Verona, 2009

(O segundo semestre de 2009 foi tão agitado que acabei nem contando aqui alguns causos da viagem que fiz em julho/agosto. Entre eles, está a ida a Verona, terra dos bisavós da Carmen. Aqui vai, copiado diretamente do diário de bordo, sem cortes ou adições.)

Ainda hospedados em Milão, pegamos o trem para um dia em Verona. A estação de trens de Milão é gigantesca, e recém reformada. Parece maior que a de Roma, e daqui saem trens para toda a Europa. Viajantes de todas as nacionalidades brigam com as máquinas de emissão de bilhetes. Ou resmungam, em todos os dialetos, na fila de atendimento da Trenitalia. Movimento maior que o de muitos aeroportos, só falta o check-in e o raio X.

Em menos de duas horas chegamos a Verona. A Arena, anfiteatro onde gladiadores se digladiavam (eis um autêntico pleonasmo!) e cristãos serviam de aperitivo a leões no século I hoje é palco de shows, concertos e óperas. Estava cercada de alegorias egípcias, esfinges enormes e pirâmides, como se estivéssemos na área de dispersão do Sambódromo. Não precisei ser muito esperto pra descobrir que na noite anterior haviam encenado a Aída de Verdi.

Olha o cenário colocado no coliseum!

O Castelvecchio é hoje um imponente museu, ao lado do rio Adige. Castelo de verdade, com fosso (sem jacarés), ameias, muralhas, seteiras, passagens estreitas e grandes salões. Abriga obras de várias épocas, armas e barões assinalados, obras medievais, renascentistas, clássicas e românticas. Uma bela coleção de Correggio, alguns flamencos (dois Rubens!).

Perambulamos pelo centro histórico, visitando as chiesas. Pra variar, calor de derreter cavaleiro medieval.  De repente, uma multidão aglomerada num vicolo, com máquinas fotográficas disparando freneticamente. A casa de Giulietta, vejam só! Carmen subiu no famoso balcão, registrei.

Obviamente, é tudo falso. Os dois personagens inventados por Shakespeare são os nomes mais célebres de Verona, e estão em camisetas, broches, pratos, chaveiros, guardanapos e CDs. Na rua, flautistas e acordeonistas tocam o tema do filme de Zefirelli. Um pesadelo kitsch, piorado por uma exposição de um artista moderninho, que encheu a casa da Julieta de intervenções e obras como um Romeu grávido e dois esqueletos transando… Existe também a Casa de Romeu e a tumba de Julieta, fora das muralhas da cidade, para quem se interessar. Tomamos outro rumo.

Subimos na torre Lamberti, a mais alta de Verona, construída no século 12. No momento em que chegamos ao topo, o sino bateu 2 horas, deixando surdos todos os que ali estavam.  Minha cabeça ficou tinindo por uns 15 minutos, até voltar ao chão. Ainda fomos à Ponte Pietra e ao Teatro Romano, também palco de encenações atuais.

Valeu a viagem. Verona ficará na lembrança por muito mais tempo que as maledettas badaladas. Voltamos a Milão cansados, mas felizes como dois jovens personagens shakespearianos. Ciao, Lombardia! Rumo à Toscana.

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2 Responses to “Verona, 2009”


  1. 1 Daniel Zandonadi 16/01/2010 às 2:42 pm

    Adorei teu blog, xará. A propósito, emocionei-me deveras ao ver as fotos de Verona, pois meus bisavós são de Treviso, também uma cidade do interior do Vêneto.

    Voltarei aqui com certeza, enquanto não viajo pela Sereníssima República de Veneza ;^)

    Abraços!

  2. 2 Daniel Brazil 17/01/2010 às 12:06 am

    Xará!!! Você pratica a grammatica do desvio, publica receitas, indica Música com MMM e ainda fotografa Venda Nova dos Imigrantes?!?
    Já tá linkado nos meus favoritos!


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