Lula, premiado? Não divulguem!

O presidente Lula ganhou esta semana o Prêmio de Fomento da Paz Félix Houphouët-Boigny 2008, concedido pela ONU.  O anúncio foi feito na quarta-feira, 13/05.

Você leu no seu jornal? Viu alguma chamada de primeira página em alguma banca? Ouviu no Jornal Nacional? Leu em manchete dos jornais na Internet?

Não, você não leu, porque a notícia foi malandramente escondida pela grande imprensa. Não sei se são bem pagos para destacarem apenas notícias negativas, mas a coisa tá ficando ridícula. A parcialidade é tão burra que quando surge uma notícia dessas, só é possível esconder, ou desmente tudo o que é escrito há anos sobre o atual governo. Ou seja, boa parte das mentiras cai por terra.

O ex-presidente de Portugal, Mário Soares, destacou que Lula foi premiado “por seu trabalho em prol da paz, do diálogo, da democracia, da justiça social e da igualdade de direitos, assim como por sua inestimável contribuição para a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos da minoria”.

O prêmio existe desde 1989, e já foi atribuído a gente como Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Yasser Arafat, Jimmy Carter e o rei Juan Carlos I da Espanha, que “deram contribuição relevante para fomentar, buscar, proteger e manter a paz, levando em conta os princípios da Carta das Nações Unidas e a Constituição da Unesco”.

Pode-se até discordar de alguns premiados, inclusive Lula. Mas ocultar a notícia não é papel de jornalista que se preze. Imagino o que não haverá de distorção, omissão e manipulação por conta das eleições de 2010…

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17 Responses to “Lula, premiado? Não divulguem!”


  1. 1 Charô 18/05/2009 às 12:04 pm

    Demais a cara de pau da “imprensa”. Por isso que só leio blogues agora. Demorô!

  2. 2 Daniel Brazil 18/05/2009 às 12:58 pm

    Não é à toa que as tiragens dos jornalões vêm caindo. Os leitores mais críticos estão migrando para os blogs, que noticiam com muito mais independência.

  3. 3 Fábio Mendes 18/05/2009 às 6:10 pm

    A internet vem noticiando com muito mais independência. E às vezes, com mais competência também. E mesmo que em alguns casos falte isenção, não é difícil achar o outro lado na net.

  4. 4 Daniel Brazil 18/05/2009 às 6:46 pm

    Este é o X da questão, Fábio. Pluralidade!

  5. 5 Fábio Dias Moreira 19/05/2009 às 3:00 pm

    Félix quem?

    (neverm mind que uma consulta ao Google News prova que a premissa do post é bullshit: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/05/13/lula-recebe-premio-da-unesco-por-incentivo-paz-755855594.asp)

  6. 6 Daniel Brazil 19/05/2009 às 3:24 pm

    Releia o post, Moreira, parece que você tem algum problema de percepção. Mas já que se deu ao trabalho de procurar uma notinha na Internet como prova (argumento fraquinho, não? A Folha de SP também deu uma notinha interna, se você quer saber, o que em nada contraria o fato que apontei) pode digitar Félix Houphouët-Boigny e diminuir sua ignorância.

  7. 7 Fabio Dias Moreira 19/05/2009 às 7:31 pm

    Você me acusa de ter linkado para uma “notinha”. O que você queria que a imprensa noticiasse, uma manchete de primeira página?

    Você me chama de ignorante, mas quem tem problemas de percepção é você, Daniel — você não percebe a ironia de “Félix quem?”. Eu tomei a liberdade de procurar a frase exata “Félix Houphouët-Boigny”, como você sugeriu, no Google internacional: o Google encontra aproximadamente 169 mil resultados. Em comparação, o Google internacional acha 149 mil resultados por “medalha Tiradentes”, concedida pela Alerj. Em comparação, “Pierre de Coubertin” acha 1.34 milhões de resultados.

