Alfinetadas

Algumas expressões surgem de forma inusitada, traduzindo de forma criativa a intenção – geralmente irônica ou jocosa – do emissor. É o caso de alfinetada, que surgiu no mundo da moda há mais de duas décadas, e significa comentário provocativo e crítico, geralmente dirigido a um rival ou concorrente.

Criação oportuna, se adaptou bem ao vocabulário irreverente do segmento. O costureiro Fulano deu alfinetadas em Sicrano, ou seja, cutucou com um instrumento de trabalho, o alfinete. Com o tempo, a expressão passou a ser usada em outras categorias, perdendo a carga semântica original.

Nossa imprensa, cada vez mais pobre de criatividade, adora se lambuzar de lugares comuns. O que foi um dia expressão criativa virou chavão, sinônimo distorcido e empobrecido de “crítica”. É um tal de “Serra alfinetou Lula”, “Dilma alfineta oposição”, “Caetano alfineta jornalista”, “atriz alfineta diretor” e por aí vai.

Hoje li num jornalão paulista a legenda “Secretário geral da FIFA voltou a alfinetar Morumbi”, sob uma foto do estádio. Chegamos ao cúmulo da “idéia fora do lugar”. Será que o velho estádio sentiu as alfinetadas? Não serve nem como metáfora, e só demonstra a pobreza vocabular de nossa encarquilhada imprensa.

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