Arquivo para setembro \13\-02:00 2009



Desde que seja Um Que Tenha!

E, para sorte de todos os amantes da música brasileira, o Um Que Tenha está de volta!

O maior acervo virtual da rede está novamente acessível, depois de resistir a pressões corporativas (& interesses comerciais) para que deixasse de divulgar a nossa música.

O acesso aos bens culturais é (ou deveria ser) direito garantido pela Constituição. E poucos bens nos fazem tão bem quanto a música brasileira. Um abraço, Fulano!

Chegada em Erice

No final de julho, depois de visitar mana Manu em Paris, fui encontrar a Carmen na Sicilia. Viagem tranquila até Palermo, com escala em Roma. A descida na ensolarada ilha revela aos olhos do turista brasileiro um “Nordeste italiano”. Aqui como lá, pobreza e beleza andam juntas, em paisagens magníficas.

A terra seca e avermelhada, cercada pelo mar de um azul vertiginoso, é coberta por pouca vegetação, quase nua. Aqui e ali, oliveiras retorcidas. Alguns carneiros e  cabras no horizonte. Não vi um boi em uma semana de viagem, rodando pela ilha de ponta a ponta.

Palermo é grande e moderna, mas conheci só de passagem. Rumei para Trapani, na costa tirrena. Ali me defrontei com a primeira das maravilhas que a Sicilia me proporcionou: Erice.

Erice pan

Um castelo no alto de uma montanha. Isto é Erice, cidadela construída entre os séculos VIII e XII, por onde se chega subindo uma estrada estreita e tortuosa. Lá embaixo, Trapani e o Mediterrâneo, de um lado. O interior da Sicilia, do outro.

pan Trapani

Pan Castelo

Erice é toda de pedra, com ruas estreitas, muitas das quais não comportam a passagem de um automóvel. Lugar para andar a pé, admirando as vielas, igrejas, torres e casas com muitos séculos de história em seus vãos.

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Perambulei pelas ruas até o anoitecer. Mais que o impacto visual, me pareceu ouvir em cada beco o despertar dos fantasmas, de nobres e princesas, de mouros e cristãos. Camadas de histórias, muitas não escritas. E a primeira noite foi inesquecível, depois eu conto!

Cão em Erice

Lembrando Quintana

Como seriam belas as estátuas equestres se constassem apenas dos cavalos! (Mário Quintana)

Le Cheval

Fim de tarde em Montmartre

Primeiro, uma trilha sonora. Clique e, enquanto ouve, vá passeando!

Esta canção faz parte do cenário parisiense. Em Montmartre, bairro boêmio, pode ser ouvida o dia todo, pelos mais diversos instrumentos.

MúsicosMontmartre

Le Chat Noir

Paris  53

É espantosa a quantidade de artistas de rua, de todos os tipos. De músicos a malabaristas, de retratistas a mímicos. É verão, e nas ruas coloridas do bairro misturam-se estudantes, flâneurs e turistas de todo o planeta.

Paris  57

Paris  60

Paris  64

No fim da tarde sentei numa mesinha na calçada, bem no centro do agito, e revisei a história do mundo, do pintor Lênio Braga e da família Brazil com a mana Manuela. Depois de vários pression (o sol se põe às 21 horas, nesta época), flagrei um homem tentando atravessar um muro…

Paris  65

E já que você chegou até aqui, passeie também pelo Sena, para se despedir da Cidade-Luz. Ela voltará ao Fósforo, mas ligada a outros assuntos, sem preocupação cronológica.

Paris  94

Paris  81

Paris  102

Paris  92

Sena e Eiffel

Próxima parada, a ensolarada Sicilia!

Encontro com Tarzan

Sempre tive vontade de conhecer o Museu do Homem, em Paris.

Reservei o terceiro dia na cidade para ver de perto alguns dos tesouros  que conheço de cor, desde menino, através de livros e ilustrações. Vejam bem como era importante para mim: deixei o Louvre para outra viagem!

Imagine a minha decepção ao encontrar o museu fechado, em reformas. Vendo minha cara de tacho etnográfico, o porteiro gentilmente me sugeriu o Museu do Quai Branly, onde eu poderia ver parte da coleção.

Paris Branly 10

Trata-se de um dos museus mais modernos da França. Arquitetura sinuosa e orgânica, largas áreas de iluminação natural filtrada por plantas, painéis interativos, vídeos e sons gravados ao lado de cada coleção, com interfaces de fácil manuseio e fones de ouvido confortáveis. A exposição permanente abriga peças de culturas primitivas não-européias, com um belíssimo conjunto de instrumentos musicais e cerimoniais, vestuário, adereços, utensílios e esculturas.

Paris Branly 01

Paris Branly 02

No piso de exposições temporárias, encontrei nada menos que o Tarzan! Trechos de filmes históricos, desenhos originais de Hal Foster, Burne Hogarth e Russ Manning, análises antropológicas, psicológicas e estéticas sobre o Rei dos Macacos. E claro, Johnny Weissmuller e Maureen O’Hara…

Tarzan

A exposição proporciona uma boa discussão sobre colonialismo, racismo e eurocentrismo, e dialoga muito bem com o acervo permanente do Quai Branly. Basta passar de um piso a outro para ver que o criador, Edgar Rice Burroughs, não fez a mínima pesquisa para compor seu personagem. Aliás, ele nunca pisou na África…

Depois de algumas horas imerso num mundo quase mágico, voltar para as ruas quentes da cidade foi bem curioso. Cada africano que cruzava meu caminho – e há muitos em Paris! – me levavam a pensar nas coisas que tinha acabado de ver. E, sim, acabei passando no Louvre, mas para refrescar os pés no espelho dágua, de forma tribal, junto à Pirâmide…

Paris  86

(a seguir, Montmartre. Uh la lá!)

Intervalo para uma cachacinha

Passei o último fim de semana trabalhando em Atibaia,  interior de São Paulo, e uma conversa de fim de noite me fez abrir uma pausa na saga francesa e retornar para o Brasil, aqui no Fósforo. Mais precisamente para Minas Gerais, ali perto do Triângulo, onde a seriema canta no fim da tarde, e o tamanduá-bandeira se espreguiça e vai atrás de um cupinzeiro.

Seriema cópia

Foi em julho, inda agorinha. Depois de passar um dia e uma noite em Passos, onde conheci o famoso Pintado D’Ouro, restaurante especializado em peixes de rio (petisquei uma traíra sem espinho sensacional!), anunciei na mesa que iria para Divinópolis no dia seguinte.

Depois de falar meia hora sobre a terra de Adélia Prado, meus anfitriões contaram a história do Café dos Motoristas. Um boteco que fica no meio da estrada, perto da represa de Furnas, que faz sucesso há mais de 50 anos servindo café e pão com lingüiça para os viajantes. Disseram que era imperdível, e coisa e tal.

Não resisto a um folclore. Dia seguinte, cedinho estava na estrada. Mal toquei no café da manhã do hotel, pensando no recomendado. Cheguei lá por volta das 9 horas, varado de fome. E vi que o tal quiosque tinha se transformado num lugar enorme, lotado e cheio de penduricalhos.

Café Motoristas

Tudo leva a grife Café dos Motoristas. Geléias, compotas, goiabadas e doces-de-leite. Até mesmo uma surpreendente cachaça, que fiz questão de trazer pro Paulo W, colecionador de garrafas e de causos.

Café dos Motoristas

Tive um amigo que tomava pinga com sucrilhos no café da manhã. Morreu de cirrose, claro. Iria adorar uma cachaça chamada Café dos Motoristas…


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