    Ou, se você quiser comparar as coberturas nacionais e internacionais, você pode procurar no Google Brasil: se você procurar ‘Lula “Félix Houphouët-Boigny”‘ na Web inteira, você vai encontrar 459 resultados (a estimativa do Google costuma funcionar mal com poucos resultados, vá pulando de dez em dez páginas no fundo da página até chegar no final da lista de resultados). Se você restringir a busca ao Brasil, você vai encontrar 165 resultados, um pouco mais de um terço do total (em comparação, a Web brasileira é menos de 1% da Web mundial).

    Qual o meu ponto? A falta de divulgação na mídia brasileira não é uma tentativa deliberada de ocultar a premiação do Lula, mas se deve simplesmente ao fato do prêmio do tal Félix ser um prêmio irrelevante, do mesmo nível da medalha Tiradentes, cedida pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (que, para citar apenas um exemplo, foi concedida a uma senhora idosa que afugentou um ladrão cum uma arma de fogo).

    Em resumo, a explicação para a suposta falta de cobertura na mídia é a mais simples de todas: o tal prêmio é uma não-notícia.

  8. 8 Daniel Brazil 19/05/2009 às 8:34 pm

    Pela lista de premiados dá pra notar que o prêmio não é pra qualquer um, Moreira (te chamo assim pra não confundir com o outro Fábio). Comparar com a medalha Tiradentes só pode ser piada!
    E, sim, certamente acredito que o mais importante prêmio concedido pela ONU neste setor deveria ser notícia de primeira página (notícia, não manchete principal). Seria, se fosse alguém como o Zé Serra, Cabral Filho, Roseana Sarney ou a Yeda Crusius, não acha? (Talvez pelo inusitado, claro).
    Ao perguntar “Felix quem?” você apenas demonstrou ignorar a existência do prêmio, meu caro. Impossível fugir desta conotação.
    Se eu disser que já ganhei o Prêmio Wladimir Herzog de Direitos Humanos, por exemplo, e o interlocutor perguntar “Wladimir quem?”, vou ter certeza de que estou falando com um desinformado.

  9. 9 Fabio Dias Moreira 19/05/2009 às 10:38 pm

    Você ainda não compreendeu o meu ponto sobre a ignorância. Eu de fato ignorava a existência do prêmio (o Wladimir Herzog eu conheço, mas não sabia que havia um prêmio em homenagem a ele também). Faça um Gedankenexperiment: pergunte a pessoas aleatórias se elas já ouviram falar do Prêmio de Fomento da Paz Félix Houphouët-Boigny ou do Prêmio Wladimir Herzog de Direitos Humanos. Agora, pergunte a pessoas aleatórias se elas já ouviram falar do prêmio Nobel da paz.

    O meu ponto é que o prêmio que o Lula ganhou é um tanto obscuro: prova disso é que você sentiu a necessidade de enumerar ganhadores anteriores do prêmio; seja honesto: se o prêmio fosse o Nobel da paz, você enumeraria os ganhadores anteriores do prêmio (tanto que a BBC e a ETE também fizeram questão de enumerar os ganhadores anteriores do prêmio).

    Quanto à comparação com a medalha Tiradentes: eu tenho várias críticas que eu podeira fazer à ONU, mas eu reconheço e valorizo o trabalho deles. Mas se uma medalha concedida pelo Estado do Rio tem repercussão parecida com a de uma medalha da ONU, o que isso diz sobre a medalha da ONU?

    Eu não quero tirar o mérito do Lula (já que você citou nomes de candidatos, talvez seja bom colocar as minhas orientações políticas às claras: eu votei no Cristóvam Buarque e depois no Geraldo Alckmin nas eleições de 2006; nunca estudei direito a história do José Serra, mas eu ficaria feliz se os outros três que você citou sumissem da face da política). O meu ponto é que o noticiário brasileiro nunca noticiou esse prêmio para os outros premiados: de novo, procure no Google ‘”Félix Houphouët-Boigny” “Yitzhak Rabin” -Lula’ e você vai perceber isso.

