Ouvindo o Youtube

Ando ouvindo muita música de concerto. Tenho uma boa coleção de gravações (vinis e CDs), que em certas fases da vida fica meio esquecida. Outras vezes, ouço com intensidade. Já trabalhei com isso, na TV Cultura, escrevendo roteiros de programa sobre música “erudita” (não gosto dessa palavrinha…).

                Como estou com um computador novo há três meses, investi em boas caixas de som. Gosto de escrever ouvindo música instrumental (vozes cantando me atrapalham, confundem o raciocínio), mas o troca-troca constante  de CDs também cansa.

                Foi aí que descobri o Youtube. Claro que já frequento há anos o endereço, mas nunca tinha notado a quantidade de concertos, sinfonias, quartetos, solos de piano e peças de câmara, de tudo quanto é época, que se esparramam pelo bendito canal.

                Sim, foi inventado para satisfazer a música pop, a necessidade cada vez maior de colar imagens às canções de consumo imediato. Registro de shows é a segunda função, muitas vezes com sofrível qualidade de áudio. Mas o pessoal das salas de concerto descobriu ali um modo de veicular suas interpretações, de divulgar novas obras, de revelar antigas preciosidades. E como tem coisa boa!

                Agora, sento no computador, clico no Youtube e digito “Mozart clarinet“.  Aparece uma lista de peças, desde o maravilhoso Concerto até os quintetos, com vários intérpretes. Escolho um (recomendo o Concerto com Martin Fröst, muito bem captado), abro uma página do Word e começo a escrever, feliz.

                Depois passo para sonatas de Beethoven,  por exemplo. Ou as descobertas barrocas e renascentistas de Jordi Savall. Ou Schubert, Schumann, o eterno Bach. Ás vezes procuro o estímulo da música do século XX, mais tensa, esticando os limites da eufonia. Outras vezes busco intérpretes consagrados: do magistral Nelson Freire até pianistas como Valentina Lisitsa ou a exuberante Atsuko Seta.

Claro que encontramos também gravações clássicas de Arrau, Horowitz, Menuhin, Rostropovich ou Glenn Gould, mas a captação costuma ser mais precária. Interessa mais a estudiosos e musicólogos, pelo registro histórico. Há uma grande quantidade de novos intérpretes, muitos deles asiáticos, que gravam em condições acústicas cada vez mais próximas da perfeição. E a captação dos vídeos em HD é tão boa que às vezes esqueço que a música deveria ser só fundo sonoro, e abandono o que deveria escrever, mergulhado na miragem da tela ampliada, na vertigem da música mais perfeita que a humanidade produziu.

Vai ver é por isso que tenho escrito tão pouco…

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