Tom Jobim no cinema

Uma delícia ir ao cinema e assistir na tela grande o maestro soberano desfilar sua elegância. O filme de Nelson Pereira dos Santos, Dora Jobim e Miúcha dispensa discursos. É um recorte – entre muitos possíveis – das canções do mais internacional dos compositores de música popular brasileira.

                O filme abre com cenas do Rio nos anos 50, mostrando a construção do Aterro do Flamengo. A cidade-tema de tantas canções jobinianas pontua, aqui e ali, o desfile de astros: Adriana Calcanhoto, Alaíde Costa, Agostinho dos Santos, Carlinhos Brown, Chico Buarque, Diana Krall, Dizzy Gillespie, Elis Regina, Ella Fitzgerald, Elizeth Cardoso, Frank Sinatra, Gal Costa, Henri Salvador, Jean Sablon,  Lisa Ono, Maysa, Milton Nascimento, Miúcha, Nara Leão, Sammy Davis Jr, Sara Vaughan, Stacey Kent e mais uma penca (penca que conta com Caetano, Gil, Paulinho da Viola, Vinicius, Tom Jobim, etc.).

A ordem alfabética me salva da hierarquia do gosto, no parágrafo anterior. Prefiro ouvir uma música mais de uma vez, antes de dar opinião. Idem, de um filme como esse, que é todo música. Mas, quer saber? Chapei no velho Peterson, me encantei com a Calcanhoto, achei a Lisa Ono adequada, Maysa envolvente, Carlinhos Brown surpreendente, Elis perfeita, a italiana Mina engraçada, Stacey Kent brejeira, e a banda Nova chatinha. Nota-se certa acomodação estética do gênio no fim da vida, cercado de noras e agregadas bonitinhas, em apresentações medianas (pra não dizer medíocres).

Mas o homem é um mestre. A obra é genial, um dos pontos altos da música popular do século XX. Não é à toa que os maiores jazzistas se renderam à bossa nova, reconhecendo que foi o gênero que mais influenciou sua linguagem musical.

Tá tudo lá? Claro que não. Tom Jobim tem mais de duzentas no catálogo, um filme só não dá conta. Algumas preferidas, minhas e de muita gente, não estão lá. É bom lembrar que é um filme, e que algumas canções lindas só existem em áudio, sem imagens. Na minha lista pessoal, faltam Eu Te Amo (Tom e Chico), Passarim e o Tema de Amor de Gabriela.  Mas o resto… que resto! Você vai ouvir Desafinado, Corcovado e Garota de Ipanema em várias línguas e épocas, e se comover em muitos momentos. Confesso: chorei pra caramba!

2 Responses to “Tom Jobim no cinema”


  1. 1 helion 06/02/2012 às 8:22 am

    E o Errol Garner?

  2. 2 Daniel Brazil 06/02/2012 às 10:12 am

    Boa lembrança! A alegria com que Errol Garner toca o tema jobiniano é contagiante. É tanta estrela que a vista até ofusca…


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: