Cine Teatro Carlos Gomes

Amigos me convocam para ato em defesa do histórico Teatro Carlos Gomes, em Santo André. A desastrosa administração atual está destruindo um patrimônio cultural inestimável da cultura paulista e brasileira.

O Cine Teatro Carlos Gomes me provoca uma nuvem de lembranças. Em 1998 fui convidado pelo Secretário de Cultura do município, Celso Frateschi, para tocar a reabertura do velho prédio. Como já havia trabalhado na Secretaria de Cultura anos antes, na primeira gestão de Celso Daniel, aceitei com prazer.

O Carlos Gomes era um velho edifício retangular, com uma plateia de 800 lugares e um amplo saguão, como eram os cinemas de antigamente. Possuía dois grandes projetores de 35 mm que fizeram a alegria de muitos cinéfilos. Reza a lenda que o prédio, inaugurado em 1925, foi o quinto cinema do país. Uma grande estrela de gesso decorava o teto, e virou símbolo do lugar.

Estava fechado há muito tempo, e precisava de restauração. Na década de 80 chegou a virar estacionamento. Sem grandes verbas, optamos pela ousada via de reabri-lo sem reformá-lo totalmente, pois um cinema só se mantém vivo… exibindo filmes! Um teatro, montando peças. Um espaço cultural, promovendo eventos. Palco vazio é palco morto.

A festa de reinauguração foi linda. Na tela, o Baile Perfumado, vibrante exemplo de retomada de um cinema brasileiro inventivo e cheio de energia. No saguão, uma exposição sobre o cangaço, com fotos, objetos, armas, vestuário e cordéis. O público lotou, aplaudiu, comeu pipoca, vibrou. E, no final do filme, começou a rolar num palco ao ar livre o show da banda Mestre Ambrósio, participante da trilha sonora do filme pernambucano.

O Cine Teatro Carlos Gomes mostrou que tinha potencial para se tornar um centro cultural audiovisual importante no centro de Santo André. Em um semestre, ainda montamos uma exposição e uma mostra de filmes do Mazzaroppi, promovemos a estreia do filme Bocage, o Triunfo do Amor, de Djalma Limongi Batista. Outra linda exposição foi montada, com cenários e figurinos do filme, assinados por Lino Villaventura. Lembro-me do empenho de Diaulas Ulisses, sem o qual o evento não teria ocorrido.

Pouco tempo depois, saí de Santo André para me aventurar em campanhas eleitorais no Nordeste. Aconteceu a tragédia com Celso Daniel, e as gestões seguintes abandonaram o Carlos Gomes.

Depois de um grande movimento na cidade (o SOS Carlos Gomes, que reuniu 23 mil assinaturas) o prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico da cidade, em 1992. Nos últimos anos, estava novamente fechado.

O atual desgoverno iniciou uma reforma (?) que começou pela destruição do símbolo maior, a estrela de gesso. E é contra esse descaso que o povo de Santo André vai se manifestar nesta sexta-feira, 29 de junho.

Não poderei comparecer. Mas meu coração, certamente, bate junto com o de todos que tocam esta batalha. É um ato pela cultura, pelo teatro, pelo cinema, pela cidadania de Santo André. O Cine Teatro Carlos Gomes não pode morrer!

2 Responses to “Cine Teatro Carlos Gomes”


  1. 1 Diaulas Ullysses 25/08/2012 às 12:21 am

    Ola Daniel… saudades de ti… obrigado por me citar… mas sem a sua ajuda e a genrosidade do Djalma Limongi Batista, nao conseguiria realizar aquele trabalho… muito divertido e simbolico pra mim… adorei saber de vc…abraço forte


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