O juiz na roda

Segundona braba, dia de ressaca. Zapeando, descubro que o programa Roda Viva, da TV Cultura, vai entrevistar o meretríssimo presidente do STF, Gilmar Mendes.

Opa, e quem são os entrevistadores? Decepção absoluta. Um direitoso da Veja, uma jornalista da FSP (Façamos Serra Presidente), um cara do Estadão e o editor do site Consultor Jurídico, velho conhecido do entrevistado.

Ora, assim até eu! Será que não dava pra chamar uma pessoa, uma só, com postura crítica em relação ao referido juiz? Ou alguém de esquerda, só pra contrariar? Ou com independência em relação aos grandes esquemas corporativos imprensa/Daniel Dantas?

O programa mantém uma página na rede, onde telespectadores podem fazer perguntas “ao vivo”. Quem matou a pau foi o Idelber Avelar, do ótimo blog O Biscoito Fino e a Massa, que enviou 25 perguntas matadoras. Duvido que alguma delas seja enunciada pela Lílian Bife Quibe, âncora do programa. Vou conferir.

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4 Responses to “O juiz na roda”


  1. 1 Mario Abramo 16/12/2008 às 8:20 am

    Não tive estômago pra ver essa palhaçada. Se vc teve (vale mandar uma tonelada de Pepsamar?), dá um toque no que aconteceu…
    Abraços

  2. 2 Daniel Brazil 16/12/2008 às 4:11 pm

    Me atrasei, e perdi o primeiro bloco. Mas assisti o restante, só pra me sentir meio profético. Pena que a raiva que ia me dando era maior que o orgulho.
    Críticas ao governo Lula (não diga!), aos povos indígenas (Raposa Serra do Sol, bola levantada com jeitinho para o Gilmar cortar).
    Lá pelas tantas, alguém ousou citar a revista Carta Capital, indiretamente. “Certa revista disse que…”. O Meretríssimo cortou no ato:
    – Veja o nível a que chegou a imprensa brasileira! Nem vou comentar isso aí…
    E não comentou mesmo! Só respondeu o que quis, ou o que foi combinado. As dezenas de perguntas do público foram devidamente arquivadas, com a rota desculpa de que “infelizmente nosso tempo está esgotado, mas prometemos encaminhar ao Dr. Gilmar as perguntas dos telespectadores”.
    Ninguém falou do Chico Mendes (nao o ambientalista, mas o irmão do juiz), prefeito acusado de muitas irregularidades no Mato Grosso, blindado pelo Judiciário. Ou da tal escuta telefônica, da qual até hoje não se apresentou uma única prova. O patético Reinaldo Azevedo encerrou fazendo uma pergunta acadêmica sobre um jurista alemão, assunto de extrema relevância… para acadêmicos.
    Enfim, o programa foi a Roda da TV Cu. Ou Roda Vivalda, se preferir.

  3. 3 Daniel Brazil 16/12/2008 às 10:30 pm

    Li alguns comentários sobre a parte inicial do programa.
    A LWF abriu fazendo a pergunta “onde está o áudio do suposto grampo da conversa de Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres e qual a responsabilidade do STF pelo vazamento de um ofício reservado do tribunal à revista Veja? A pergunta provocou uma resposta pouco convincente e dois argumentos surpreendentes do entrevistado: o de que não cabia a ele “demonstrar se existe ou não” o áudio da suposta conversa grampeada e o de que a questão era “completamente irrelevante.”

    (transcrito do blog do ombudsman da TV Cultura)

    O ombudsman elogia a jornalista da FSP e a âncora LWF, mas desanca os outros dois entrevistadores”:

    “Reinaldo Azevedo e Márcio Chaer, na tentativa de instrumentalizar o programa diante de um tema tão delicado e de um personagem tão controvertido, conspiraram contra a qualidade e o equilíbrio jornalístico desta edição do Roda Viva, o que sugere uma cuidadosa reflexão da direção do programa sobre os critérios de seleção dos entrevistadores.”

    Semana que vem é o Protógenes…

  4. 4 Daniel Brazil 19/12/2008 às 12:34 am

    Até a noite de segunda, o Rei Azedo elogiava o programa e o convidado (e o fato de ter sido convidado, claro). Aconteceu, porém, que uma enxurrada de perguntas não respondidas, de telespectadores, blogueiros e internautas, passaram a circular por aí, depois que o programa acabou. O próprio ombudsman da Cultura, no seu blog, criticou a escolha dos amiguinhos de Gilmar Mendes para compor a bancada, pela maneira evasiva com que desviaram dos temas mais candentes.
    Foi o que bastou para que o furibundo tipinho da In-Veja passasse a desancar o ombudsman, atacar a TV Cultura, insinuar que é um antro de esquerdistas, que está corrompida pelos petralhas, etc. Isso lembra alguma coisa?
    Se você lembrou de Vlado Herzog, ganhou um picolé. Recomendo uma visita ao blog do Nassif (http://www.projetobr.com.br/web/blog/5) , onde a rede de leitores coletou informações preciosas sobre o modus operandi do esquema Veja-Gilmar Mendes-(Daniel Dantas?).
    Fiquemos de olho. Se o Serra pedir a cabeça do ombudsman, a coisa é ainda mais séria do que imagina.


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