Chopin por Nelson Feire

Chopin faz parte da trilha sonora de muita gente. Alguns nem sabem disso, mas aquele pianinho que tocava ao fundo no hall do elevador, no restaurante, na sala de espera do dentista, na trilha do filme romântico, era de Frédéric C.

De tão tocado, foi considerado brega por alguns esnobes. Música “fácil”, eufônica, sem asperezas. Mas quando ouvimos os Noturnos, coleção de pequenas peças de caráter introspectivo e sonhador, impossível não notar que há algo mais por trás daquela enganadora suavidade.

E neste momento, ouvindo na fria noite paulistana a bela versão de Nelson Freire – CD duplo com os 20 Noturnos, Decca, 2010 – me passam pela cabeça muitas imagens e sensações. A sutileza dinâmica de Nelson é arrebatadora. A sonoridade do piano nunca é plana, mas misteriosa, cheio de profundidade. Seus dedos roçam o teclado com tal leveza que parecem tanger as cordas, e não percuti-las. E ecoam na memória as palavras de Otto Maria Carpeaux, velho sábio austríaco que considero um dos civilizadores do Brasil, quando falava da popularidade de Chopin:

“Estamos diante do fato estranho, talvez único, do entusiasmo popular por uma arte altamente esotérica”.

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