Arquivo para julho \16\UTC 2010



Começou a campanha na web!

Inauguro hoje o ano eleitoral no Fósforo. E pra começar, visitei os blogues de campanha de Dilma, Serra e Marina. Nada como uma visão abrangente, sem preconceitos, para avaliar como estão indo as coisas.

O de Marina,  que ostenta o doce nome de “minhamarina”, está bem feitinho. Claro, não ostenta muitos recursos, apesar de contar com o vice-presidente mais rico desta eleição. Os vídeos rodam direitinho, mas a foto escolhida para a abertura é de doer. Conheço Marina Silva pessoalmente, e sei que ela é melhor que aquilo! Já a voz, é uma tragédia a ser contornada.

O de Dilma está bonito, profissional. A foto de abertura não acompanha o penteado atual, é preciso atualizar. Dizem que foi assessorado (o blog) por um profissional de mídia da campanha do Obama, contratado pelo João Santana. Filmes e vídeos rodam bem, há capricho na produção. É o melhor blog, até agora. Alguns slogans ficariam melhor na voz de uma locutora, e não na dela.

O de Serra aparenta certa breguice.  Tudo bem que azul e amarelo não são cores harmônicas, mas o contraste poderia ser amenizado.  O design do slogan “quero mais pro Brasil” é feio de doer. Parece um monte de remendos! E, falando sério, quem é o idiota que coloca o 45 do partido em laranja, na semana em que a Holanda perdeu a Copa do Mundo? Tá pedindo pra levar porrada, não é possível… Que tal subir o nível, tucanada?

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Paulo Moura

No final dos anos 70 eu era um jovem estudante que adorava música. Ouvia de tudo, com curiosidade sem preconceitos. Vá lá, alguns preconceitos: Música pop, disco music, sambão jóia… O equivalente hoje à pagode, breganejo, música eletrônica e… música pop.

Fui muitas vezes aos concertos dominicais do Teatro Municipal, em São Paulo. E economizei uns trocados para assistir uma série de apresentações de música popular que rolavam na sexta feira, à meia noite, com gente muito especial. De Som Imaginário até Hermeto Paschoal, passando por Mutantes & O Terço tocando Beatles e vestidos de Sgt. Peppers, presenciei coisas que parecerão meio surreais quando eu contar aos meus netos.

Uma noite inesquecível? Aquela em que cheguei às 22:30 h no Municipal (matei aula, confesso!), comprei o ingresso e procurei um boteco pra comer algo e tomar uma breja. Encostei ali mesmo, na Xavier de Toledo. Reparei numa mesa muito animada, com uns caras meio caneados, falando alto e rindo. Bem vestidos, tinha até um mulato de terno branco, elegantérrimo.

Meia noite, voltei para o teatro e não me surpreendi muito quando o mesmo grupo do bar entrou no palco. Já desconfiava, pelas conversas que pesquei de orelhada. Estranho foi ver o mulato de terno branco, meio trôpego, andar cambaleante até o centro do palco, enrolando algumas palavras no microfone. Por um momento achei que havia entrado numa roubada.

Mas o cara pegou o clarinete, deu a primeira soprada (se acendessem um fósforo na frente virava um lança-chamas!) e o inferno virou algo celestial. Era Paulo Moura tocando. E eu na primeira fila, embriagado pela música fenomenal, exuberante, que o grupo mandava para a platéia semi-cheia. K-ximbinho, Nelson Cavaquinho, Pixinguinha, Lupiscínio, Abel Ferreira…

Quando rolou Espinha de Bacalhau, do Severino Araujo, não acreditei. A quantidade de notas que aquele semi-bêbado despejava sobre mim, com absoluta clareza e uma digitação impressionante, era de deixar qualquer um em estado de êxtase.

Nem lembro como voltei para a Vila Mariana, naquela noite. Nem lembro das noites seguintes, ou das anteriores. Mas aquela madrugada no Municipal, onde ouvi Paulo Moura pela primeira vez, foi revelação, bússola, epifania.

Reencontrei outras vezes o mágico do sopro. Dancei ao som de seu sax na Estudantina e no Sesc Pompéia. Colecionei seus discos. E derramei uma lágrima hoje, quando soube que ele foi tocar no andar de cima. Com 77 anos, e há uns 30 com a mesma cara, me parecia ser eterno. Não era. Mas passou a ser.

