Cap. 4 – No Pajeú

Tabira, 35 mil habitantes, centro regional que tem a maior feira de Pernambuco, depois de Caruaru. Feira de gado, de ovinos e caprinos, porcos, galinhas e perus.  Feira de horti-fruti que se estende por vários quarteirões. Feira de roupas e calçados, maior que qualquer feira livre de São Paulo. Tem até provador no meio da rua! Sem falar da invenção genial do jumentáxi, claro.

Em Tabira fica a sede da Ecosol-Pajeú, uma cooperativa de crédito agrícola, voltada para os pequenos produtores da região. Nascida dentro do Sindicato de Trabalhadores Rurais, tem associados em 4 municípios, que percorremos por seis dias. Afogados de Ingazeira, cidade grande, tem a última sala de cinema do Pajeú. Pegamos lá o maior temporal, e aproveitei pra fazer esta foto. Nordestino não pode ver água que fica doidinho…

Num domingo ensolarado, visitamos a encantadora cidade de Solidão. Pequenina, cercada de morros verdejantes (pelo menos nessa época do ano). Igreja dominando a paisagem, meia dúzia de ruas, cabras e carneiros passeando na praça. Zé Márcio, nosso câmera, resolveu dialogar com um carneiro, e acabou tomando uma carreira do ovino injuriado. Um berrava “Zéééé!”, o outro respondia “Béééé!”. Problema de sotaque.

O trabalho desenvolvido pela Ecosol-Pajeú, com poucos recursos, é exemplar. Financia pequenos agricultores e vem mudando a realidade econômica da região. Foi emocionante gravar o depoimento da agricultora Maria de Fátima, que depois de anos sustentada pelo marido Adalberto, vivendo mal de agricultura de subsistência (feijão, mandioca)  fez um empréstimo de 700 reais e realizou o sonho de criar galinhas. Comprou alguns metros de tela, umas poedeiras e um galo. Em dois anos, pagou o empréstimo, tem mais de 100 galinhas, ampliou e melhorou o espaço, vende ovos e frangos (“orgânicos!”, faz questão de frisar) na feira e hoje ganha mais que o marido. Auto-estima lá em cima, conta com os olhos brilhando que comprou um computador de segunda mão para a filha, só com o dinheiro das galinhas. Tomar um café na casa dela fez bem pra alma!

(Na foto acima, a sede da Ecosol-Pajeú, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tabira e região).

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6 Responses to “Cap. 4 – No Pajeú”


  1. 1 Daniel Brazil 12/05/2008 às 10:43 pm

    Continuo viajando, agora por SC e RS. Escrevo de uma lan-house em Itajaí, depois de passar o dia gravando em Joinville. Desculpem a intermitência dos posts…

  2. 2 Ronaldo 13/05/2008 às 4:29 am

    bom dia!

    Gostaria de convidá-lo a visitar meu blog. Sei que não temos o conhecimento de causa como seu website reflete, mas ficaríamos honrados com a visita.

    Atenciosamente,

    Ronaldo Junior
    Faça Comtatos!
    http://www.comtatos.blogspot.com

  3. 3 Mario Abramo 14/05/2008 às 12:24 pm

    Daniel
    Aproveito pra colocar a trilha sonora do post….

    []s
    Mario

  4. 4 Daniel Brazil 24/05/2008 às 11:46 pm

    Grande Mário, acertando em cheio na trilha sonora! O tempo todo lembrei do velho Lua, enquanto bebericava uma Madeira do Norte, a mais famosa cachaça de Tabira.

  5. 5 Benigna 05/11/2009 às 1:47 am

    Isso é uma maravilha, mostrar o que temos realmente em solidão.
    Tudo simples, pacato, acolhedor e sem guerra. abraços a todos que já visitaram SOLIDÃO!!!


  1. 1 As pernas de Solidão « FÓSFORO Trackback em 10/10/2008 às 2:05 pm

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