Cap. 3 – S. José do Egito

Depois de um pit-stop em Recife, trocamos de produtora. Sai Bombom e entra Edu, ou seja, a equipe agora é só de homens, para o bem e para o mal. Rumo ao vale do Pajeú, região do semi-árido pernambucano. Aquele mesmo, celebrizado por Luiz Gonzaga e Zé Dantas, que desagua no S. Francisco!

 

 A ocasião não era das mais propícias. Muita chuva, acessos interditados, lama, pontes caídas, comunidades isoladas. Por outro lado, paisagem verde, florida, gado gordo, povo feliz. Um Nordeste diferente do clichê conhecido pela maioria dos brasileiros. E portugueses, chineses, etc.

Chegamos numa sexta-feira em S. José do Egito, terra de cantadores e poetas, como o famoso Louro do Pajeú. Infelizmente, o melhor hotel da cidade estava lotado por duas bandas de forró que tocariam naquele fim de semana. O segundo melhor era um muquifo. O chuveiro era um cano saindo da parede. Frio, claro. Aliás, só veríamos água quente em hotel 25 dias depois, em Fortaleza.

Levantei às 5 da manhã de uma noite mal dormida, e perambulei pela cidade. Conheci o famoso Beco de Laura, com poemas inscritos na parede. Pouco depois, deparei com uma academia(!), que fiz questão de registrar. Achei o macximo!

 

Felizmente no dia seguinte conhecemos Cláudia, a presidente da cooperativa Ecosol Pajeú, pessoa extraordinária de quem falarei no próximo post. Ela nos salvou, indicando uma opção de pousada em Tabira, cidade a 35 km dali, importante centro regional. Naquela noite, na mesa de um boteco, incorporei o espírito do Pajeú e rabisquei um guardanapo para a produção, em São Paulo.

Das coisas em que acredito,
Trabalho, cachaça e pão,
uma que eu sempre repito
é viajar no sertão.
Fui pra S. José do Egito,
Pra quatro dias de agito,
Com três camarada bão.
 
Comemos muita poeira
Mas o hotel era um cu.
Fomos de manhã pra feira,
De tarde, pro Pajeú.
E tanta coisa bonita,
Nós gravamos nesta fita,
Dá pra encher um baú.
 
A Cláudia, muito porreta,
Pra Tabira nos levou.
Livrou-nos daquela treta
Que a produção colocou.
Depois disso, não arrisco
Pois a história desse disco
Ainda não terminou.
S. José do Egito, 05/04/2008.
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