A ex-grande imprensa

Sou razoavelmente rodado. Viajo com certa freqüência aos rincões menos conhecidos deste país. Estive e conversei com gente dos cafundós do Amazonas ao interior do Rio Grande do Sul. Em minas de ferro, ouro e carvão, em plantações de cana, em aldeias ribeirinhas, em capitais nordestinas, na periferia de São Paulo, nas praias cariocas, nas rodas de samba, nos meios acadêmicos, em sindicatos, associações e clubes de diversas faixas econômicas.

E posso afirmar que a ignorância grassa, sem distinção de classe. Um jornalista formado na Avenida Paulista não faz nem idéia do que é o sertão do Pajeú e o que mudou por lá nos últimos anos. Um criador de cabras do interior do Piauí não tem a menor idéia dos problemas do Morro do Borel, no Rio. A diferença é que o primeiro finge que sabe (e em geral diz bobagem), enquanto o segundo é mais humilde (talvez mais sábio), e prefere se calar e cuidar de sua vida.

A chamada grande imprensa, além de estar bastante corrompida, é escrita por essa gente muito, muito ignorante. E desinforma o grupo – cada vez menor, dizem os números – de leitores. Não à toa, esta imprensa vem perdendo importância real como formadora de opinião. Isso é péssimo para a democracia e a liberdade de expressão. Faz muita falta no Brasil um veículo de oposição sério, independente, consistente nas críticas. Como se diz no futebol, “duro, mas leal”.

De que adianta bater no Lula de forma maldosa, deselegante, grosseira, enganar meia dúzia de leitores durante anos seguidos, se na vida real o homem passa dos 80% de popularidade? Alguém está errado nesta brincadeira, e não é o povo brasileiro.

Basta ler as seções de cartas editorializadas dos jornalões e revistas semanais para assistir um campeonato de desinformação e má fé. É só escrever qualquer ofensa ou calúnia ao governo federal para ser publicado. Não há necessidade de prova, de fundamento, de coerência. Basta dizer que “esse governo é péssimo para o Brasil”.

Mas o que fazer com os mais de 80% que aprovam Lula? Ah, eles não acompanham a decadência de nossa ex-grande imprensa. Estão em outra, em sintonia com a vida. E esses “escritores de seção de cartas” batem seus preguinhos enferrujados no caixão de uma imprensa moribunda, cada vez mais insignificante. Como declarou a presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), “nós temos que assumir a oposição no Brasil”.

Jogou na lama  o que restava do sonho de uma imprensa imparcial.  Resquiecat in pace.

Anúncios

2 Responses to “A ex-grande imprensa”


  1. 1 Ruggero 26/05/2010 às 5:26 pm

    Vem a calhar um artigo postado anteontem no “Brasília eu vi”.
    Título: A Nova Direita em http://digi.to/uOm8r
    abs

  2. 2 Daniel Brazil 27/05/2010 às 12:20 pm

    Sem dúvida, Ruggero. Tudo a ver!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: