Arquivo para agosto \14\UTC 2010



O andar do bêbado


O excesso de trabalho me impediu de comentar antes O Andar do Bêbado (Zahar, 2009) , livro que habitou minha cabeceira por várias semanas. Talvez isso tenha até impedido de apreciá-lo devidamente, mas sempre haverá tempo para uma releitura.

O físico Leonard Mlodinow faz uma introdução erudita (sem ser pedante), bem humorada (sem ser engraçadinha) e estimulante (sem apelar para os truques de auto-ajuda) sobre como o acaso determina nossas vidas. Como fatos aleatórios acabam sendo decisivos para mudar o rumo da história. Copio a contracapa: “notas escolares, diagnósticos médicos, sucessos de bilheteria e resultados eleitorais são, como muitas outras coisas, determinados em larga medida por eventos imprevisíveis”.

O próprio autor teve a idéia de escrever o livro após um exame de HIV falso-positivo. Colaborador de Stephen Hawking, com quem escreveu Uma Nova História do Tempo, diz que, por puro acaso, estava no World Trade Center no dia 11 de setembro, na hora em que o avião se chocou. E, também por puro acaso, sobreviveu.

Mlodinow abre o livro com uma saborosa historinha:    “Alguns anos atrás, um homem ganhou na loteria nacional espanhola com um bilhete que terminava com o número 48. Orgulhoso por seu feito, ele revelou a teoria que o levou à fortuna. ‘Sonhei com o número 7 por 7 noites consecutivas’ disse, ‘e 7 vezes 7 é 48”.

Confesso que isso me deu certa esperança…

Anúncios

A literatura como missão

Literatura como Missão é o título de um belo ensaio de Nicolau Sevcenko, que aborda a transição do século XIX para o XX na cultura brasileira. O enfoque é a obra de Lima Barreto e de Euclides da Cunha, dois observadores privilegiados da Primeira República.

Sem a pretensão de me igualar a estes gigantes, comecei a escrever um romance. Digo isso pra justificar a rarefeita presença dos últimos dias aqui no Fósforo, e que se prolongará por mais alguns meses.

Sei que minha inconstância já não surpreende a meia dúzia de leitores que estoicamente visitam este blog. Pra ser honesto, são cerca de 250 visitas diárias, um número bem maior do que eu imaginava quando comecei, há 3 anos.

Espero que a chama não se apague. E que, em breve, eu possa oferecer a vocês algo mais sólido, mais tangível que um mero post perdido neste oceano digital de informações. Até breve!

Debate entre candidatos

Dentro de alguns minutos vai começar o primeiro debate televisivo entre os candidatos à presidência do Brasil. Hoje, pesquisa CNT/Sensus coloca Dilma 10 pontos à frente de Serra.

Pra mim, essa eleição já está decidida. Por identidade, votaria no Plínio. Por empatia, na Marina. Se há um ponto em que Dilma e Serra se igualam é na falta de carisma, na pouca simpatia.

Não tenho dúvida de que o projeto de governo que Dilma representa é muito superior ao de Serra. Há inúmeros dados, estatísticas, gráficos e opiniões mundiais respeitáveis sobre o desempenho do Brasil nos últimos anos.  E viajei o suficiente pelo país para sentir a diferença de um governo que investe em algumas políticas sociais de fato.

O maior problema do PT são as alianças. O maior problema do PSDB são as alianças. PMDB é uma coisa disforme, oportunista, meio populista, centro-gelatinoso. DEM é direita. Excludente, discriminatório, elitista. É duro justificar esse tipo de aliança, seja de que lado for.

PS, duas horas depois: Plínio foi o melhor, disparado.


Arquivos

Anúncios