Flying Down to Rio again

Semana de Páscoa, aniversário de filha. Desde o primeiro ano a confusão entre presentes e ovos de chocolate era constante, lá em casa. Bolo em forma de coelho, decorado com ovinhos, foi um clássico (que ela não gostaria de repetir, e nem eu).

Algumas vezes o aniversário cai na Sexta Feira Santa, ou seja, difícil fazer festa nessa data. Por outro lado, desde pequena, ela passou a curtir uma bacalhoada daquelas, neta de português que é. E quem nasceu no mesmo dia que Billie Holiday e Mussum, não tem do que reclamar.

Voei para o Rio, como naquele filme clássico, para comemorar o aniversário de Maria Flor, filha querida. O bacalhau da sexta foi devidamente degustado na Adega Flor de Coimbra, tida como a mais antiga da cidade. No mesmo endereço desde 1938, num sobrado onde morou Portinari, é um dos lugares do Rio antigo que mantém aquela aura indefinível que algumas cidades tem, outras não. Uns chamam de charme, outros de tradição.

Os donos da Adega tem certas idiossincrasias, que explicitam através de cartazes bem claros. Na verdade, muitos bares gostariam de colocar este aviso na parede, mas não tem coragem…

No sábado, reinauguração da quadra da Portela. Vamos lá? Claro! Busão até a Central do Brasil, trem até Madureira. Um mergulho no Brasil urbano-suburbano profundo, cheio de histórias.

O espaço é meio cenográfico, com paredes de gesso acartonado, mas é lindo. Tudo azul e branco, recém pintado, cheirando a novo. A feijoada consegue agradar, mesmo sendo feita em quantidades industriais (meu tíquete era de número 523…).

Rever a Velha Guarda da Portela não tem preço, capitaneada pelo grande Monarco. As pastoras se aplicam nos grandes clássicos mas a acústica não ajuda, como em qualquer quadra de samba. Entendemos mais as letras cantadas por quem está ao lado, ali no chão, do que pelos amplificadores amontoados nos cantos do palco.

À noite, outro clássico: O Bar do Zé, ali atrás do Glória. Cada vez que vou gosto mais do esquema simples, da possibilidade de pegar sua cerveja no balcão e ir tomar na calçada, conversando, sem barulho de trânsito ou vozerio de multidões. O espaço é lindo, com uma bela coleção de cachaças, parede de tijolos aparentes, portas em arco. Na rua de paralelepípedos o movimento de automóveis tende a zero, ampliando o espaço de convivência até a outra calçada. Mas fecha à meia noite, pois o Zé gosta de dormir cedo…

Enfim, voei de volta num domingo ensolarado, vendo toda a orla pela janela. Barra, Bandeirantes, Restinga da Marambaia…  Angra dos Reis, Ilha Grande, Paraty… Ubatuba, Ilhabela, Guarujá… E As represas enfeitando o alto da serra: Paraibuna, Billings, incrivelmente coalhadas de ilhotas. Um cenário fantástico, que deveria ser mais aproveitado pelo cinema brasileiro. Reichenbach tentou, Candeias experimentou, Person passou perto. Que tal?

2 Responses to “Flying Down to Rio again”


  1. 1 dalila teles veras 15/04/2012 às 10:31 pm

    Quero fazer um roteiro desses no Rio, meu caro Daniel! Fui assaltada no centro do Rio há alguns anos, e isso gerou um trauma (ridículo, eu sei, afinal poderia ser em sp ou outra grande cidade qualquer, mas, enfim, um trauma que preciso vencer a qualquer custo e um roteiro desses ajudaria muito, acredito). Obrigada pelo delicioso texto
    dalila

  2. 2 Julio Xavier 16/04/2012 às 11:53 am

    Anote essa porque acabei de inventar: “O Rio de Janeiro continua lindo….”


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