As sacadas de Žižek

Slavoj Žižek é um sujeito engraçado. Badalado analista de cultura, que adora falar de cinema, afirma que prefere o espectador ingênuo que assiste Matrix e diz “Puxa, então não existe realidade!”, do que “leituras intelectualistas pseudossofisticadas que projetam no filme filosofias refinadas ou distinções conceituais psicanalíticas”.

Bem, quem lê a coletânea de ensaios Lacrimae Rerum, publicada em 2006 e traduzida em 2009 pela Boitempo, termina com a sensação de que ele faz parte do segundo grupo. As leituras lacanianas dos filmes de Hitchcock, Tarkovski, Kielowski e Lynch mais confundem que explicam.

Não que queiramos ouvir explicações cartesianas sobre uma matéria tão onírica como é o cinema, mas Žižek força a barra com colocações pouco transparentes. Um ou outro insight nos faz pensar por alguns segundos, mas nada que marque com profundidade. No fundo, tem o mesmo brilho passageiro de uma observação espirituosa numa conversa de bar, que provavelmente será esquecida dez minutos depois.

Quando ele afirma, por exemplo, que o espectador ideal de Matrix é “sem meias palavras, um idiota”, tendo a concordar. Apesar de gostar de ficção científica, nunca engoli aquela embromação filosófica cheia de furos conceituais. O Planeta dos Macacos, com Charlton Heston, é muito mais honesto e claro (e um filme melhor, diga-se de passagem).

Mas, e daí? Chegar a conclusões como estas não tiram Žižek do nível de um palpiteiro cheio de idiossincrasias, disfarçadas pela psicanálise lacaniana. Ele se sai melhor em observações curtas, onde sua personalidade histriônica não chega a impedir a boa sacada. Como aqui:

A cena é genial. O comentarista, nem tanto…

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2 Responses to “As sacadas de Žižek”


  1. 1 ieda boaventura 21/07/2010 às 12:48 am

    A propósito de Paulo Moura e eleições, me lembrei da primeira vez em que assisti a um show deste anjo. Foi no dia, ou melhor, na noite em que a emenda Dante de Oliveira foi votada e derrubada em Brasília.
    Todos aguardávamos na Sala Funarte o início do show e soubemos ali na antesala do teatro sobre a derrota das Diretas Já. Entristecidos, entramos e tivemos o consolo merecido e reavivados os ânimos pelo som de Paulo Moura.

  2. 2 Daniel Brazil 21/07/2010 às 1:26 am

    Ei, mulher, boa lembrança do grande Paulo Moura. Bom te ver por aqui! entre em contato, perdi teu telefone…

    Beijo!


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