Vargas Llosa

Impossível negar que fiquei feliz com o Nobel dado a Vargas Llosa. Um escritor cujas primeiras obras me marcaram profundamente. Ainda jovem, deslumbrado com o realismo mágico de gigantes como Cortázar e Garcia Marquez, mergulhei na escritura do peruano com a certeza de que ali estava bem representada outra vertente latino-americana, tão rica quanto aquela. Verista, com influência francesa e inglesa, e igualmente brilhante.

Batismo de Fogo, Os Chefes, A Casa Verde, Tia Júlia e o Escrevinhador, Pantaleão e as Visitadoras. Delícias que apontavam um crescimento em direção do humor, da imaginação crítica, da denúncia das mazelas humanas. Quando se candidatou ao governo do Peru, me decepcionei. Parecia um personagem caricato dele mesmo, um espécie de Zé Serra mais refinado, envolvido por um leque de alianças que pendia para a direita (não que o candidato da esquerda, no caso, fosse melhor. Fujimori foi um grande erro da história continental).

Depois da funesta campanha, MVL virou um cidadão do mundo. Escreveu ensaios sobre Flaubert, fez uma elogiada releitura ficcional de Euclides da Cunha (A Guerra do Fim do Mundo), experimentou o gênero policial com tinturas regionais (Quem Matou Palomino Molero?), arriscou um Marienbad particular em Conversa na Catedral. Confesso que gostei menos dessa ambiciosa tentativa de trabalhar uma narrativa em vários níveis temporais e espaciais. Agora me deu vontade de reler, quem sabe um dia… (Lembram do que Ítalo Calvino dizia sobre livros que nunca releremos, mas guardamos na prateleira com a convicção de um dia enganar o Tempo?)

Enfim, está entre meus romancistas favoritos da Latino América literária. Um pouquinho abaixo de Guimarães Rosa, Cortazar, Marquez e Borges. Junto com Onetti, Rulfo, Machado, Carpentier e Sábato. Tem vaga garantida em minha seleção particular.

2 Responses to “Vargas Llosa”


  1. 1 Jussara Xavier 15/10/2010 às 11:39 am

    Dani,
    você sabe eu sou louca pela escrita de Vargas Llosa, mesmo não gostando do lado político. Acho que foi bem merecido o Nobel, pelo menos a gente conhece, não é uma poetisa romena que faz poema em alemão e não tem tradução no Brasil (2009).
    Concordo com você Conversas na Catedral é para reler …um dia.
    Em tempo de política é bom ler o livro dele Peixe na Água, independente de suas convicções políticas, ele quis ser honesto e verdadeiro…hahahaha o que ele passou na campanha foi inacreditável, de boataria, achincalhe, puxadas de tapete e etc.
    Está tudo descrito no livro, o bom desse livro é que Máio é inteligente e bom escritor e depois de lê-lo a gente aprende direitinho o que é uma campanha pelo ´ponto de vista de um candidato, mesmo que um pouco inocente.
    bjs
    Jussara

  2. 2 Daniel Brazil 15/10/2010 às 4:24 pm

    Legal teu comentário! Pena que não li a Menina Má… Mas fiquei curioso pelo Peixe na Água. Há uns dez anos não leio MVL, a não ser artigos e ensaios. Acho que o último foi o Palomino Molero, um livro menor.

    Beijo!


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