Hay que Hondurecer…

É curioso (e lamentável) ver como os três maiores jornais brasileiros  tratam a crise em Honduras. O Globo só se refere a Micheletti e seus capangas como “governo interino”. O Estadão adotou a fórmula “governo de facto”, tornando risível a reforma ortográfica. A seção de cartas, editorializada e filtrada como sempre, só publica a opinião de gente alinhada com a posição troglodita.

Nenhum dos dois jornalões usa a palavra golpe, e aproveitam a confusão para descer a lenha no governo Lula.

Resta a Folha de SP, que desta vez adotou uma linha coerente com a opinião democrática mundial. Chama de “golpistas” em manchete e coloca algumas opiniões jurídicas independentes embasando o adjetivo. Uma no cravo, outra na ferradura. Ou será na ferrabranda?

17 Responses to “Hay que Hondurecer…”


  1. 1 Blog Mallmal 01/10/2009 às 12:26 am

    Triste é saber que o Zelaya não é mais presidente, visto que a constituição de seu país assim o define, e assistir o nosso presidente lhe dando abrigo, numa clara contravenção do direito internacional…

    Pois bem, já está claro, o ATUAL GOVERNO HONDURENHO tem total direito de invadir a porca embaixada brasileira e apreender o contraventor Zelaya, segundo análise de uma mestre em direito internacional da USP.

    Tomara que o utilizem para acender a churrasqueira da comemoração…

  2. 2 Daniel Brazil 01/10/2009 às 12:49 am

    Este é o exemplo de comentário troglodita e truculento que pulula na seção de cartas dos tais jornalões, além de infectar a internet.
    O cara está se lixando para a ONU, a OEA e a totalidade de países do mundo que condenaram o golpe.
    Aliás, está se lixando para a verdade factual, pois mente com a maior candura. E ainda acredita em uma “uma mestre em direito internacional da USP” televisiva, sem perceber que outros mestres, muito mais respeitáveis, discordam da afoita mocinha. Recomendo a leitura do artigo de Pedro Estevam Serrano, doutor em Direito do Estado e professor de direito constitucional da PUC, publicado hoje (30/09) na Folha de SP. Título: “Constituição hondurenha não justifica o golpe”.

  3. 3 Fábio Dias Moreira 01/10/2009 às 7:33 pm

    Quando começou esse imbróglio todo eu fiquei meio receoso, especialmente adas as brigas recentes aqui na América Latina sobre limites de reeleição e tal. Mas cortar a eletricidade e a água de uma representação estrangeira? A essa altura, eu acho que nenhum dos dois governos presta; eu só espero que essa história acabe sem muito sangue.

    O que eu fico chocado mesmo é que eu semi-esperava que no dia seguinte ao corte de água e luz eu visse em alguma manchete de jornal a expressão “Convenção de Viena” — se as Honduras realmente se sentem tão incomodadas com o Brasil estar considerando conceder refúgio ao Zelaya, elas certamente têm o direito de romper laços diplomáticos com o Brasil — mas ameaçar invadir uma embaixada? Eu acho difícil violar um tratado internacional de forma mais gritante. Esse episódio me lembra porque eu desisti de ler jornal há um tempo atrás…

  4. 4 Daniel Brazil 02/10/2009 às 3:30 am

    É por aí, Fabio. Não é uma questão de defender Zelaya – que não é flor que se cheire – mas de atentar minimamente para as regras do jogo. O cara tentou fazer um plebiscito (os anti-democráticos tem horror a plebiscito, por definição) que iria propor a reeleição dos próximos presidentes, não ele. Aí deram o golpe, indesculpável sob qualquer aspecto.
    No Brasil, FHC comprou deputados para alterar a Constituição e prorrogar o próprio mandato. Não houve golpe militar por causa disso. E se houvesse, eu seria contra, mesmo detestando FHC. Governo tem de ser eleito periodicamente, ponto final.

  5. 5 Hugo Brasil 04/10/2009 às 9:40 pm

    Plesbicito não é democratico.

    Na presente questão de Honduras pior ainda.

    Na forma que foi colocado era dividir o país em quem era a favor de Zelaya , e quem era contra.

    Sendo que dois poderes republicanos eram contra num rol de tres.

    Se vencesse o sim à reeleição, ele estava eleito, caso perdesse nada mudava, e ele saia, como era previsto.

    Essa tecnica Chavista é amplamente conhecida atraves de Bolivia e Eguador, a mesma que dividiu a Venezuela no ultimo “plesbicito democratico” do xará Hugo, em que mesmo derrotado no primeiro, insistiu no segundo, e venceu pela margem de erro.

    E fechou radios, televisões e jornais.

    Plesbicito não é democracia, nunca foi, não confere representação a todas as matizes da sociedade, pois apenas determina quem é “Sim” e quem é “Não”, tolo pensar o contrario.

    Preferivel uma ampla negociação no legislativo, mesmo que comprada, do que golpe branco que queria o senhor Zelaya.

    Se em novembro as eleições forem livres, e assumir um presidente eleito, vou rir de Celso Amorim, Marco top-top e Lula.

    O papel que o Brasil desempenhou nesse episodio foi ridiculo.

  6. 6 Hugo Brasil 04/10/2009 às 9:53 pm

    Alias.

    Nunca fiquei surpreso pelo acontecido.

    Nada que não fosse previsto no Forum de São Paulo, o qual a diplomacia brasileira no presente momento, não tem a menor vergonha em seguir.

    Interferir em assuntos internos de outros paises, nunca foi a nossa tradição e nem deveria ser, em razão do nosso retrospecto.

