Jornal Nacional

27/10/2008. Fato incomum: ligo a TV e assisto aos minutos mais caros da TV brasileira, o chamado horário “nobre” na rede de maior audiência. A escalada do noticiário já prenuncia bobagens do tipo “o primeiro dia dos prefeitos eleitos”, ou seja, vai rolar uma sessão Caras e não uma análise política do significado das eleições.

No primeiro bloco, um entrevistado insiste em maltratar o idioma, falando de “subzídios”. Se eu fosse professor de português diria: “Obzerve, é abzurdo falar subzídio.” Mas como não tenho esta vocação, deixa pra lá. Também cometo barbarismos, com alguma freqüência. (E este trema foi colocado pelo corretor automático).

Primeiro intervalo. Entra um comercial cantado em inglês, boçalidade  usual na publicidade brasileira. Mas este é especial: Todos os figurantes cantam em inglês, dentro de uma fábrica! É um comercial da Ford, onde uma surrada canção pop dos anos 60 ou 70 é cantada alegremente por peões do ABC. Ou será na fábrica da Bahia? É surreal. Ou imbecil, depende do ponto de vista.

Queda nas bolsas mundiais. Reflexos no Brasil são comentados superficialmente pelo ex-presidente do PSDB e por Maílson, ex-ministro do Collor. Anda mal de comentaristas a Rede Globo. Pra limpar a barra e fingir que ouve quem governa o país, convoca o senador Mercadante, que fala por imediatamente esquecíveis 15 segundos. Isto é que é edição pra agradar Homer Simpson!

Reportagem sobre a crise econômica nos EUA. Casas abandonadas em Detroit. Ligação com o Brasil? Nenhuma. A reportagem foi apenas traduzida, não faz uma ponte, uma ligação, uma analogia, um paralelo. Aqui ninguém abandona casa, certo? Ao contrário, invade.

Comercial caríssimo de um minuto de um fabricante de aço. Para quem, mesmo? Homer compra aço?

Volta o jornal, com a emocionante história de um sujeito que enfrentou e matou uma sucuri e pode ser multado pelo Ibama. A imagem mostra – a 5 metros de distância – o cara levantando a bermuda e mostrando a coxa, como se exibisse a marca de uma mordida. Não dá pra ver nada, claro. (Pode tirar a vírgula da frase, Pedrinho). Assunto seriíssimo para o maior telejornal do país. Como faz o Doutor Plausível (com muito mais verve), HA HA HA!

É por isso que neste horário costumo fazer outras coisas, e não assistir TV…

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3 Responses to “Jornal Nacional”


  1. 1 Permafrost 30/10/2008 às 12:18 am

    Vou dizer uma coisa pra vc. Depois do YouTube, não assisto mais tv. Fica desligada num canto, tadinha.

  2. 2 Flor 03/11/2008 às 6:25 pm

    Só ficou faltando falar das famosas matérias, dubladas, diga-se de passagem, dos show de golfinhos criativos na Califórnia. Os golfinhos merecem.

  3. 3 Daniel Brazil 03/11/2008 às 6:54 pm

    Nossa, como fui me esquecer dos golfinhos? Acho que a sucuri entrou no lugar deles, naquela noite!


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