Filme brasileiro tem público?

Nós, do CINEMA NA RUA, temos a resposta pronta e testada nas ruas: sim! É incrível como a atenção do público por uma boa história ainda dispensa os milhões em efeitos especiais, tiros, perseguições de automóveis e outros clichês do cinemão comercial.

Após 12 sessões, onde o menor público rolou numa noite de temporal (e mesmo assim encheu mais da metade da sala), temos certeza de que uma narrativa bem amarrada é tudo. Filmes feitos com poucos recursos, mas contando com o talento de atores e diretores empenhados em contar uma história envolvente, demonstraram sua eficácia. De Passagem (Ricardo Elias), filmado na periferia de São Paulo, agradou de cara ao público do M’boi Mirim e Capão Redondo. Chega de Saudade (Lais Bodanzky) envolve pela música e pela temática: conquistou o público de mais idade. Narradores de Javé (Eliane Caffé) diverte, mesmo que algumas frases e trocadilhos proferidos pelo ótimo José Dumont não sejam percebidos pelo público. O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (Cao Hamburguer), não é exatamente um filme infantil, mas polarizou a atenção de uma meninada inquieta, que acabara de assistir Tainá 2 (Mauro Lima) na primeira sessão.

Tainá 2, aliás, é um sucesso absoluto. Não é fácil achar filmes brasileiros de qualidade voltados para o público infanto-juvenil. Durante a montagem da tenda, as crianças perguntavam com insistência o que ia ser exibido. Ao ouvir “Tainá”, as reações eram de surpresa e alegria. “Oba, já vi três vezes, quero ver de novo” ou “nunca vi no cinema!”.

Pequenas Histórias (Helvécio Ratton) propõe um ritmo mais lento de narrativa. Seus episódios misturam humor, suspense e observações sobre o cotidiano do mundo rural. Sem empolgar tanto quanto Tainá, mantém a atenção dos mais jovens. Fica evidente que é preciso estimular a produção e veiculação de produções destinadas ao público infanto-juvenil. Neste campo, o Brasil tem perdido terreno há décadas para a produção estrangeira, com exceções pontuais. E na faixa etária que mais cresce no país!

Nesta semana, no Campo Limpo, estrearemos novos títulos: O Milagre de Santa Luzia (Sérgio Roizenblit), documentário sobre a sanfona e os sanfoneiros, Os 12 Trabalhos (Ricardo Elias), a dura vida de um motoboy iniciante, Uma Onda no Ar (Helvécio Ratton), sobre as dificuldades de uma rádio comunitária na favela, e o premiado Estômago (Marcos Jorge), que enfoca um nordestino que vem para o Sul trabalhar como cozinheiro. Pra completar, o documentário Fiel, sobre a torcida corintiana, terá a presença da diretora Andréa Pasquini e do diretor de fotografia Luiz Miyasaka, para um bate-papo com o público do Campo Limpo. É só conferir!

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2 Responses to “Filme brasileiro tem público?”


  1. 1 akio 24/11/2009 às 10:27 am

    É uma bela iniciativa de percorrer bairros da periferia para
    exibição de filmes brasileiros. Poderiam também exibir em escolas
    públicas(deveriam ter uma salinha), Se o povo não vai assistir ao cinema, este, tem que ir ao povo. É claro, poderiam variar com filmes de fora: Charles Chaplin, Buster Keaton, Harold Loyd e outros culturalmente viáveis.
    Akio

  2. 2 Daniel Brazil 24/11/2009 às 11:33 am

    É isso aí, Akio. O gargalo da distribuição, no Brasil, faz com que muitos filmes bons não sejam vistos. Além do alto custo do ingresso, lógico.
    Como nosso circuito é absolutamente legal, pagamos os direitos de exibição de cada filme. Nada contras as obras primas mundiais, mas preferimos que este dinheirinho fique no Brasil e estimule novas produções.


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