De Bach a Jethro Tull

O rock nasceu com a eletricidade, com a mistura do blues, rebeldia juvenil e guitarra plugada. Segunda metade do século XX, daquele jeitinho que todos conhecem: três acordes, um balanço mais pegado, uma franja, um rebolado.

Nos anos 60, explodiu. Psicodelismo, beatlemania, Stones, Hendrix, Janis, Woodstock, Ilha de Wight. Nessa época, o rock flertava com a música de todos os tempos. Gente culta, atrevida, que escutava com atenção os clássicos, e colocava sua energia em fazer música para ser ouvida por milhões de jovens, sem tornar a coisa rasteira e comercial. Queriam o impossível.

Minhas bandas favoritas pós-Beatles eram o Jethro Tull, King Crimson e Led Zeppelin. Claro que isso abria o leque para apreciar atentamente vários experimentos de ELP, Curved Air, Deep Purple, Genesis, Gil, Caetano, Milton, Raul, Rita Lee…

Mas Ian Anderson e sua turma – o Jethro Tull, nome de um personagem inglês do século XVIII – tem lugar especial até hoje no coração deste amante do choro, do samba e das sinfonias. O cara colocou a flauta no cenário roqueiro. Bom compositor, cantor e músico, brincou com a Pavane de  Fauré, subverteu a renascentista Greensleaves, jazzificou Bach.

Jethro Tull toca a Bourée do mestre de Leipzig desde os anos 60. Virou trilha de um filme estranho e belo (Road to Salina/La Route de Salina, 1970), onde um casal de adolescentes tinha uma relação meio incestuosa na praia. Foi o primeiro filme que vi com nus frontais, mostrados com delicadeza.

Até hoje, não consigo esquecer das cenas de estrada (que não encontrei no YouTube, infelizmente), pontuadas pela flauta hipnótica de Mr. Ian Anderson  Por incrível que pareça, este foi também o último filme de Ms. Rita Hayworth (a mãe). Os mitos se tocam no espaço imaginário do cinema…

Ian Anderson hoje é um próspero criador de salmão, mas não consegue largar o palco. Como ele escreveu numa canção, Too Old to Rock’n Roll, Too Young to Die! (aliás, lançada com um dos clipes mais hilários da história do rock, em 1976).

          Existem dezenas de gravações ao vivo da Bourée rolando na rede, inclusive uma bem bacana com a Neue Philharmonie Frankfurt, de 2005.   Escolhi uma versão de 2002, bem próxima da original, do LP Stand Up (1969). Pra matar a saudade…


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4 Responses to “De Bach a Jethro Tull”


  1. 1 valmir 30/09/2011 às 11:17 am

    sem duvida o Jethro Tull é fundamental, a flauta do cara deu um toque que faltava para gênero.
    abraço

  2. 2 Lucas Bender 08/10/2011 às 11:55 am

    Eu nunca vi esse filme francês, nem sabia que existia, mas também me deu uma saudade vendo essa cena… Bela demais! Fiquei com uma vontade danada de ver o filme mas não o encontro.

    • 3 Daniel Brazil 08/10/2011 às 3:57 pm

      Eu procuro há anos, Lucas. Achei dois trechinhos no Youtube, e isso me levou a escrever este post. Por incrível que pareça, assisti na TV, no meio dos anos 70. Os militares não estavam muito interessados em “filmes de arte”, desde que fossem exibidos de madrugada.
      E aquela década era muito menos moralista que hoje, sexualmente falando. O “espírito de Woodstock” estava presente em muitas produções do período. Sexo era uma coisa boa, pra ser exercitada sem medo. Bem depois é que surgiu a Aids…


  1. 1 De Bach a Jethro Tull « FÓSFORO | iComentários Trackback em 29/09/2011 às 5:36 pm

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