Clariô e o Hospital da Gente

O Teatro da USP (TUSP), na histórica rua Maria Antonia, teve a excelente iniciativa de promover um encontro/mostra chamado Militância Teatral na Periferia, neste mês de julho, sob a curadoria de Sebastião Milaré. Apresentações, debates e vídeos abordam o riquíssimo universo dramático que rola nas quebradas dessa metrópole insana.

Alguns grupos conheço de perto. Participei de trabalhos com o Engenho Teatral e o Pombas Urbanas. Um vídeo que dirigi (El Quijote), com trupes latino americanas, foi exibido na última quarta-feira. Outros grupos, como Brava Companhia, Buraco do Oráculo, Dolores Boca Aberta e Trupe Artemanha também enriqueceram o evento.

Ontem fui ver o Grupo Clariô, com o espetáculo Hospital da Gente. Saí emocionado e com as mãos ardendo de tanto aplaudir. Textos de Marcelino Freire, costurados com inteligência pelo diretor Mário Pazini, são magnificamente interpretados por sete mulheres que se multiplicam em cena.

O belo cenário (Alexandre Souza, com iluminação de Will Damas) reproduz um favela, com engenhosas soluções visuais e uma sensacional interação com o público. A certa altura, somos convidados a entrar na peça, conhecendo os fundos da “favela”, onde rola uma cena engraçadíssima. Conseguiram o feito de adaptar ao TUSP o espaço cenográfico que mantêm em sua sede, em Taboão da Serra.

O tom se alterna entre tragédia e comédia. Uma sucessão de monólogos revela personagens que vivem no limite da miséria. A prostituta, a macumbeira, a crente, a mulher que apanha do marido, a catadora de lixo, a analfabeta, a mulher que vende os filhos. Entre os quadros, canções e alguns diálogos bem calibrados dinamizam a ação.

E que atrizes! Todo o elenco é forte, mas o impacto causado pelas personagens vividas por Martinha Soares, Naloana Lima e Naruna Costa (também responsável pelas canções e direção musical) é definitivo. Mais um brilhante exemplo de arte feita fora do mercado, fora do padrão televisivo, fora do esquema comercial, mas dentro, muito dentro do grande teatro universal.

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2 Responses to “Clariô e o Hospital da Gente”


  1. 1 Carmen 29/07/2011 às 1:52 pm

    Tive o prazer de ir junto, assino em baixo. Em cima de um tema que se poderia dizer “batido” (não há “novidade” relatada), sobram inúmeras pequenas sacadas cenográficas, de interpretação, montagem, luzes, daquelas que costumam ser marca registrada do (bom) teatro.

  2. 2 Maria 01/08/2011 às 11:32 am

    Aproveitando a carona… semana passada assisti a uma excelente montagem: O Idiota, baseado no texto do Dostô. Lindo, lindo, lindo. Cenografia genial, luz incrivel, atores impecáveis, tudo valorizando o grande e monumental texto, este sim personagem principal. Vale cada minuto das 7 horas de duração! Não percam.


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