Ô, copinha sem graça!

Fim de Copa. Ufa, ainda bem que acabou. Uma copa amarrada, frustrante (para quem não é espanhol), sem brilho e sem craques (tudo bem, Forlán, você mereceu, por falta de concorrência). E a Holanda resolveu incorporar um espírito “felipemelo”, esquecendo de jogar bola. Futebol-arte. Marcial.

Lembrou a “copa sem graça e sem gols” de 94.  Um time que é campeão fazendo apenas 8 gols é um vexame. Ronaldo Barriga, sozinho, tem mais gols em Copa do Mundo. E os gols que os manés perderam, cara a cara com o goleiro, eram de tomar cascudo do resto do time, se jogassem no campinho do Granbery, em Juiz de Fora, como eu joguei.

Mas chega de futebol. Agora vem as eleições, e por três meses veremos outro tipo de assunto polarizando as conversas. Com algum crime cavernoso no meio, porque a humanidade não vive bem sem uma boa desgraça pra curtir. Confesso: Não me interesso por esse tipo de “humanidade”. Bruno & Nardoni são uma dupla sertaneja de muito sucesso no presídio, é isso?

Durante a Copa li dois bons livros (O Andar do Bêbado ainda está em andamento) , assisti uma peça interessantíssima (Determinadas Pessoas – Weigel, com Ester Góes), aplaudi o espetáculo de dança contemporânea Quatro Cantos (Caleidos), ouvi pelo menos quatro novos discos, aplaudi a Osesp na Sala São Paulo,  assisti três filmes legais, tive boas conversas com gente bacana. Isso vai ficar.

Muito mais que as botinadas de Van Aperder, ou as tentativas de In-siesta. Quem tem Villa-Lobos não dá bola pra Villa-lata…

Um piquenique de domingo

Fui convidado para um piquenique na Lapa. Parece banal? Pois saiba que menos de 1% da humanidade já foi a um piquenique. E muito menos que isso foi a um piquenique numa praça dentro de uma megalópole como São Paulo.

E o pior de tudo é que não pude ir. Recebi fotos, relatos, cutucadas bem humoradas. A coisa é séria. Tem gente boa no meio, como a Neide Rigo, do Come-se. Neide escreve lindamente o meu blog culinário favorito.

Estão nessa amigos do peito como o Paulo Weidebach, a Kelly e a Clara. E o Paulinho Baroukh, que está desculpado (dessa vez!) por estar na Chapada Diamantina. O povo tem até uma página na rede, a Boa Praça. Só eu não tenho uma boa desculpa por ter faltado…

Reocupação do espaço urbano. A alegria de abraçar um(a) vizinho(a). As ruas e praças como lugar de convívio, não de conflito.  O prazer de fazer algo com as próprias mãos e dividir com quem chegar, de coração aberto. Slow food. Pequenas ações que propiciam grandes sentimentos. Como o movimento contra o túnel nefasto tramado pela Prefeitura de São Paulo, que também leva o povo a ocupar a Praça Elis Regina, no Butantã, de forma festiva e  comunitária. (foto acima). Ou os saraus da Artemiza, no Butantã (foto abaixo) . Como as rodas de viola no Barro e Cordas.   Como tantas pequenas ações que se tornam grandes com o tempo.

Estarei no próximo piquenique, sem falta. E como fui cobrado, levarei um antepasto de jaca verde (receita indonésia!) que é um assombro. Aguardem!

Origem mítica da vuvuzela

Uma invenção dos demônios ou um castigo divino? Este quadro, de 1660, defende a segunda tese. Em termos práticos, pouco importa a origem: desde os tempos bíblicos, serve pra azucrinar a humanidade…

Adendo: Mais duas provas do estranho humor celestial (pobre São Jerônimo!), enviadas pelo erudito amigo Helion Povoa.

(Legenda: Julho de 2030. Dunga resolve escrever suas memórias e é assombrado por um anjo vestido de laranja, de sotaque holandês.)

(Legenda: Julho de 2030. Maradona resolve escrever suas memórias, e é interrompido por um anjo de traços arianos e sotaque germânico).


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