Um plástico enigma literário

Vou propor a você um pequeno desafio. Faça de conta que está no vestibular, e tem de escolher a alternativa certa (pode ser múltipla escolha). Qual dessas opções saiu da pena de Clarice Lispector, uma das mais inconfundíveis escritoras brasileiras, e qual nasceu do cinzel de Nuno Ramos, um dos mais inconfundíveis artistas plásticos brasileiros?

1 ) A vida inteira, rascunho de uma outra, iria se espalhando, sonsa e bêbada, em avenidas tão estreitas que nem sempre um passo nosso caberia, e toda linha de contorno seria interrompida e torta, descontínua.

2) Deixo para trás a mancha vermelha, deixo para os corvos o armário espatifado e a mulher sonora, cujos dentes agora rangem, e feito um boneco de cera volto à minha mesa, fechando o livro como quem encerra a cena.

3) Não há pele que me prenda, nem voz que me convenha – não caibo em meus pés, nem nos passos. Se olharem meus olhos verão que nunca dormi, se examinarem minha boca verão que nunca bebi, em meus intestinos que nunca comi, tudo que fiz foi querer, querer…

4) Meus defeitos, eu vos adoro, minhas qualidades são tão pequenas, iguais às dos outros homens, meus defeitos, meu lado negativo é belo e côncavo como um abismo. O que não sou deixaria um buraco enorme na terra.

Na próxima postagem dou a resposta, com as devidas explicações. Sossegue, não há pegadinha. São trechos dos livros Perto do Coração Selvagem e Ó, que acabo de ler. E aqui não há reprovação nem recuperação. Você só tem a ganhar!

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