9 anos.

 

            Uma semana antes da mudança, toca o telefone. Quando desliguei, sabia que iria provocar uma crise conjugal. Voaria dali a 5 dias pra Recife, iniciando um périplo por mais de 4 mil quilômetros de sertão, com término em Fortaleza. Carmen fez a mudança sozinha, e nossa programada primeira noite sob o novo teto foi adiada por um mês…

            Pouso em Recife às 16 h do dia 30/03, aquela solidão no estômago provocada pela nutritiva ingestão de uma amostra de maxi-goiabinha e um Q-suco durante a viagem. Tente achar um restaurante aberto, às 5 da tarde, em Recife, e você perceberá que a herança cultural holandesa não permite tais liberalidades. Alugamos uma Dobló por trinta dias e pusemos o pé na estrada, rumo a Catende, depois de uma porção de batata frita no Centro Velho. A promessa de um jantar nos esperando no alojamento da Usina Catende, por telefone, nos animou a deitar o cabelo.*

            Claro que nos perdemos, e chegamos lá às 21 h. Antes, por infelicidade, atropelamos um tatu. Todos compungidos, certos de que o Ibama havia anotado a placa e nos intimaria a dar explicações no dia seguinte. Ao chegar na Usina, somente nós no tal alojamento. Quatro pratos no centro da mesa, cobertos com guardanapos, revelavam o golpe quase mortal: batata doce cozida, inhame cozido, banana da terra cozida e 4 ovos fritos. Há várias horas, claro. E moscas.

            Foi quando sugeri que voltássemos para a estrada e trouxéssemos o tatu para a janta. Se não fosse a falta de um bom cozinheiro, tenho certeza de que todos topariam a proposta.

           Fomos dormir com fome. Da próxima vez, levo um livro de receitas típicas no kit de sobrevivência!

*NA: expressão popular nos anos 70. Sempre quis usar num texto, mas quando eu tinha cabelo ainda não havia blogs…

           

 

 

Anúncios

6 Responses to “Cap. 1 – Chegada a Catende”


  1. 1 Mario Abramo 06/05/2008 às 1:12 pm

    Grande Daniel,
    Já tive a sorte e o prazer de receber vc de volta pessoalmente, agora faço o mesmo via rede.
    Até a próxima cerveja.
    []s, beijo na Carminha.

  2. 2 Daniel Brazil 06/05/2008 às 9:54 pm

    Grande Mario! Bom te ver por aqui, apareça sempre.

    As pessoas estão estranhando o fato de não dar sequência neste blog. O problema é que continuo viajando, diariamente. Ontem passei o dia em Nova Odessa, hoje em Salto, no interior de S. Paulo. Acordar às 5:30 e pegar estrada é cruel, nesse frio. Quando volto, estou exausto. Pra piorar, esqueci o pen-drive com as fotos do Nordeste em S. Bernardo, só vou pegar amanhã. Tenham paciência, a saga terá continuação.

  3. 3 Paulo Carvalho 08/05/2008 às 1:51 am

    Querido amigo, que coisa boa ler seu diário de viagem… espero que vc se anime a colocar cd passo, pois o começo em Catende já foi glorioso… vou danado pra catende, não era assim?
    grande abraço
    Paulo Carvalho, de Brasília.

  4. 4 Daniel Brazil 08/05/2008 às 11:57 pm

    Grande Paulo!

    É um prazer contar uma história pra bons ouvintes (leitores). Apareça sempre!

  5. 5 moacyr 18/06/2010 às 9:46 pm

    catende foi a primeira cidade pernanbucana que conheci .jamais vai sair do pensamento ó quanta cachaça tomei.

  6. 6 Daniel Brazil 19/06/2010 às 2:58 pm

    Tomou, mas não esqueceu. Cachaça boa é assim!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: