A tocadora de violão

Há pessoas que têm a capacidade de nos surpreender. Os de origem humilde, em geral, são os que mais me emocionam. Não são estudados, diplomados, não ostentam  currículos. Vão lá e fazem. Tiram do fundo do coração um vigor, uma capacidade de invenção, de adaptação às dificuldades, e acabam descobrindo novos caminhos. Mostram aos doutores que no embate direto com a vida e com a arte, podem se sair melhor. Não faltam exemplos na História.

Não, não estou falando do Lula, do FHC ou do Serra. Poderia até, pois o operário que criou 14 universidades ganhou de 14 X 0 (zero!) do governo anterior. É impossível esconder quem dá mais valor à educação. O atual candidato de oposição, quando promete muitas “escolas técnicas”, parece mais querer atender à demanda da indústria por mão-de-obra especializada do que querendo de fato melhorar a vida do povo. Faz uma campanha baseada em mentiras e difamações, aliado ao que tem de pior nesse país. Uma lástima. O que recebo de mensagem virulenta e odiosa contra Dilma nessa campanha é algo que beira o doentio: preconceito, intolerância, machismo, fascismo, medievalismo, e outros ismos. Sempre foi uma mulher valente, por enfrentar uma ditadura e ser torturada, aos 19 anos. Na França, em Portugal, no Chile ou na China, seria aplaudida como uma heroína. Enfrenta hoje, mais uma vez, os porta-vozes do atraso, do Brasil coronelesco e subserviente ao capital internacional, que superamos no início deste século (alô, FMI!). Brava mulher, que cada mais fortalece a convicção de meu voto.

Mas queria falar de outra mulher, infelizmente anônima. Alguém que subverte todas as regras clássicas do violão para fazer, do jeito que aprendeu, a sua música. Boa música, instintiva, alegre, daquelas que o filhinho da classe média metida a besta tenta fazer, por anos seguidos, até desistir. Por falta de alma, de sinceridade.

Quebrando todas as normas. Tocando “errado”. E fazendo certo, por que a vida não tem receita!

 

 

 

 

2 Responses to “A tocadora de violão”


  1. 1 dalila teles veras 12/10/2010 às 10:59 pm

    Olá, caro amigo Daniel,
    Mas que belo e comovente este seu post! Que eloquente exemplo de arte autêntica, verdadeira força da natureza. Lembrei-me de Caeiro (sua poesia se aplica a ambos os casos, o das mentiras e o da violonista que, de sua aldeia, se faz universal):
    “(…) Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,/
    Invisíveis, vêm ter comigo as mentidas dos homens/
    Perante as coisas,
    Perante as coisas que simplesmente exitem./(…)
    ou
    “Da minha aldeia vejo quanto da tera se pode ver no Universo…”
    E.T.: eu também recebo (sem pedir) toda essas lastimáveis “mensagens” carregadas de virulência e preconceito que, assim como acontece consigo, só reforçam a convicção de meu voto na Dilma.
    Parabéns e o abraço da leitora
    dalila


  1. 1 O Fósforo do Daniel Brazil | Você já foi no blog dela? Trackback em 17/10/2010 às 2:29 pm

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