Êxodos, parte 2

Êxodo, no teatro grego, é a intervenção final do coro, o epílogo, o último comentário sobre o drama encenado. Simbolicamente significa a partida, o adeus, e por isso ganhou o significado moderno ao qual estamos habituados: o dramático movimento de migrantes, no mundo todo, em busca de paz, alimento, trabalho e vida digna.

Por isso, êxodo é também recomeço, o fim de uma etapa e o início de outra. Para o grupo Folias D’Arte, uma travessia dramatúrgica através de um oceano de indagações. A busca permanente. Êxodos – O Eclipse da Terra, estréia nesta quinta-feira, 04/02, promovendo o nobre pacto entre o pesadelo de Sebastião Salgado e o sonho de Gabriel Garcia Marquez.

Na última semana de ensaios, vários trechos foram suprimidos. A peça ficou mais concisa, perdeu uns 30 minutos. Está mais amarrada, mais orgânica, embora jamais utilize recursos fáceis, pré-mastigados, para se fazer entender. Há personagens delirantes, que falam de forma convulsiva, mas passam um recado claro: o mundo não é claro. Como as fotos de Salgado, também o ser humano tem zonas de sombra e de luz. Os personagens de Êxodos são passageiros de uma nau de insensatos, de visionários, de perdedores, que resolvem enfrentar sua última batalha.

Difícil comparar o trabalho dos sete atores, tão envolvidos estiveram na criação e desenvolvimento de seus papéis. O empenho coletivo é evidente, e dá margem a solos impressionantes. Atores experientes, como Patricia Barros, Danilo Grangheia e Val Pires, jovens como Bruna Bressani e Flávia Tavares, revelações como Joana Mattei, que é preparadora corporal do Folias há dez anos e só agora sobe ao palco, e um ótimo ator convidado, o basco Ieltxu Martinez Ortueta, a quem coube a difícil tarefa de conduzir a trama de Êxodos.

O encenador, Marco Antonio Rodrigues, teve o apoio do português Jorge Louraço Figueira, que dividiu o desafio de organizar o texto dramaticamente. A jovem Fernanda Aloi, que foi atriz em Querô, montagem de 2009, assina aqui a cenografia, valorizada pela iluminação de Ericke Busoni. A trilha sonora tem uma função tão marcante que Pedro Simon pode ser considerado o “oitavo passageiro”, tendo até uma participação musical no palco. E como não falar dos  figurinos do Atilio Vaz, a produção da Nani, a assistência da Tati?

Além de gravar ensaios e bastidores, o pessoal do vídeo vai registrar a peça na íntegra. Mais que isso: vamos transmitir pela internet, neste domingo, 07/02, a partir das 20 horas, nos endereços www.galpaodofolias.com.br e www.viatv.com.br.  Quatro câmeras, captação em HD, em wide screen. Experimente o gostinho.

Para viver de perto as emoções de Êxodos, vá ao Galpão do Folias, na Santa Cecilia, em São Paulo. Mas, cuidado: você corre o risco de não querer mais saber de teatro quadradinho e bem comportado!

(fotos: Luiz Miyasaka)

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5 Responses to “Êxodos, parte 2”


  1. 1 paulow 05/02/2010 às 1:56 am

    Vou ver !!!!!

  2. 2 Daniel Brazil 05/02/2010 às 12:37 pm

    Boa decisão, Paulow. É um trabalho desafiador e instigante!

  3. 3 ieda boaventura 06/02/2010 às 8:55 pm

    Olá, Daniel!
    Na verdade o comentário que tenho a fazer, é que é sempre muito prazeroso ler o que você escreve. Acabo até mesmo me perdendo do assunto e passo simplesmente a me deleitar no ritmo com que você conta as estórias.
    um beijo de sua amiga e fã,
    Ieda.

  4. 4 Daniel Brazil 06/02/2010 às 10:05 pm

    Obrigado, Ieda. É bom ter leitores como você. apareça mais vezes!


  1. 1 Êxodos – um aperitivo! « FÓSFORO Trackback em 05/03/2010 às 10:35 pm

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