As maravilhas d’Orsay

Qual a imagem que vem à cabeça de um brasileiro quando se fala da França? Talvez a primeira impressão seja gastronômica (queijos, vinhos). Para outros, literatura (Hugo, Flaubert, Balzac, Proust e tantos outros). Napoleão, certamente, é uma imagem muito forte. Os mais ligados em política lembrarão de 1789 ou de maio de 68. Os fãs de cinema lembrarão de Godard, Truffaut, Resnais, Tati e mais meia dúzia. Os mais jovens, de Amélie Poulain ou de Ratatouille (por analogia). E tem Moliére, Ravel, Debussy, Curie, Braille, Asterix, Sartre, Camus, Piaget, Lacan, Deneuve, Chevalier, Montand, Piaf, Bardot, Gainsbourg, Platini, Zidane…

Filho de pintor, a mais remota lembrança que tenho da França vem dos impressionistas. As prateleiras de meu pai eram cheias de livros fascinantes, com reproduções de quadros que povoaram a minha infância. Renoir, Gauguin, Cézanne, Matisse, Lautrec, Manet, Monet, Van Gogh, Degas, Rousseau, Sisley, Seurat… E também Corot e o anarquista Courbet, que me apresentou cruamente, pela primeira vez, a origem do mundo.

A França passou a ser, para mim, um reino mágico de pintores que mudaram a história da arte com pinceladas luminosas. Nada mais natural que, ao pisar em Paris pela primeira vez, eu procurasse o Musée d’Orsay, antes do Louvre.

Paris  72

A estação de trens transformada em museu é linda, como costumam ser as estações de trens.  O amplo espaço central é preenchido por esculturas, e dominado pela presença imponente de Auguste Rodin. Creio que é uma tendência natural do século XXI olharmos com mais atenção para Camille Claudel. As mulheres, por identificação; os homens, por peso na consciência. Mas, acima de tudo, é a maior escultora figurativa da era moderna.

CamilleClaudel

Perambulando pelo museu (lembrei de Mussorgski – com a orquestração de Ravel, claro -) me vi frente a frente com lembranças de minha infância. Umas ternas, outras terríveis.

Paris  69

Quantas vezes na vida temos a chance de ver, depois de adultos, as imagens que povoaram nossos sonhos juvenis? A energia que vibrava daqueles quadros novamente me atingiu em cheio, como quando me vi diante da Vênus de Boticcelli. Mas isso é outra história, em Florença, depois eu conto.

Por sorte, fui acompanhado de outra filha do mesmo pintor, que soube registrar meus espantos diante de tantas maravilhas. A Manuela, irmãzinha querida, o devido crédito pelas fotos!

Paris  70

(Próxima parada, as gárgulas de Notre Dame!).

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8 Responses to “As maravilhas d’Orsay”


  1. 1 paulow 25/08/2009 às 3:36 pm

    Gostaria de ir ao D’Orsay mais 3 vezes em minha vida (já fui duas). Morrerei feliz…

  2. 2 Daniel Brazil 25/08/2009 às 4:12 pm

    Você já é feliz por ter ido duas vezes! Quer ser mais feliz? (Bom, eu também quero…)

  3. 3 Pedro Paulo Santos 25/08/2009 às 6:25 pm

    Ja estive lá, e esse texto me trouxe lembranças muito boas.

  4. 4 Fábio Mendes 26/08/2009 às 2:27 pm

    Cara, as telas impressionistas são as mais belas de todas!!!

    E ontem acabei vendo um documentário sobre a história da França. É sempre legal ver as contradições que formaram esse país. Até hoje não entendi como a Revolução decapitou tanta gente e manteve Versalhes intacta.

  5. 5 Daniel Brazil 26/08/2009 às 3:19 pm

    Versalhes fica bem longe de Paris, uns 50 km. Os caras devem ter achado que não valia a pena ir até lá, a pé… Na verdade, mesmo os prédios históricos de Paris não sofreram danos físicos, em 1789. O alvo era outro!


  1. 1 daora: embriague-se! « (A)charolastra! Trackback em 27/08/2009 às 1:17 pm
  2. 2 Perdão, musas « FÓSFORO Trackback em 08/01/2010 às 10:22 pm
  3. 3 daora: embriague-se! | {a}charolastra Trackback em 05/07/2010 às 12:08 am

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