Arquivo para dezembro \20\UTC 2009

Um pintor de domingo

Van Gogh combina com domingo? Não sei. Certamente ele não era um pintor domingueiro, mas um artista angustiado em busca da cor absoluta, da paisagem interior, da expressão (impressão?) inovadora. E foi a campo com tela, tintas e pincéis em busca de suas obsessões, inclusive aos domingos.

Morreu pobre, nunca vendeu um quadro. Ou melhor, seu irmão Theo comprou dois, para ajudá-lo. Sua vida trágica ajudou a catapultar sua fama através do século XX. Ai de nós, que querendo ser modernos valorizamos aspectos tão românticos do século anterior…

E quando todas aquelas imagens dos livros nos parecem familiares, eis que surgem novas. Estupendas. Capazes de fazer nossos olhos cansados se arregalarem diante de tanto brilho e frescor. Veja, por exemplo, a exposição de 70 obras do holandês, desta vez na Suiça, aquele país que proibiu a construção de minaretes.

Vincent cresce, e parece disposto a surpreender também o século XXI.

Campanha

O episódio César Benjamin detonou um processo de cancelamento de assinaturas (do qual participei) e uma execração geral da Falha de SP na blogosfera. Espontaneamente surgiu uma campanha contra o jornalão que, para ser coerente, deveria ser impresso com páginas marrons.
O humor não poderia faltar, nessas horas. Mas a direção da Falha não entendeu assim. Está notificando judicialmente os blogs que ostentam esses ícones.

Vamos multiplicar? Quem tem blog, página ou site, publique. Se a lei permite campanha mentirosa de vendas, por que não permite uma campanha de contra-vendas, em defesa da saúde pública?

Pra que serve arte?

A pergunta não é nova. Os gregos já se preocupavam com isso, e criaram conceitos e parâmetros que até hoje influenciam. De modo geral, aceitamos pacificamente a arte clássica, romântica e até moderna (da primeira metade do século XX), e torcemos o nariz para a arte contemporânea. Ou mitificamos, de forma deslumbrada.

Bom, arte serve pra provocar discussão. E um de meus provocadores favoritos, o Walter Carrilho, tascou gasolina na fogueira que destruiu as obras de Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro.  O primeiro post que escreveu sobre o candente assunto bateu recordes de mensagens indignadas. É divertido ler os comentários. Dá uma boa idéia do nível mental dos defensores e detratores da arte atual. Gente que vai à Bienal porque é “in”, gente que não vai porque é “lixo”. Aqui e ali algum comentário menos ridículo prova que a velha discussão ainda não está morta, apesar de meio soterrada pela vulgaridade.

O post foi tão polêmico que provocou um segundo, não menos provocador. Não dá pra concordar com tudo que Carrilho fala, mas é inegável a sua capacidade de futucar certos conceitos e pré-conceitos que circulam pela praça.

Eu, que sou um cara meio antigo, fico com a definição dicionarizada (que vem lá dos gregos): “Arte é tudo aquilo feito pelo homem com a intenção de provocar uma emoção de ordem estética.” E mantenho minha curiosidade sobre o experimental. Vou à Bienal (não estive na última, confesso), desde menino. Espaço de investigação de fronteiras, de tentativas de respostas para a pergunta que abre este post. 90% vai pro lixo, claro. Mas quem só gosta de arte consagrada, sacramentada e assinada pelo status quo, que vá ao museu, certo?

(As obras que ilustram este post são de Helio Oiticica. No alto, a instalação Cosmococas. Acima, um parangolé.)

