Uma flor da cor do fogo

Minas Gerais faz parte da minha vida. Desde a infância lembro de atravessar aquele Estado interminável, pela velha Rio-Bahia, no percurso Salvador-São  Paulo. Tempos depois, estudei dois anos no centenário Instituto Granbery, em Juiz de Fora.

Cedo aprendi a amar as belezas das velhas igrejas, as estátuas de Aleijadinho, as pinturas de Mestre Athayde, a arquitetura barroca e as ruas tortuosas de Mariana, Ouro Preto, Sabará, São João Del Rey, Tiradentes e  Congonhas do Campo. Por lá perambulei algumas vezes. Levei minha filha, quando ela mal entrara na adolescência, como meu pai havia feito comigo, num roteiro de iniciação ao Brasil profundo.

Mas tenho uma irremediável tendência às coisas pequenas, rasteiras, de beira de estrada. Destes cinco dias em que percorri Minas, neste julho de 2009, de Teófilo Otoni até Passos, passando por Ponte Nova, Ouro Preto, Belzonte  e Divinópolis, guardarei a lembrança ensolarada dos pés de cipó-de-são-joão pendurados nas cercas e muros. Sua cor  afogueada me persegue desde  menino quando, da janela do meu quarto, no internato, me parecia a única coisa quente que eu podia avistar na paisagem, nas manhãs de inverno.

E eles estão sempre lá, quando sonho com a paisagem de Minas Gerais.

Cipó-de-São-João

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8 Responses to “Uma flor da cor do fogo”


  1. 1 Josafá Crisóstomo 06/08/2009 às 6:04 pm

    Entrei aqui porque buscava imagens da exposição da Lucila Wroblewski que tive a grata oportunidade de ver na minha hora de almoço, na Caixa Cultural da Praça da Sé, em São Paulo.
    Quero falar da artista e do seu trabalho no meu blog.
    Achei tão legal esse seu post falando de Minas: eu também tenho verdadeira admiração por tudo que é mineiro.
    O cipó-de-são-joão é sensacional!

  2. 2 dalila teles veras 07/08/2009 às 11:07 pm

    Olá, Daniel, grande viajante
    Seja bem vindo a Ítaca. Odisseu do Século XXI. Aguardamos o relato de toda a Odisséia por terras infestadas de gripe suina e outras “gripes” ainda mais letais. Aguardamos as estórias que a História jamais conta (e que só o olho do viajante registra).
    Adorei os relatos enviados por emails.
    abraço da leitora e admiradora, dalila

  3. 3 Mario Abramo 07/08/2009 às 11:23 pm

    Daniel
    Será q é só nois q vê mato?
    Tou lembrando de qd, moleque, entrava nos sertões da Pituba eia mané-velho, siriguela, umbu… junto com cansanção (é assim que escreve?), aquelas com q as quengas libertarm o Porto de Itaparica, onde existem três datas de idependência…
    E tem mais o joá, saudoso, tem mais o buriti…
    E tem tanta coisa que a gente chega a chorar..
    Um abraço lacrimejante..
    Boas vindas, mestre.

  4. 4 Daniel Brazil 08/08/2009 às 2:17 am

    Minas é um mundo, Josafá. Este cipó-de-são-joão fotografei às margens da represa de Furnas, uma paisagem mineira pouco conhecida (e linda).
    Melhor que contar histórias de viagens é ler as histórias da Dalila, viajante muito mais ilustrada (e ilustre) que eu. Recomendo uma visita ao seu blog.
    Grande Mário, viajante com alma de passarinho: Pra quem já pisou em riachos gelados na Suécia, isso não é nada. Mas pode ser tudo!

  5. 5 akio 10/08/2009 às 8:39 pm

    Belo texto. É um poema.

  6. 6 Daniel Brazil 10/08/2009 às 9:04 pm

    Nem tanto, Akio. É prosa saudosa, mesmo.

  7. 7 João Alves das Neves 28/08/2009 às 4:02 pm

    Gostaria de indicar o Blog Revista Lusofonia com o artigo da escritora Dalila Teles Veras, sobre a Lingua Pátria: http://revistalusofonia.wordpress.com/2009/08/17/a-lingua-a-patria-possivel/

    Fabíola


  1. 1 A harmonia dos amargos « FÓSFORO Trackback em 23/05/2010 às 9:30 pm

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