Glauber e a música

Mexendo nas prateleiras, tropeço no volume Glauber Rocha, Esse Vulcão, de João Carlos Teixeira Gomes. Uma edição de 1997, da Nova Fronteira. Calhamaço com mais de 600 páginas, caudaloso como o personagem retratado. Vou levar pra minha filha, que é amiga da família Rocha, quando for visitá-la no Rio, semana que vem.

Folheando ao acaso, deparei com uma frase interessante, sobre música. “Muito mais do que nos livros, é na música popular brasileira que se encontra a verdadeira história e a verdadeira sociologia do Brasil”. Exagero? Bem, Glauber foi exagerado em tudo que fez, e se não fosse não seria Glauber. Como ele dizia, “A arte tem que ter pretensão. Artista modesto não é artista”.

A relação de Glauber com a música sempre me interessou. Lembro que havia na casa de meu pai o LP com a trilha sonora de Deus e o Diabo na Terra do Sol. Quando vi o filme, já grandinho, sabia de cor as letras de Glauber, musicadas por Sérgio Ricardo. Aquilo soava para mim como uma ópera selvagem e delirante, com direito a intervenções de Villa-Lobos. Fascinante!

Todos conhecem os versos do diálogo cantado “- Se entrega, Corisco! – Eu não me entrego, não! Eu não sou passarinho, pra viver lá na prisão…” A parceria, infelizmente, não se repetiu. Fico imaginando que genial letrista o Brasil perdeu. Vou até escrever um artigo sobre Glauber para a Revista Música Brasileira.  Enquanto isso, fiquem com mais algumas reflexões musicais glauberianas:

– Mozart me revelou Deus.

– Ah, Brasil, de ti vem o óleo da melodia barroca que me alimenta…

– Vamos deixar de lado a Revolução Francesa e a Soviética, para descobrir a feijoada, o carnaval, o frevo. Nossa cultura é a macumba, não a ópera.

– O surrealismo para os povos latino-americanos é o tropicalismo.

– Nós não temos tempo de temer a morte. (frase musicada pelos tropicalistas)

– Como dizia Shakespeare, a história é um tango.

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6 Responses to “Glauber e a música”


  1. 1 Flor 09/04/2010 às 3:46 am

    como já disse H.J.Koellreutter, a natureza é forma.

  2. 2 Daniel Brazil 09/04/2010 às 11:12 am

    Um comentário tipicamente glauberiano!

  3. 4 Daniel Brazil 12/04/2010 às 6:18 pm

    Ha ha ha! Bem, eles tem várias coisas em comum…

  4. 5 Hugo Brasil 19/04/2010 às 10:08 pm

    Sempre achei os filmes do Glauber chatissimos.

    Desculpe.

    Minha opinião.

  5. 6 Daniel Brazil 19/04/2010 às 11:33 pm

    Muita gente acha, Hugo. Pessoalmente, acho os últimos bem chatinhos. Mas lembro de uma frase de um professor, no curso de Cinema:
    – Ninguém mais tenta fazer os filmes que Glauber tentou fazer.


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