As garotas do spam

Digna Evita, Coralie Bruna, Conception Norman, Evita Rosalva, Chelsea Julieta, Florentina Janita, Latrina Christal, Joette Youlanda, Kendal Charlene, Asdasda Drozdrowski, Alysia Hannelore, Argo Inlow, Ciera Lashawnda, Zandra Sulema, Arvilla Leonida, Tal Khoo, Phuong Midllemiss, Kauri Rajavy, Cuong Jeong, Marieke Schifke, Thanh Beulah, Latoyia Marnie, Charitie Jamie, Lorene Wironen, Karla Karla, Eufemia Brett, Adelina Clora, Latricia Aracely, Lolita Shelia, Drema Felisha, Shawnda Jovita, Carmel Moon, Kera Kiera, Eulah Shemeka, Ceola Terrie, Gerda LaRonge, Anglea Verda, Carmella Usha, Apolonia Vivien, Julieta Sonya, Bathke Carlita, Dung Constance, Stephanie Mathilda, Jerrica Jin, Atteberry Armandina, Sumerix Emmy, Angila Jeanice, Jamika Usha, April Ethel, Inez Charleen, Rosina Georgetta, Suzie Leonia, Sasha Orloff, Marylynn Librada, Chara Missy, Jana Lorna, Dollie Zulema, Kourtney Trang, Lynnette Luiza, Leslee Geralyn, Sarita Santi, Pennie Tarra, Harriette Pok, Hanh Claribel, Mikki Eugene, Elyse Nydia, Jacquiline Rasulo, Tamala Amie, Pryde Manzo, Catina Dotty, Myrtle Estrella, Shelley Maybelle, Vena Polaco, Yasmine Myrtis, Felica Katina, Gayle Curboy, Marjorie Abigail, Gwenda Nina, Hannelore Hasheeda, Philomena Lucila, Karly Inocencia, Wendi Catrina, Debrah Laila, Consuelo Michal, Ebony Lashaunda, Felecia Olevia, Justine Latanya, Vanita Hyun, Sheena Arnita, Sade Hwa, Alaina Devorah, Serafina Tillie, Sharmaine Mirtha, Hana Freda, Queenie Jenette, Angila Janelle, Terrell Shondra, Stefania Felicidad, Coreen Rachal, Moon Vena, Cathi Shu, Shanta Delena, Carlena Arla, Lavon Lucilla, Charity Paige, Jamee Velva, Tish Trena, Elvia Yukiko, Sade Angelia, Cammie Maricruz, Elvia Emmy, Bronwyn America, Magda Ardella, Lolita Yulanda, Nedra Dara, Margaret Juliette, Matilda Sun, Coral Laurinda, Davina Dominga, Rufina Jeremy, Cornelia Lourdes, Krystyna Georgiana, Lily Jimenez, Dorethea Trinity, Shakita Ellis, Sarita Stephani, Lucila Agripina, Thuy Esperanza, Kimberely Robbie, Davida Argélia, Bethel Cândida, Su Margarette, Sung Michaela, Nereida Pam, Faustina Brigid, Lakenia Jesica, Dorie Latosha, Nam Delfina, Twana Shawnta, Blythe Devorah, Porsche Lesha, Venus Teri, January Goldie, Josefa Paris, Era Cleora, Stephenie Michaela, Princess Milla, Sacha Cherrie, Venetta Cassie, Lois Omega, Sammie Inga, Fern Sabina, Bertha Era, e, claro, Latrina Shakita.

Não sei quem são estas moças, que me enviam semanalmente spams prometendo ofertas incríveis de Viagra, Cialis e Levitra, Penis Enlargerment Pills, réplicas suíças de Rolex, Bretling e bobagens similares.

Até desconfio de que não são moças de poéticos e engraçados nomes, mas um mero programinha embaralhador de nomes e prenomes supostamente femininos.

Mesmo assim, Tish Trena (“Enlarge your penis!”), não quero mais saber de você. Saiba, querida Latrina, que você deve ter mau hálito. Digna Evita, volte para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Felecia, querida, hoje não!

(Vocês, mulheres, não sabem o que um homem conectado sofre!)

Bola da Vez

Tá, sei que ando meio relapso na postagem de textos aqui no Fósforo. As velhas desculpas continuam valendo. Te pouparei da repetição.

Atualização rápida:

Estou às voltas com El Quijote, final de edição. Cancelamos a assinatura da Falha de SP, sem nenhuma dor. Jornalismo de esgoto não entra mais aqui em casa. Tenho trabalhado todos os fins de semana no Cinema na Rua. Li o emocionado e emocionante livro de poemas do Alípio Freire, Estação Paraíso. Ouvi muito o violão & clarineta de Marcelo & Rosa, o duo Violeta, de quem falarei em breve. Estive em Itu no início de novembro. Preparei uma salada tailandesa de camarão, manga e kani para velhos amigos da ECA, aqui em casa. Estou devendo relatos sobre Verona e Florença. Tomei muita chuva.

E convido todos para o lançamento de um livro do qual conheço apenas alguns capítulos, e estou babando pra ler de ponta a ponta. Um romance-policial-feito-de-contos cujo cenário é o Bixiga, em São Paulo, escrito por Fábio Brazil. O cara mexe com literatura e dança, é poeta-ativista, e lança seu primeiro trabalho em prosa. Escreve bem pra burro, o primo Fábio!

Neste domingo, dia 6 de dezembro, a partir das 10 horas da manhã, no coreto da praça Don Orione, no Bixiga (onde rola a feirinha de antiguidades & tranqueiras). O Duo Violeta fará apresentação especial! Fábio promete ficar até as 14 horas.  Depois disso, talvez esteja no boteco mais próximo…

Passarei lá pela manhã e correrei para o Cinema na Rua, lá no Campo da Erundina, no M’Boi Mirim. Não sabe o que é isso? Leia o post anterior!