Os Davis de Florença

(Florença, 31/07/2009)

Viagem tranqüila, trem pontual. Um simpático e idoso casal puxa conversa.  São austríacos, mas moram nos EUA. Globe trotters, viveram no Chile, conhecem o Brasil. Arregalam os olhos quando relembram sua maior emoção: “Iguazu Falls is terrific!”. Deve ser mesmo, um dia ainda irei lá.

Pra variar, em Florença faz um calor maquiavélico, dantesco! (maneira pouco sutil de introduzir dois personagens locais). Nosso consumo de acqua frizzante está nos hectolitros. Pela primeira vez nessa viagem ficamos num hotel, o Bocaccio, pertinho da estação e do centro histórico.

Como já eram mais de onze, compramos ingressos para a Galeria Degli Uffizi para o dia seguinte, prometendo estar lá na primeira hora. Zanzamos pela cidade, entre castelos e vicolos, turistas e camelôs. Por aqui, como no resto da Itália, Pinocchios de todos os tamanhos são vendidos como lembrança. Deve ser um símbolo nacional, na terra de Berlusconi.

No mercado histórico há uma estátua em bronze de um javali. Diz a lenda que quem põe uma moeda na sua boca tem sorte e fortuna. Uma versão mais mão-de-vaca diz que basta passar a mão no nariz do bicho. Resultado: O corpo todo do animal está escurecido pelo tempo, menos o dourado e brilhante focinho. Vi bronzes humanos com outras partes douradas. Estranhos mitos…

O David de Michelangelo está por toda parte. Em mármore, em bronze, em tecido, em couro, em papel. Em volta, sempre um bando de turistas fotografando, sem se importar se é cópia ou original. Ah, a obra de arte na época dos seus meios de reprodução… Imagino Walter Benjamin no meio dessa bagunça: “A aura, onde está a aura?”

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4 Responses to “Os Davis de Florença”


  1. 1 Daniel Zandonadi 20/01/2010 às 2:15 pm

    Teu blog é muito legal mesmo, você escreve superbem ;^)

    Uma curiosidade: “fósforo” é uma palavra de origem grega e tem um equivalente latino muito interessante. “Phos-, photos” = luz; “-phoros” = aquele que carrega, portador. No latim, luz = “lux, luci-“; portar = “ferre”, portador “-fer”. É só juntar :^D

  2. 2 Daniel Brazil 20/01/2010 às 4:12 pm

    Tua explicação etimológica é excelente. Na verdade, não tenho a pretensão de “portar a luz”, mas a de acender alguns rastilhos 😉
    Volte sempre, xará!

  3. 3 dalila teles veras 21/01/2010 às 11:38 pm

    A “aura” de Florença e de sua arte está justamente naquilo que os turistas não enxergam nem fotogram, no que ela representa para a história da arte, nos seus marcos, na jazigo vazio de Dante, nas disputas de poder dos Medicis, mas também da louvável e meritória “mania” de promover as Belas Artes. Talvez isso possa ser “conferido” na mágica visão que é assistir a um pôr-do-sol, lá no alto, do outro lado do rio Arno, na Piazzale Michelangelo, a cúpula ocre do Duomo Santa Maria del Fiori dominando a paisagem e imaginar Michelangelo, Dante, Giotto, Maquiavel e outros “caras” das mesma estirpe, perambulando por ali, no seu “ócio criativo”. Conte mais de Florença (a Uffizi! ah a estonteante Uffizi!) cidade que visitei (e um dia pretendo revisitar) numa época de poucos turistas (no outono) e que se permitiu ser visitada.
    abraços e admiração da
    dalila

  4. 4 Daniel Brazil 22/01/2010 às 12:53 am

    Voltarei a Florença, cara Dalila! A cidade mais fascinante da Itália vai merecer outros comentários, aguarde. O por-do-sol mais belo do mundo inclusive, com muitas fotos.


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