Arquivo para dezembro \24\UTC 2010

Árvore de Natal

Que nunca chegue o dia em que só existam árvores virtuais!

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Comer bem em Ilhabela

Quase todos os dias faço meu próprio almoço, aqui na ilha. É uma pausa necessária do trabalho de escrita, e posso fazer minhas experiências culinárias sem passar vexame na frente de testemunhas.  Ontem mesmo fiz um quibe de peixe que não deu liga. Comi porque eu sabia o que era, mas uma  pessoa normal não encararia aquela coisa esfarelada.

Felizmente o Rosemar (Rosê, para os amigos) abriu em novembro o seu restaurante. Espaço Integral, onde ficava o antigo India Bali, da dona Dalva (que ainda está lá). No Perequê, em frente ao colégio São João, ao lado da capela de São João Batista.

Esta moça costuma ficar no muro durante todo o verão, é fácil reconhecê-la.

O restaurante é vegetariano, e o mestre Rosê é simplesmente genial. Tortas, quibes, saladas incríveis, muitos grãos, sucos inventivos. Hoje mesmo tomei um de carambola com gengibre que era o bicho! Há duas semanas, a feijoada de sábado foi de arrasar. Só perdeu para a moqueca de jaca verde de domingo, que fez todo mundo implorar pela receita.

Pra completar, o lugar é um oásis. Aberto, ventilado, com vista para o mar, poucas mesas, sem aperto. O serviço do Antonio Carlos, um brasileiro com cara e jeito de indiano, sempre vestido de branco, é simpático, e sempre encerra com um namastê! O prato do dia custa 15 reais, sai mais barato que ir no quilo mais próximo.

Ainda vou arriscar fazer em casa aquela moqueca de jaca. Segundo o Rosê, não tem jeito de ficar ruim. E ele me segredou, na saída:

– Com um pouquinho de carne seca desfiada por cima, deve ficar maravilhosa!

Rosê, sei que você não pode servir desse jeito no Espaço Integral, mas vou experimentar. Depois te conto!

A tartaruga

Não lembro, na minha infância, de ter visto tartarugas em Ilhabela. Ouvia histórias de pescadores, falando de uma ou outra que vinha nas redes. Cheguei a saber que, em certa praia do lado oceânico, elas desovavam anualmente, até desaparecerem de vez.

Pois de três anos pra cá, elas voltaram. O ano passado me surpreendi nadando perto de várias, e cheguei a enganchar uma no anzol na ponta de Itaquanduba, a cem metros de casa. Felizmente, escapou sem danos.  Raro é o dia em que, nas caminhadas matinais desta temporada, eu não veja alguma.

Ontem, o verão chegou de vez. Céu azul, águas transparentes, muito calor. E hoje cedo, no Aracati, esta tartaruga-de-pente se exibia junto ao píer. Acompanhei fascinado o seu balé. Pedra viva que flutua, com asas de anjo de Giotto. É jovem, ainda. Com sorte, viverá mais que todos nós.

 

O Caso dos Dez Negrinhos

Não, não vou escrever sobre o clássico de Agatha Christie. A Jussara faz isso bem melhor que eu. Vou contar um pequeno acontecido aqui na Ilhabela, esta semana.

Como alguns já sabem, estou desde início de novembro numa casinha onde tenho por companhia apenas a Pretinha.

Vez em quando aparece o Uísque, um bon vivant da vizinhança…

… que entra e sai de casa sem cerimônia, saltando sobre o muro de mais de 1,5 m. Quase um gato, se isso não for ofensa para um cão.

No último fim de semana, tive de ir a Sampa. Quando voltei encontrei isso.

Dez cachorrinhos, com a marca do pai: todos são Black Label. Pretinha, um ano e meio de idade, primeira gravidez, deve ter algum parentesco com coelha. Chamei o Uísque na responsa, e ele caiu na real.


– “O que eu fui fazer?”

Tem sido visto nos botequins mais escrotos, enchendo a cara, em péssimas companhias. O réveillon vai ser animado por aqui.

Paraibuna

Sempre tive vontade de conhecer Paraibuna. A pequena cidade encravada na Serra do Mar, entre São José dos Campos e Caraguatatuba, é vista de relance por todos os que passam pela rodovia dos Tamoios a caminho das praias. Poucos se animam a desviar a rota por alguns minutos para atravessar suas pacatas ruas, à beira do rio Paraibuna.

Pois ontem matei minha vontade. Passeei sem pressa, admirei as igrejas, a balaustrada na beira do rio, as pedras centenárias do calçamento. E cheguei ao Mercado Municipal, que costuma ser o lugar mais interessante de muitas cidades, grandes ou pequenas.

Algum artesanato, panelas de ferro, colheres de pau. Tranqueiras de plástico feitas na China também, claro. Uma lojinha de queijos e doces, outra de carnes e aves, dois pequenos restaurantes de comida caseira. Sentei em deles e perguntei o que tinha: um PF, com “carne, frango, bisteca de porco ou filé de pescada”. Escolhi o último, e a moça me perguntou “prato fundo ou prato raso?”. Antes que eu fizesse besteira, ela me avisou que o raso custava cinco reais, o fundo, seis. Ah, bom! Fiquei com o raso mesmo, e sobrou arroz e feijão… comidinha simples, mas bem temperada.

Por fim, a melhor coisa do mercadinho: Uma loja com as cachaças da região, incluindo Taubaté, São José, Caraguá e até Cunha. A famosa Pé-de-Pano é uma cachaça de rolha tradicional. Tem branca, amarelinha, “envelhecida 39 anos” (!), com canela, com mel.  Fiquei com uma de cambuci, fruta rara que combina de forma divina com um boa aguardente. Levei também uma Beija-Uva (sic), para a coleção de meu amigo PauloW.

Detalhe: as coisas no Mercado de Paraibuna custam menos que na beira da estrada, onde passam os turistas que vão para o litoral. Não me arrependi, e ainda voltarei!

Do não pertencer

Quase noitinha na praia da Armação, norte de Ilhabela. Me deparo com uma missa. A capelinha histórica, que conheci através de fotos em preto-e-branco em meados do século passado, estava em festa.

Fiquei por ali, zanzando, vendo a noite chegar. O padre falava de Adão,  Eva e o fruto proibido. Lembrei de uma sacada do Millor, um arcanjo contemplando o Paraíso recém construído:

“Bela obra, eu admito.

Mas me explique, Senhor,

Pra que tanto mosquito?”

No meio da missa, a céu aberto, uma cidade flutuante cruzou o canal,  bem em frente.

Dois mundos. E este observador não pertencia a nenhum deles.

 

Gente do ABCD

Na próxima terça, dia 14/12, o povo do ABCD vai se encontrar e também levar pra cabeceira um livrinho que é um painel, um mosaico, um caleidoscópio de retratos dessa região tão matizada. Boa ocasião para reencontrar os amigos!


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