Ah, um pesto!

varanda

O Ano Novo na ilha foi mais que uma simples festa. Foi também um reencontro com gente querida, uma troca de presentes, e um rodízio de comidinhas e bebidinhas que está virando tradição. A cada ano um conviva traz uma novidade.

Se no ano passado eu impressionei com a caipirinha de gengibre (substitua o limão por fatias finas de gengibre fresco, fazendo da maneira habitual), desta vez o mano Marcelo e sua partner Rosa arrebentaram com uma de tangerina com pimenta-rosa. Inesquecível!

tangerina-com-pimenta-rosa

Duplas se revezaram na cozinha, a cada dia. Fui à caça (na peixaria) de um namorado de 4 kg, que foi dignamente recheado com uma farofinha de couve com camarões. Tia Adelaide fez um escondidinho de bacalhau cuja lembrança ainda me emociona.

escondidinho

Carmen fez uma musse de damascos na noite do dia 31 que vai entrar nas antologias familiares.

Espuma de damasco

No dia em que eu vim me embora (música de Caetano ao fundo), pedi à tia um pouco de manjericão, já que a imponente moita da perfumada erva ultrapassava os limites da horta. Ela me colheu uma braçada de tal modo generosa que foi preciso colocar num saco plástico daqueles de 50 litros. O carro inteiro ficou cheirando a manjericão, inclusive os passageiros, durante as 5 horas de viagem até São Paulo.

Bem, o que se faz com tanta matéria prima básica? Use algumas folhas para aromatizar uma margherita, e com o resto faça um pesto! Como o preço do pignoli anda soberbo (copyright by Cartola), optei pelas nozes, já em liquidação pós Natal. Há quem faça com castanha-do-pará, de caju, amendoim, variações bem brasileiras.

Garanto que foi o melhor pesto que já fiz, mas devo confessar também que foi o primeiro com nozes… Carmen e eu já tentamos fazer com pinhão, em Campos do Jordão, mas não deu muito certo.

Pesto

Receita:

– Muuuuuito manjericão fresco. (Na feira daria uns três maços grandes, no mínimo). Limpar o danado dá um certo trabalho. Muuuuita paciência, também. É quase tão chato quanto limpar camarão. Elimine talos e folhas amareladas ou secas. Pra facilitar, vamos concluir que você tem nas mãos 3 xícaras de folhas frescas, lavadas e enxutas.

– 4 dentes de alho, picados de forma infinitesimal. (Ou duas colheres de sopa bem cheias daquele pré-picado, de potinho, sem sal. Nada de pasta, pi-ca-do!)

– meia xícara de azeite extra virgem.

– 3 colheres de sopa cheionas de nozes picadas. Ou quatro cheinhas, vá lá!

– Meia xícara de um bom parmesão ralado. Se tiver um pedaço de pecorino em casa, aproveite e substitua uma parte. Fica ótimo!

– Sal e pimenta do reino ao ponto que você preferir. Vá pondo e experimentando.

Nos tempos pré-Benjamin Franklin, punha-se tudo num pilão e socava. Se você tem um bom almofariz e gosta de fazer pilates, vá em frente. Se acredita que a ordem dos fatores pode alterar o resultado, pile primeiro o alho e o sal (pode ser grosso, é mais cult), e em seguida o manjericão com as nozes. Depois vá acrescentando o azeite e o queijo ralado até virar uma pasta.

Se você é um preguiçoso moderno, use o processador (ou liquidificador).

Num pote de vidro bem fechado, dura semanas na geladeira. Para servir, é só misturar com uma massa quentinha, acabada de escorrer. Nessa aqui acrescentei fatias finas de abobrinha douradas no azeite, só pra complicar um pouquinho, porque estava fácil demais!

Fetuccine al pesto

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4 Responses to “Ah, um pesto!”


  1. 1 paulow 17/01/2009 às 6:10 pm

    Lindo ! Sempre achei que o pesto é a prova de que todos podem cozinhar divinamente. A pretensa “falta de talento” é preguiça (sem trema) mesmo !!! Feliz ano novo deste seu assíduo leitor !

  2. 2 Daniel Brazil 18/01/2009 às 3:08 am

    Boa esta: “o pesto é a prova de que todos podem cozinhar divinamente.”
    Mas as coisas simples têm seus mistérios… Exagerei no sal grosso, tive de fazer o fetuccine sem sal, pra compensar! Na terceira prova (hoje, 18/01), ficou perfeito.

  3. 3 Flor 31/01/2009 às 1:45 pm

    Ai, delicia de pesto… vou tentar, vou tentar!
    Mas inesquecível mesmo dentre as trocas culinárias na Ilha foi aquele babaganoush i-nes-que-cí-vel! a berinjela assada com garfo na boca do fogão foi um toque mágico. Depois disso vinha o quê mesmo? – acho que você vai ter que abrir uma sucursal deste blogue: depois do fósforo, o forno ou o fogão. A filha agradece e deseja um bom apetite. Hummmm.

  4. 4 Daniel Brazil 01/02/2009 às 8:22 pm

    Puxa, esqueci de comentar o babaganoush! E também os pratos da convidada especial, Rania, diretamente do Líbano. Mas aquele homus finíssimo da dona Adelaide, humm…


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