O retorno de Woody Allen

Na semana passada tive o prazer de assistir o último filme de Woody Allen, apresentado na abertura da mostra que apresenta toda sua obra em retrospectiva, no CCBB de São Paulo.

Depois de um giro pela Europa nos últimos anos, onde o lado Zelig do cineasta fez com que realizasse obras hitchcoquianas em Londres e almodovarianas em Barcelona, o retorno a Nova York não poderia ser mais previsível.

Temos um velho ranzinza e neurótico, cheio de observações corrosivas sobre tudo, que se envolve com uma jovem burrinha, recém chegada à cidade (Imagino a pergunta ecoando no teu cérebro nesse momento: “Ah, não, de novo?”). Como Woody já passou dos 70, convocou outro ator para encarná-lo. Também velho, judeu e neurastênico: Larry David.

O que há de novo, então? Humor rasgado, cínico, inteligente, em situações que beiram o absurdo. Há muito tempo WA não fazia um filme tão engraçado. Reforça as provocações comportamentais constantes em sua obra, sobre casamentos, opções sexuais, religião e laços familiares. O lugar comum é tratado a pontapés, e regado por doses de sarcasmo.

Só há um chavão: o final feliz, aliás já indicado pelo título brasileiro: Tudo Pode Dar Certo. Mesmo que o físico doidão vivido por David lá pelas tantas tente o suicídio, é um filme que termina pra cima, com alto astral, numa utópica confraternização de contrários.

Sei lá, acho que aí há alguma ironia que não percebi. Mas adorei o filme. Bem vindo a NY, Woody. E nunca mais saia daí!

PS: O filme entra em cartaz em janeiro de 2010. Este aí em cima é o cartaz francês, menos egocêntrico que o original americano, onde só aparece o ator. Retrata o momento em que Boris tenta explicar física quântica para a jovem apaixonada. Carmen, minha doutora em física particular, riu muito!

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3 Responses to “O retorno de Woody Allen”


  1. 1 Carmen 24/11/2009 às 1:34 am

    Ah, Daniel, deixa ele dar umas voltinhas de vez em quando pelo mundo, gostei bastante tanto de Match Point como de Vicky Cristina Barcelona. Não tem curiosidade de saber como seria um Woody Allen Kurosawanio?
    Mas vc tem razão, ri muito com esse último, onde o personagem central é um (ex, acho) físico especialista em teoria de cordas. Ri como há muito tempo não ria no cinema. Podem todos anotar na agenda, vale a pena.
    E agradeço publicamente a Flor, que nos proporcionou esse momento. Como parte da equipe que produziu a amostra, nos deu esse belo presente.

  2. 2 Daniel Brazil 24/11/2009 às 1:55 am

    Lembrou bem, Carmen. A produção da mostra ficou a cargo da Sobretudo Produções, do Rio de Janeiro. Um trabalho primoroso, que resultou num catálogo que é uma bíblia, a partir de agora, para os fãs de Woddy Allen. Parabéns ao Angelo Defanti e toda sua equipe. E um beijo especial para a Maria Flor, claro!

  3. 3 Florita 06/12/2009 às 3:10 am

    Woody Allen é pura elegância.
    Adorei que vocês adoraram!


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