    Você está fazendo uma afirmação extraordinária (que existe uma conspiração contra o governo) baseado em evidência essencialmente anedotal. Não é impossível fazer um estudo científico sobre o viés da mídia — o FiveThirtyEight.com mostrou vários desses sobre as eleições americanas de 2008 — mas até onde eu sei não existe nenhum desses para o Brasil.

    Talvez você tenha razão e de fato a mídia como um todo tenha um viés anti-Lula (eu até concordo que há um leve viés, mas eu não acredito que seja fruto de forças ocultas, mas do fato que em geral jornalistas vêm de um segmento da população de maior instrução e renda, onde os números do Lula são piores). O que eu não concordo é que você possa concluir a existência desse viés (muito menos que ele seja combinado entre as instituições de mídia) a partir de um espaço amostral com N=1, como você fez no post.

  10. 10 Daniel Brazil 19/05/2009 às 11:03 pm

    Você argumenta com propriedade sobre números e estatísticas, Moreira. O problema é que se é a primeira vez que um brasileiro ganha este prêmio, está claro que não vamos encontrar citações anteriores na imprensa brasileira. Esta primazia, no entanto, deveria ser notícia amplamente divulgada.

    Segundo: a importância real de um dado não se dá por acúmulo numérico de citações, ainda mais num meio tão cheio de bullshit (como você diz) como a Internet. Se assim fosse, vamos acreditar que “pornografia” é muito mais importante que “justiça”, ou que Madonna tem mais a ver com os brasileiros que Joaquim Nabuco.

    Claro que minha visão está um pouco mais condicionada pela imprensa paulista, e a tua pela imprensa carioca, que talvez tenham tratamentos diferentes. Mas a Globo – que noticia a medalhinha que Roberto Irineu Marinho ganhou em Mandioquinha da Serra – ignorou a notícia.

    Na verdade, adoraria questionar esta premiação do Lula, por tudo o que ele prometeu e deixou de fazer. Proponho que aguardemos o dia da entrega do prêmio, para avaliarmos o comportamento da mídia, o real alvo do post.

    PS: Aqui em Sampa mal ouvimos falar desta tal medalha Tiradentes.
    Mas premiar uma personalidade por ano, como o prêmio da ONU, merece mais atenção. É questão de qualidade, não quantidade.

  11. 11 Fabio Dias Moreira 19/05/2009 às 11:45 pm

    Concordo plenamente sobre o número de resultados do Google ser um número bullshit, pelos motivos que você expôs; eu assino embaixo de todos os exemplos que você citou. Mas sem uma métrica objetiva, qualquer discussão sobre a importância e o prestígio de cada prêmio vira achismo pessoal, não é verdade?

    A idéia da métrica que eu escolhi é avaliar o “gosto popular”; daí que ela tenha essas distorções que você apontou. Uma métrica muito melhor do ponto de vista intelectual seria, por exemplo, citações em artigos de publicações peer-reviewed: a medalha Tiradentes vai tomar uma surra com essa métrica, mas esse não é o tipo da métrica que o consumidor médio de notícias (ou “Homer Simpson”, nas palavras do William Bonner) está acostumado, ou vai perceber como tendo a ver com seu dia-a-dia; daí do noticiário usar a “métrica Google”.

    Eu acho que depois da premiação o JN vai mencionar, nem que seja por 20 segundos: pra passar no telejornal, você precisa de um vídeo mostrando alguma coisa (o Lula apertando a mão do carinha lá, recebendo o diploma, …). Como eu não tenho TV, eu vou depender de você pra saber se eu acertei ou errei a minha previsão. 🙂

    Sobre a medalha Tiradentes, até onde eu entendo basta alguém propor a medalha e a assembléia aprovar; não existe limite de premiados. Quanto à mídia, eu tenho a impressão (corrija-se se eu estiver errado) que SP costuma ter governos mais de direita que o Rio: acho que os nossos últimos quatro governadores eram ou se tornaram PMDBistas; talvez isso explique também as diferenças de percepção.

