O país dos magros

Bonde

Meu sogro Luiz Patrício, do alto de seus 81 anos viajados e bem vividos, foi quem me chamou a atenção. Em casa, folheando um livro de fotos da década de 30, observou:

– Reparou que nas fotos antigas de São Paulo nunca aparece um gordo?

Confesso que nunca tinha atentado para fato. Folheei o livro inteiro, conferi outro do Rio antigo, conferi na Internet. Como o povo era esbelto! E não era só uma questão de não ter o que comer. Mesmo em retratos da alta burguesia, como recepções e bailes no Municipal, são raríssimos os exemplos de obesidade.

A mudança de hábitos alimentares, depois da Segunda Guerra, com a crescente oferta de alimentos industrializados, foi determinante. Antes, pro sujeito fazer uma sopa, tinha de ir ao mercado (ou à horta), comprar os ingredientes e preparar. Já queimava várias calorias nesse processo. Hoje, abre um pacotinho e joga na água fervente…

Comer à noite implicava em trabalho. Hoje, sem sair do sofá, o folgado pede uma pizza e um refrigerante. Na escola, só havia aquele pãozinho com mortadela básico. Umas balinhas eram comuns, claro. Refris, um pouco menos. Hoje, a enorme oferta de isoporzitos saturados de gordura e sódio vicia o infeliz desde pequeno.

Olho para as fotos e fico com certa inveja. Parece que o povo era bem mais saudável, mesmo com menos remédios e antibióticos…

Candelaria

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9 Responses to “O país dos magros”


  1. 1 paulow 31/05/2009 às 1:39 pm

    E ainda cozinhavam com banha; não tinham adoçante….

  2. 2 Daniel Brazil 31/05/2009 às 2:57 pm

    Isso, Paulow! O leite não era desnatado, o feijão era feito com toucinho, e não se tirava a gordura da canja de galinha. E, no entanto, isso tudo engordava muito menos que uma lazanha industrializada…

  3. 3 Charô 01/06/2009 às 10:55 pm

    Não faziam hoooooooooooooooras de academia…

  4. 4 Carmen 02/06/2009 às 1:55 am

    Mas que andavam a pé, e se mexiam, faziam mais força, que hoje em dia, isso é verdade. Quem precisava de academia? Estou absolutamente convencida de que o problema da obesidade é o excesso de comida. Pra nos convencer a continuar comendo (= consumindo) o tempo todo, inventaram o adoçante, o ovo sem colesterol…

    As fotos são lindas! Dá inveja, sim.

  5. 5 Daniel Brazil 02/06/2009 às 2:05 am

    Ha, ha, academia?!? Isso pra nossos avós soaria como ficção científica… E de mau gosto!

  6. 7 Daniel Brazil 04/06/2009 às 12:19 am

    Alagoas também…

  7. 8 Charô 04/06/2009 às 10:10 am

    Estive pensando… Havia negras gordas!

  8. 9 Daniel Brazil 05/06/2009 às 1:55 am

    Acho que Tia Anastácia era uma cozinheira compulsória, obrigada a provar tudo o que fazia, o dia todo à beira do fogão. Talvez isso explique esta imagem tão… gilbertofreiriana. Havia, mas eram poucas.

    Na memória afetiva/ erótica dos homens (brancos ou negros), mulheres negras magras não têm lugar, mesmo sendo imensa maioria. Até hoje.


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