Nabil Bonduki

Vem cá, vamos conversar sobre eleições.  Susto? Imagine, aqui se fala de tudo, ou melhor, podemos falar de tudo. Completei 500 posts falando do Tom Zé, ali atrás. Quem teve a paciência de me acompanhar, desde 2007, quando escrevi pela primeira vez sobre um show do Police no Rio de Janeiro (fazendo uma crítica de mídia) sabe que não sou um cara partidário.

Tenho lado, posição, ideologia, é evidente, mas não sou filiado a nenhuma das agremiações existentes. Isso pode ter me custado algumas ofertas de emprego, de trabalho, mas faz parte do jogo. Não tenho esse cacife.

O campo da esquerda democrática é onde me sinto bem, onde dialogo melhor com as pessoas. Cresci numa ditadura de direita, e só posso abominar patrões, generais, torturadores et caterva. Nas últimas eleições, cravei o voto em candidatos de 4 partidos: PT, PSB, PSOL e PV. Parece loteria, mas é fruto de intensa pesquisa de avaliação de perfil, adequação de currículo e sintonia com causas com as quais simpatizo.

Teremos eleições municipais, no dia 7 de outubro. Moro na maior cidade do país – do continente? – com orçamento maior que o de muitos países pobres do mundo. Maior que o de alguns estados brasileiros. Quando penso nisso, não me conformo com o voto no “mais bonitinho”, no “da minha igreja”, no “que foi indicado pelo meu pai-vizinho-colega-patrão”. E também abomino aqueles que anulam o voto, por preguiça mental (burrice) ou indigência política.

É uma luta diária tentar melhorar a vida de minha cidade. Hoje mesmo, depois de uma longa batalha contra a subprefeitura do meu bairro, consegui que podassem um fícus que estava se enroscando nos fios do poste em frente de casa. Mais de um ano de tentativas protocoladas, até que uma carta para um jornalão resolveu em 15 dias. É cruel o desprezo que o cidadão comum sofre nesta metrópole tão rica e tão arrogante.

Exigência: “Para cortar uma árvore, teremos de plantar mais três”. Concordei, achei “ecológico”, cedi a calçada, me propus a pagar o custo das mudas. Ficaram desnorteados, provavelmente. Mandaram uma equipe tosca, que passou a motosserra nos galhos e foi embora. “Cadê as mudas?”, perguntei ao que parecia ser o chefe da equipe. “Ah, vão ser plantadas em outro lugar.”

Dá pra acreditar? É um governo municipal desgovernado, corrupto, mais interessado em especulação imobiliária que em atender ao cidadão. Um desastre provocado por uma das figuras mais funestas da política brasileira, que é o tal de José Serra. Aquele que, aos 70 anos, nunca cumpriu um mandato até o fim, sempre saltando para coisas mais “intere$$antes”. O político que tem boa parte da vida documentada e registrada no livro “A Privataria Tucana”, um catatau com 120 páginas de documentos assinados, registrados e fotocopiados. Quem não leu, não sabe o que está perdendo. Ou deixando de saber.

Pra completar a desgraça, quem lidera as pesquisas é um candidato bancado por uma igreja evangélica-monetarista. Um pequeno canalha, que tentou ser prefeito de Santo André há alguns anos, usando um domicílio falso. Que votou contra a “ficha limpa” no Congresso. Que não apresenta uma proposta real, só diz que “nossa equipe técnica está estudando o assunto”. Faça-me o favor!

Moro aqui há 45 anos. O melhor vereador em quem votei na vida foi Nabil Bonduki. Um arquiteto, urbanista, professor da USP, que dedicou a vida a melhorar a cidade em que mora. Não é o único, mas não conheço outro que tenha contribuído tanto para o Plano Diretor da cidade. Conheço desde os anos 90, trabalhando em projetos de habitação popular. Expandiu sua atuação para a área cultural ,criando o VAI, um programa de Valorização de Atividades Culturais que virou lei municipal.

O cara enfrenta também o desafio da destinação dos resíduos sólidos, problema crucial das metrópoles. É autor de doze livros sobre urbanismo, mas em vez de repousar nos louros da academia sabe que agir é imperativo. Melhorar a cidade em que vivemos é fundamental.

Estou com Nabil Bonduki.

4 Responses to “Nabil Bonduki”


  1. 1 Edu Maretti 19/09/2012 às 2:35 am

    Se eu estiver errado me corrijam, mas em 2004 lembro que Nabil Bonduki acabou não sendo eleito porque muitos acharam que ele já tinha a eleição garantida e votaram numa nova “cabeça”, uma figura jovem e promissora chamada Soninha Francine, do PT, hoje no PPS e tb conhecida como Sonsinha (mas que de sonsa não tem nada). Na época ela era minha vizinha, uma figura agradável, defendia o Tibete livre, trocávamos “bons dias” e “ois”. Enfim, pra resumir, estou entre os incautos que votaram na vizinha e camarada Soninha e naquele ano Nabil ficou fora. Por isso este ano vou pagar essa dívida e votar nele.

    • 2 Daniel Brazil 19/09/2012 às 10:24 am

      É isso, Edu. Conheço muita gente do PT que disse “Ah, o Nabil se reelege tranquilo. Vamos investir na garota!” Deu no que deu… Perdemos o melhor vereador da cidade e ganhamos… o que, mesmo?

  2. 3 Jussara 19/09/2012 às 7:06 pm

    Dani,
    estou me sentindo péssima nessa eleição, tudo bem que vocês aí de Sampa estão pior que eu… Para prefeito a melhor opção era o Freixo, mas já apareceu uns rabos presos e alguns casos mal explicados, como desde o começo não confiava nele, já viu? Então não sei o que fazer, talvez pela primeira vez na vida anule um voto, o elenco participante de candidatos para vereador é de quinta categoria, vejo propaganda na TV, aceito santinho na rua entro em alguns sites, mas até agora nada, estou tendendo a votar na legenda PT ou PV, apesar de ainda estar bem mal com o PV e a coligação do mal na eleição para governador, enfim é o que tem pra hoje…
    Ainda tenho uns dias para pensar!!!!
    bjs

  3. 4 Daniel Brazil 19/09/2012 às 9:24 pm

    É, o Rio de Janeiro não é fácil de entender para quem é de fora, Ju. Votar em legenda é sempre um risco, funciona pra quem é filiado ou acredita piamente em um partido. Pode dar sorte, pode não dar… Pense. Você é boa nisso!
    Beijo,


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