  12. 12 Daniel Brazil 20/05/2009 às 12:32 am

    Como profissional de TV (sem rabo preso com nenhuma emissora), eu te respondo que colocaria no JN um retratinho do Lula – ou imagens dele na Arábia – com a locução “acaba de ganhar um prêmio da ONU”. Se fosse um repórter acompanhando a viagem, perguntaria se acha que mereceu o prêmio.
    Mas teu último parágrafo me sinucou, confesso. Governos mais à direita? Pode ser, afinal aqui é o centro capitalista-financeiro do país. Tivemos historicamente um governador do MDB contra a ditadura (Quércia), mas que nenhum louco chamaria de “de esquerda”. Não seria o caso dos PMDBistas cariocas?
    Mas houve também um Mário Covas, figura respeitável. E Serra, sem dúvida, não é de direita. Faz alianças execráveis, como o Lula. Diria que os dois têm muitos pontos em comum, para o bem e para o mal…

  13. 13 Fábio Dias Moreira 20/05/2009 às 12:50 am

    A última vez que o Rio teve um governador do PSDB foi em 1999, o que não faz tanto tempo assim. Pode ser que você tenha razão, mas o PMDB carioca certamente está à esquerda do centro.

    É claro, aí você vai me perguntar sobre o César Maia, e a resposta é que eu não faço a menor idéia. Especialmente depois da eleição pra prefeitura do Rio, na qual ele apoiou o Gabeira (que é do PV não sei há quanto tempo, e chegou a passar um tempo no PT)…

  14. 14 Daniel Brazil 20/05/2009 às 1:08 am

    Desconfio (não é uma estatística científica) que os paulistas vêem o Brizola como o último governador “de esquerda” no Rio de Janeiro. O resto é uma coisa meio populista, difícil de definir.
    Tenho amigos cariocas “brizolistas” que não conseguem enxergar as nuances da política “paulista”.
    Pudera, aqui Adhemar de Barros Filho foi o último nome forte do PDT… Nem eu entendo! Como não consigo definir a famiglia Garotinho.

  15. 15 Daniel Brazil 20/05/2009 às 8:01 pm

    Por falar em não-notícia: Hoje, 20/05, Lula está em todas as manchetes dizendo que é contra um terceiro mandato. O homem já disse isso diversas vezes, os jornais noticiaram. Por que é manchete novamente?
    Palpite: Para os anti-Lula, é necessário afastar o fantasma da reeleição a todo custo, pois a popularidade do cara não é mole. Daí que tem muito mais credibilidade ele mesmo dizer que não concorre do que a desmoralizada oposição espernear.
    Mas que é uma não-notícia, é. E requentada.

  16. 16 Fábio Dias Moreira 02/05/2012 às 1:32 pm

    Oi Daniel,

    Eu normalmente mandaria um email sobre isso, mas como eu não achei seu endereço, vai como comentário mesmo.

    Digo, pode parecer idiota correr atrás de um blog post de três anos atrás, mas eu queria pedir desculpas por ter sido tão grosseiro com você (alguém que, até hoje, eu nem conheço!), e por ter feito um comentário tão ignorante a respeito do Félix Houphouët-Boigny.

    Eu também queria te agradecer por, *apesar disso*, você ter mantido um diálogo aberto e civil comigo. Obrigado.

    • 17 Daniel Brazil 02/05/2012 às 8:12 pm

      Fábio, você me deu a oportunidade de reler nossa conversa e rever algumas posições. Falei que “Serra, sem dúvida, não é de direita”. Hoje não tenho mais dúvidas: se não era, virou de vez. Ou aliou-se com a direita mais escabrosa (o que inclui os “capi” da grande imprensa).
      Enfim, também cometi alguns exageros. É bom conversar de forma civilizada.

      Abraço!


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