Arquivo de setembro \20\UTC 2008

A bicicleta de Poianas


Guido Poianas foi um dos maiores pintores da paisagem urbana brasileira do século XX. Italiano de nascimento, viveu em Santo André, SP, e retratou ruas, casarios, fábricas, operários e muitos amigos.
No início dos anos 80 pintou esta cena, de enganadora simplicidade. Sutilmente, Poianas anota com seus  pincéis um sinal de novos tempos. A bicicleta, acorrentada ao poste,  revela o início da paranóia que hoje se alastra à nossa volta em forma de cadeados, alarmes, muros, grades, câmeras e armas.
Não que ladrões de bicicletas fossem  inexistentes, na época. Para um italiano, a lembrança do filme clássico de Vittorio de Sicca, de 1948, devia ser imediata.

Certamente o artista não viu uma simples bicicleta na calçada. Poianas vislumbrou, na inusitada corrente, o sintoma de algo que nos assombra até hoje, cada dia mais.

Da vida secreta dos caranguejos

Certa noite, em Ilhabela, esse aí cruzou o meu caminho e se enfiou debaixo do carro. Tive de fazer certa ginástica para tirá-lo de lá. Carmen, atenta, fotografou. A escuridão, o flash e a camiseta preta criaram o efeito. Picasso ajudou com o cenário.

Hoje, nas noites de lua cheia, o caranguejo sai da toca e suspira. Pensa em como aquele quadro intrigante ficaria bem na sua sala. Nunca encontrou outro que combinasse tanto com suas cores.