FSM, parte 3

Sexta, 29 – Novamente dividimos as equipes. Aline foi com os jovens para a Rural, enquanto eu andei quilômetros dentro da UFPA, gravando reuniões temáticas. Embora o olhar fosse atraído pela multidão colorida que circulava pelos stands, não poderia deixar de registrar que o Fórum era um lugar de trabalho, onde se trocam experiências e tomam decisões. Gravei uma vietnamita fazendo uma intervenção marcante numa reunião sobre meio ambiente, índios brasileiros ouvindo uma palestra sobre os 50 anos de Cuba, uma senegalesa puxando a orelha de sindicalistas machistas.

mulheres-de-branco


senegalesa


plenaria2

europa-africa1

Na hora do almoço, disposto a passar fome pra não pegar fila, ouvi um barqueiro dizer a um grupo de estrangeiros:

– Querem comer? Por dois reais, levo vocês até o outro lado do rio, onde tem peixe frito na hora e cerveja gelada.

Pulei pro barco na hora, assim como mais dez que passavam. Em alguns minutos estávamos aportando num bar-palafita bem rústico, sentindo o cheirinho de peixe no ar. Filé de dourada, uma porção que dava pra dois, arroz,feijão, vinagrete e farinha amarela. Foi quando melhor almocei. Pena que só descobri a bocada no penúltimo dia!

saldosa-maloca


maloca-21

restaurante-no-rio

Na volta, outra tempestade. Um filme sobre a questão do aborto (O Fim do Silêncio, de Thereza Jessoroun, 2007) foi exibido num coreto na beira do rio Guamá, mas a chuva restringiu bastante o público. No final, um debate interessante, com homens e mulheres discutindo a questão da criminalização.

coreto-2

plateia-de-filme

A chuva equatorial não deu trégua, a noite toda. Cansados, tomamos um tacacá na calçada da Av. Nazaré e voltamos pro hotel, sem pique pra balada, ou mesmo para jantar fora. Antes de dormir decidimos que a manhã de sábado, nosso único horário de folga, seria dedicado a compras no Ver-o-Peso, antes de ir para o aeroporto. Os jovens santarenos, para nosso horror, optaram por ir ao shopping center comprar “lembranças”.

– Artesanato tem lá em casa. Queremos coisas diferentes!

Compraram artefatos made in China e Taiwan, e provavelmente vão bombar em Santarém. O tempora, o mores

Anúncios

4 Responses to “FSM, parte 3”


  1. 1 Silmara 05/02/2009 às 7:18 pm

    Olha aí! Minha inveja tá ficando maior!!!rs Todos me falaram dessa ida de barco até a outra margem p comer um peixinho. Pelo jeito é bão mesmo. Vcs são de Santarém???
    abraço, Sill

  2. 2 Daniel Brazil 05/02/2009 às 7:24 pm

    Não, Sil. A sede do IPAS (www.ipas.org.br) fica no Rio de Janeiro. Há núcleos formados em algumas cidades. Em Santarém o IPAS trabalha especificamente com jovens, por isso surgiu a oportunidade de levar um grupo para Belém.
    Ah, e eu moro em São Paulo!

  3. 3 Mario Abramo 06/02/2009 às 12:53 pm

    Marina Silva, em 3/02 no terra magazine:
    “Assim, é importante não se deixar levar por notícias que acabam dando uma visão folclorizada do Fórum, como se fosse um reduto de malucos, radicais e retóricos. É que, ao contrário de Davos, onde o recorte do poder é condição para sentar-se à mesa, o Fórum é amplo, aberto, e só exige a disposição para mudar o mundo. Utopia? Felizmente, sim.”
    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3488787-EI11691,00-E+possivel.html

  4. 4 Daniel Brazil 06/02/2009 às 2:02 pm

    Marina dixit.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: