A batalha final

Esta semana fui parar na periferia de S. José dos Campos, no Vale do Paraíba. Jardim S. José I e II, um daqueles conjuntos habitacionais que representam bem o descaso de certos administradores em relação ao bem estar da população.

Gente que morava (mal, certamente)  em favelas próximas ao centro da cidade, foi removida e “instalada” a vários quilômetros dali, do outro lado da Via Dutra,  com transporte precário e sem infra-estrutura, distantes do comércio, de farmácias, de hospitais, de supermercados e, provavelmente, de seus empregos.

Até aí, não há grande novidade. Políticas de segregação são freqüentes em nosso país. O que eu ainda não tinha visto é o estranho senso de humor dos burocratas da prefeitura (tucana, pra quem quiser saber), que batizaram uma das ruas com o inusitado nome de Armagedon…

Rua simples, sem árvores, casas sem acabamento. Crianças correm e brincam durante o dia, o medo se instaura à noite. Será o palco da batalha final entre o bem e o mal? Ou apenas de mais uma escaramuça?

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4 Responses to “A batalha final”


  1. 2 Vidotto 29/07/2008 às 3:02 am

    Pois é, cara. O arma-guédan ou uma escaramuça, que idéia fascinante diante de uma rua como a da foto. E o papel infinitamente crápula de um Gilmar Mendes, que entrelaçamento. Bão, viaje menos, trabalhe menos, coma menos e escreva mais. Vampiros leitores agradecem. Aliás suas viagens têm lá um que de Mário de Andrade. “Decote de montanhas” é uma imagem como poucas, o que é isso, tesão telúrico? Walt Whitman?
    Forte abraço!

  2. 3 Daniel Brazil 29/07/2008 às 12:26 pm

    Grande Vidotto!

    Passarei os próximos dois meses em S. José dos Campos, atolado de trabalho, mas tentarei manter alguma regularidade aqui no Fósforo.
    O tal “decote” tem origem bem mais modesta e popular. Trata-se de algo que li na infância num párachoque de caminhão, na velha Rio-Bahia:
    “No decote do horizonte divisei o seio da saudade”.
    Outros tempos, em que um caminhoneiro se permitia devaneios poéticos. Hoje impera a baixaria, “tal qual na canção popular”.

  3. 4 Escrever por Escrever 03/08/2008 às 5:56 pm

    Armagedon!
    Será que os políticos visitam esses bairros na hora de pedir votos. Na verdade, acho q esses bairros são os que eles mais visitam e onde mais fazem promessas.


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