Do não pertencer

Quase noitinha na praia da Armação, norte de Ilhabela. Me deparo com uma missa. A capelinha histórica, que conheci através de fotos em preto-e-branco em meados do século passado, estava em festa.

Fiquei por ali, zanzando, vendo a noite chegar. O padre falava de Adão,  Eva e o fruto proibido. Lembrei de uma sacada do Millor, um arcanjo contemplando o Paraíso recém construído:

“Bela obra, eu admito.

Mas me explique, Senhor,

Pra que tanto mosquito?”

No meio da missa, a céu aberto, uma cidade flutuante cruzou o canal,  bem em frente.

Dois mundos. E este observador não pertencia a nenhum deles.

 

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4 Responses to “Do não pertencer”


  1. 1 Jussara Xavier 12/12/2010 às 10:42 pm

    A foto noturna parace a Primeira Missa e a do navio parece Amacord. Podia não pertencer a nenhum dos mundos, mas como fotografo nota 10.
    bjs
    Jussara

  2. 2 Daniel Brazil 12/12/2010 às 10:50 pm

    às vezes me arrependo de andar com uma maquininha tão vagabunda, Ju. Uma bacatian, como dizem os japoneses, “descartável”.

  3. 3 Penélope Martins 13/12/2010 às 8:51 pm

    talvez você fosse o único que verdadeiramente pertenceu a cena… talvez pela sutileza na interpretação das linguagens… talvez porque nem existam antagonismos na pluralidade… talvez… certo é que para bom investigador (!), seu blog é sempre necessário. grande abraço Daniel!

  4. 4 Daniel Brazil 14/12/2010 às 9:56 pm

    Talvez, Penélope. O mundo oferece tantas leituras… Abraço!


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