    Totalmente envergonhado dos rumos atuais do Itamarati.

  7. 7 Daniel Brazil 05/10/2009 às 2:18 am

    Não entendo o que você quer dizer com “interferir”. Dar abrigo a refugiados políticos faz parte do código internacional, é rotina no mundo civilizado.
    “Em razão do nosso retrospecto” também não é bom argumento. Pelo mesmo motivo, não deveríamos ganhar a Copa do mundo de 58, abrigar uma Olimpíada ou abolir a escravidão. As coisas mudam, o mundo gira…
    Plebiscito vem da Grécia, e é um dos pilares da democracia direta. Quem fica contente com a democracia meramente representativa deve adorar os congressistas de Brasilia. Não é o meu caso.
    E, antes disso tudo, há uma profunda desinformação em nossa imprensa sobre o plebiscito que Zelaya tentou propor. Tratava da permissão para reeleição (coisa que o Brasil e meio mundo praticam, certo?), mas só teria validade para o próximo presidente. Ele não seria beneficiado. Curioso, não?
    Zelaya sofreu um golpe por tentar mudar a Constituição, deixando-a igual ao dos EUA, p.ex. FHC mudou a Constituição brasileira, aprovou (comprou) a própria reeleição, e ninguém pensou em dar (ou apoiar) um golpe contra o distinto. Teria sido mais democrático se fizesse um plebiscito, não te parece?

  8. 8 Daniel Brazil 05/10/2009 às 2:20 am

    Ôpa, notei depois que você já respondeu minha última pergunta. Prefere a corrupção. Sinto, mas eu não.

  9. 9 Hugo Brasil 05/10/2009 às 10:54 pm

    Dar abrigo a refugiados políticos faz parte do código internacional, é rotina no mundo civilizado.

    Dar abrigo, não significa dar-lhe um microfone e leva-lo ao terraço.

    Dar-lhe abrigo, significa protege-lo e tira-lo de lá, não um palanque.

    Aponte um unico exemplo dessa atitude, e posso dar-lhe alguma razão.

  10. 10 Daniel Brazil 06/10/2009 às 12:36 am

    Cortar a palavra de Zelaya e impedi-lo de falar seria o mesmo que considerá-lo preso, certo?
    Se o Brasil o reconhece com presidente legítimo, como impedi-lo de se manifestar? Isto sim, seria interferir na política de outro país.
    Ainda assim, de forma inteligente, pediu que ele não incitasse rebeliões. Ação muito civilizada, na minha opinião.

  11. 11 Hugo Brasil 07/10/2009 às 1:57 am

    Errado.

    Ele estava preso pela constituição do país que presidia.

    Um presidente que não segue a constituição, merece o que?

  12. 12 Hugo Brasil 07/10/2009 às 1:59 am

    E o Brasil.

    Porque tem que se meter numa republica de bananas?

    Desculpe amigo, voce esta sendo mais PT que lógico.

  13. 13 Daniel Brazil 07/10/2009 às 2:16 am

    Ele não estava nem nunca esteve preso, Hugo.
    Lembra do Collor, ou do Nixon? Um presidente que não segue a constituição passa por um processo de impeachment. Afinal, você mesmo disse que prefere “uma ampla negociação no legislativo”, certo?

  14. 14 Daniel Brazil 07/10/2009 às 2:33 am

    Você parte do pressuposto – negado pelo governo brasileiro – de que o Brasil está “interferindo”. Primeira premissa errada. O que te faz crer no contrário? O que seria “não interferir”, entregar Zelaya aos carrascos?

    Você acha que a Itália interferiu em nossa politica interna quando deu abrigo a brasileiros na embaixada chilena, durante o pinochetazo? Pergunte ao José Serra, entre outros, se ele não agradece o asilo.

    “República de bananas”? Segunda premissa errada. Nações são nações, maiores ou menores. Assim éramos chamados, até alguns anos atrás. Você concordava? Eu não.

    “Sendo mais PT que lógico”? Terceira premissa errada. Não sou filiado ao PT, e estou argumentando apenas com a minha lógica.

  15. 15 Hugo Brasil 09/10/2009 às 1:30 am

    Caro amigo, voce esqueceu de ler a constituição de Honduras.

    Coisa que fiz.

    “passa por um processo de impeachment.”

    Esse detalhe não existe na constituição hondurenha.

    Simples assim.

  16. 16 Hugo Brasil 09/10/2009 às 1:36 am

    O Tarso Genro.

    Interferiu nas cortes européias quando deu asilo ao criminoso Battisti.

    A nossa politica externa, passaou do ridiculo para o grotesco.

  17. 17 Daniel Brazil 09/10/2009 às 3:04 am

    Puxa, você se deu ao trabalho de ler a Constituição de Honduras? Parabéns, deve estar com bastante tempo livre!
    Me baseei em opiniões de juristas reconhecidos, conforme citei acima. Espero que você tenha lido o artigo que indiquei, no primeiro comentário.
    Sugiro que você abra um blog e publique lá tuas opiniões, meu caro! Tua adjetivação não é ponderada, mas meramente ofensiva. Cheira a partidarismo barato, o que não me interessa nem um pouco. Existem opiniões contra e a favor da extradição de Battisti, emitidas geralmente por gente que não entende lhufas de direito internacional. Briga de direita contra esquerda, na base do achômetro, sempre acaba em baixo nível. Aliás, Batistti não está “asilado”, mas preso.

    Vamos por um ponto final nesta conversa? Ficamos assim: Eu fico com a ONU, a OEA e todos os países democráticos do mundo. Você está com… quem, mesmo?


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